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Na tentativa de esquecer
um pesadelo
que assombrou a longa e penosa noite,
pedi-te para desceres desse orgulho
e regressares ao vértice da nossa relação
para, guiados pela estrela dos nossos desejos
desfiarmos o enredo das palavras cúmplices.
E, sob um céu pardacento de finais do Outono
afagados pela brisa perfumada dos crisântemos
seguimos Vénus tremeluzente entre as ramagens
lentamente se afundando no horizonte
enquanto íamos sublimando algumas questões
que, enxameando o mundo, nos inquietavam.
Contudo, para o lugar do pronto-alívio augurado
foi entrando pigarreando, um rançoso resmungo
de solilóquios geradores da angustiada desunião.
E nós, treslidos, desalinhados, num alheamento,
voltámos ao encontro do vodka-laranja que jazia
no esquecimento do bar furtivo da reconciliação
para dali sairmos alheados, a tartamudear no vazio
uma babel de vocábulos marginais, inconsequentes
fruto do granel das libações que visavam o propósito
da remissão dos pecados havidos e a haver.
Afinal a premonição revelada no meu pesadelo
caiu entre nós como silencioso voo de noitibó;
a perda foi ali consumada sem remédio
e de imediato zarparmos em sentidos opostos
mas já saudosos das essências silvestres.
Junho de 2026 |