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ACTIVIDADES
DESENVOLVIDAS
2007/2008
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Selecção de
Excertos − 7/7 |
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Ave, Aveiro
(…) Já sem laranjas roubadas na Rua do Gravito e sem aventuras nocturnas pelos
arrabaldes – descubro a beleza com que te despedes (te despes) do Sol, perco-me
em versos pelos carreiros das marinhas, levo a pasta da namorada à Estação,
invento um jornalzinho de estudantes, colaboro no crime nefando de mantear (sob
a pêra do José Estêvão!) o anãozito das sentinas. Aprendo a respeitar as
professoras, […] guardo um profundo desprezo por outros, peço dez tostões à
minha mãe para comprar “O Diabo”, lanço uma cervantina burricada pelo teu
centro, compenso o José Estêvão ensinando-lhe (junto às grades da estátua) o
canto em coro da “Internacional” – conspiro adolescentemente…
(…) Só me lembro de ter nos braços nos bailes dos Bombeiros (…), de falar em
lobos de Alsácia aos bigodes e à barretina de Homem Cristo, de colher nas palmas
das mãos o frio e aço de uma das tuas tão singelas (mas tão típicas!)
pontezinhas, de ouvir dizer que um médico te receitara carros de areia e de ler
as eruditas notas que um dos teus vates pusera na epopeia em que cantava a
descoberta do Brasil…
(…) E redescubro, olhando-o melhor, eu eras uma vilazinha apenas, perdida nas
brumas do passado… Como eu, cresces desajeitada e errabunda. (…) Pouco tempo
tenho, uma vez mais, para dar conta de ti. (…) E acontece a tragédia: descubro
que envelheço mais depressa do que tu – e sem que tenha podido conhecer-te!
(…) Passaram os tempos em que davas ovos-moles e políticos. (Os ovos eram bons,
hoje menos. Os políticos óptimos, mas deu neles a pílula). (…) E, todavia, és
pura ainda, ó Aveiro! Tens o sal, tens o sol, tens o céu encaixado nas marinhas
– e o bacalhau, sem shorts nem nada, a bronzear-se nos tabuleiros… Serás cidade,
ó vila de outrora! (…) Tens dilúvios aguazados, minha Querida, e arcas de Noé
que trazem da Terra Nova os hirsutos precursores dos “hippies” de hoje… Com eles
dormes e com eles refloresces, minha Incógnita! O bronze e a salmoira te
protejam até à consumação dos séculos!
Ámen.”
Mário Sacramento (1929-1969)
Médico, Escritor |
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Ida e Volta
Franqueava-se um grande portão de ferro e, antes de entrar no grande edifício,
percorria-se uma estrada rodeada por bancos vermelhos, plantados nas margens de
um grande jardim, mais ou menos selvagem, em que cresciam palmeiras de grandes
macieiras e outras arvores de grande porte. Do meio da relva, destacavam-se duas
esculturas de ferro. Uma delas estava muito corroída pela chuva. Adivinhava-se
que devia ter sido uma mão rasgando a terra e que nessa luta teria perdido
quatro dos cinco dedos de tubo metálico.
De ambos os lados do edifício, dentro dos muros, adivinhavam-se grandes
superfícies pavimentadas, de onde voava uma vozearia juvenil.
Ao edifício tinha-se acesso por um outro grande portão de ferro. Desembocava-se,
então, num grande átrio de pé muito alto. Em grandes placards, podiam ler-se
instruções e informações de actividades.”

Árvores do Rossio - Aveiro, 2008 |
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“Um dia não são dias. Não?
(…) Saio assim pelas ruas de Aveiro. Saio de casa e sossego o olhar na relva em
frente cercada por uma moldura de árvores que ensinam o caminho às estradas
velozes. Olho a praceta Afonso Gomes. É uma praceta cuidada pela cooperativa
Chave, a relva está verde e as plantas estão a crescer em todo o seu esplendor.
No campo de jogos, dois jovens atacam-se com bolas de brincar.
Atravesso o meu bairro de Santiago e procuro e encontro o sossego das praças
públicas entre as bandas de casas. (…) Atravesso o meu bairro de Santiago pelos
jardins públicos (…) Quando o vento é forte (e é muitas vezes forte) caminho
apressado. Quando é brisa de Santiago ou quando está muito calor, vagueio pelas
arcadas dos comboios amarelos numa viagem de sombra fresca e não me canso desta
companhia das cores vegetais em que quero tropeçar. Tudo depende do olhar.
Passo pelo quiosque e o jornal devolve-me uma tristeza fria. Mas persisto no
caminho da gente comum da cidade, esta que nos habitua a andar. Passo pela praça
do Marquês. Ainda o pó (agora amarelo avermelhado da cama da calçada) nos
acompanha na passagem de uma praça em obras com cheiro a pedras e cimento para
outra praça com pessoas e cores vegetais. Na rua dos Combatentes, as cores estão
penduradas à altura dos olhos voadores e lá em baixo a água para a esquerda
acrescenta-nos a serenidade dos espelhos naturais. Quando subo para a Sé,
descanso na relva do museu. A Natália C. pergunta-me pela família. As árvores da
rua Passos Manuel encheram-me de folhas contra a agressão da poda. Entro no
cercado da escola José Estêvão pelo lado das árvores de majestade sem nome.
Dentro do edifício, os corredores estão frescos e os jovens atropelam
gargalhadas. (…)”
Arsélio Martins (1947-…)
Professor, Presidente do Conselho Directivo da
Escola Secundária José Estêvão
durante quase 20 anos |
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“Aveiro – 2
Céu terreno de ria semeado
De vagas libertadas pelo mar,
Que um dia a entronizou no seu altar
De rendas de brancura, sal bordado.
Qual trono de sol enluarado
No vão da noite, e dia a pespontar,
De proas e de rés vogando a par
No lago reluzente, prateado.
Bendita terra esta, onde a chama
Em tardes de poentes faz a cama,
No berço embalador do oceano.
Bendita terra, meu ancoradouro,
Maravilhoso Aveiro, meu tesouro,
Que por mercê de Deus, se sente ufano” Amadeu de Sousa (1887-1918)
Pintor e poeta

Aspecto do porto comercial de Aveiro - 2008
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