ACTIVIDADES DESENVOLVIDAS

2007/2008

Selecção de Excertos − 6/7

 

“Lá verás Aveiro chamada Veneza de Portugal, comparação que deveria honrar a cidade mas que, na realidade, a envergonha e desilude os visitantes, pelos seus fétidos e mal cuidados canais. E o novo grito me acode: ‘é urgente salvar a ria, os canais, as espécies marinhas!...’ e aqui, recordo a acção importante e valiosa que a Universidade de Aveiro poderá desenvolver na defesa do meio ambiente.”

Cláudia Maria Cruz Santos
Aluna do Liceu de Aveiro entre 85 e 91

Canal do Paraíso - Aveiro, 2008
Canal do Paraíso - Aveiro, 2008


Salvemos o moinho de Aveiro

Ali para os lados onde o casario da cidade acaba e a rasa paisagem lagunar se estende, ergue-se ainda o esqueleto estrutural, decepado e reduzido à absoluta apatia funcional, redondo de planta e ainda sólido nas paredes de pedra rolada de importação quiçá insular, um derradeiro espécime dos moinhos que polvilhavam outrora, ao rés de água, esta zona que se diferencia sem se subtrair no conjunto nacional.

De moinhos estiveram inçados a Ria e Aveiro. Desde os que conferiram esse topónimo a um ponto da estrada marginal da Cale de Vila e que a energia hidráulica das marés impelia para uma laboração precária, aos que disseminavam pelos chãos aluvionares de baixíssima cota, com propulsões eólicas, baralhadas com os palheiros das salinas.

Até ao mesmo Esteiro das Azenhas que, por via delas dava o nome, ao que hoje, não sei por que bulas nem pias baptismais que o legitimem, crismamos teimosamente de Canal do Cojo. E que terão, acaso, inspirado J. Ferreira Pinto Basto a construir, frustrantemente, a «Casa dos Moinhos»”, no termo do velho «llhote do Cojo» — onde está instalada a Capitania do Porto de Aveiro.

Aveiro perdeu, pois, uma velha e caracterizadora tradição de “moinhos”. Redobrada razão para conservar, reconstruir e aproveitar, funcional e culturalmente, aquele que nos resta à mão e autêntico.

Eduardo Cerqueira (1909-1983)
Jornalista



“Espaço-festa
Aveiro é uma menina.
Usa vestido de água muito azul debruado a branca renda, de espuma.
Tem um bibe de Sol e usa brancos laçarotes de sal.
Passeia descalça e leve como se voasse
Desnuda-se, aqui e ali, e flutua como se nadasse.
Agita-se no vento e evapora-se como se dançasse.
Aveiro é uma menina e, como as de Degas, bailarina.”

Idália Sá-Chaves (1940-…)
Actual Professora na Universidade de Aveiro
 


“Aguarela
Campos de Aveiro.
Manchas verdes de arroz,
E a vela dum barco moliceiro
Que um pirata ali pôs.

A servir de moldura,
O velho mar cansado;
E um céu alto a descer e a ter fundura
Na quilha reluzente de um arado.”

Miguel Torga (Adolfo Correia Rocha 1907-1995)
Escritor, Médico


Aspecto do Canal do Cojo - 2008
Aspecto do Canal do Cojo - 2008
 


“Mareante na proa do navio
Fita o mastro a picar o céu
Envolto de neblina;
Cansado do sargaço nauseante
Rumo à terra em ritmo de prece.

Mareante na proa do navio
Dá à costa exausto
Mas do mar não desiste.”

Rosa Maria Oliveira (1959-…)
Professora, Escritora, Jornalista