BOLETIM   CULTURAL   E   RECREATIVO   DO   S.E.U.C.  -   J.  ESTÊVÃO


PÁGINA 1
Editorial
Alcino Carvalho
PÁGINA 2
Um presépio humano
Bartolomeu Conde
PÁGINA 3
Contos tradicionais portugueses
PÁGINA 4
A reforma do
SEUC
João Paulo
PÁGINA 5
Isto de Tradi-
ções e...
Henrique Oliveira
PÁGINA 6
Cenários de
Violência

Isabel Bernardino
PÁGINA 7
Plantas carní-
voras
João Paulo
PÁGINA 8
Receitas para
o fígado
H.J.C.O.
PÁGINA 9
Sebastião da
Gama
Paula Tribuzi
PÁGINA 10
Aveiro, de vila
a cidade
Claudete Albino
PÁGINA 11
Hora do
Recreio
PÁGINA 12
Fac-símile da 1ª página
 

Cenários de Violência - “Elephant”
                                                                                        Isabel Bernardino

1 - A propósito do filme que recentemente esteve em exibição na nossa cidade, “Elephant” de Gus Van Sant, ocorreram-nos algumas considerações.

O filme decorre numa escola secundária.

A partir do quotidiano dos jovens alunos é feita uma caracterização psicológica dos mesmos.

Perante o nosso olhar, desfilam jovens adolescentes bulímicos, jovens hiper-protectores de pais alcoolizados, a vivência da sexualidade centrada no “sexo pelo sexo” e jovens marginalizados do grupo de pares por serem diferentes.

Estes últimos são os protagonistas do filme. Interiorizam uma revolta silenciosa, que os leva à violência gratuita como forma de catarse da raiva que foram acumulando. De perseguidos passam a homicidas!

Impressiona o “sangue frio” com que planeiam e executam o homicídio dos colegas e dos professores.

Impressiona ainda mais saber que o argumento do filme tem como base uma ocorrência real, na cidade de Colombine, nos EUA.

Como estamos a formar os nossos jovens?

 

2 - No dia 25 de Novembro, o jornal “Público “ divulgou o estudo sobre violência doméstica: Custos sociais e económicos da violência contra as mulheres da FCSH/UNL.

Constatou-se que:

- 87,8% da violência doméstica tem como autores os homens;

- 52,4% dos agressores foram os actuais ou ex-maridos/companheiros;

Para além das agressões físicas, teremos ainda de considerar a violência psicológica (19,4%), que não é menos destrutiva que a física.

Conclui o estudo que a violência contra as mulheres atinge todas as classes sociais; 13,4% dessa violência é exercida por homens com profissões liberais, intelectuais e científicas!

De acordo com o mesmo estudo, a probabilidade de haver insucesso escolar nos filhos é “cerca de duas vezes maior nas famílias em que as mulheres foram vítimas de violência”.

O preocupante deste estudo, para além da violência doméstica em si mesma, é o facto de ela ser exercida por homens com uma forte escolaridade e que deveriam estar aptos a exercer a cidadania num clima de diálogo e de respeito pelo outro!

Está a escola realmente direccionada para a formação do cidadão?

E o que se entende por formar?

3 - Sabemos que as nossas crianças passam horas frente à televisão ou no computador a jogar jogos bem violentos.

A maioria dos programas exibidos pelos “mass media” cultivam a violência pela violência! Nem os desenhos animados escapam à regra!

Os próprios serviços informativos, em horário nobre, fazem-nos entrar pela casa dentro todo o tipo de violência. Desde as imagens duma guerra servida a frio, à violência da pedofilia, passando pelo vizinho que numa briga banal decide eliminar o opositor.

Bandura, num dos seus estudos, alertou-nos para o facto de a exposição sistemática de crianças a filmes violentos elevar o seu índice de agressividade.

Parece-nos então que a violência é interiorizada como normal ao longo do processo de socialização.

Mais, o próprio mundo surge-nos como violento e destrutivo.

E de novo formulamos a questão: — No meio destes cenários de violência, como pode a escola contribuir para que o homem se torne menos “lobo do homem”?

Vivemos a soletrar a palavra cidadania, mas não passa de palavra!

Como pode a escola secundária formar cidadãos, se os limites e a responsabilidade não tiverem sido interiorizados na infância?

E competirá mesmo à escola essa tarefa?

Se a sociedade privilegia o “parecer”, como pode a escola ser uma “ilha” onde se cultiva o “ser”? 

Isabel Bernardino


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5 Tradições e S. Martinho  -  6 Cenários de Violência  -  7 Plantas carnívoras  -  8 Receitas para o fígado
9 Sebastião da Gama  -  10 Aveiro, de vila a cidade  -  11 Hora do Recreio  -  12 Fac-símile


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