O megalómano

 

Olhar baço como o das estrelas
Perdidas na lonjura das galáxias
A condizer com os gestos grotescos
Da mirabolante e sôfrega inquietação
Pela apropriação de bens e haveres,
O desenfreado e desonesto açambarcar
Fruto de conceitos singulares, abstrusos
Potencialmente perigosas e até letais.
Corre-lhe nas veias o sangue fermentado
Pelo fogo abrasador das lutas e ameaças
Que, ateado por mentiras e pífios adágios
Traz insegurança à inerme humanidade.
As voltas e reviravoltas no icónico carrocei
Do descarado despudor das contradições
Desfilam no palco das promessas inócuas
Revelando a ganância, a inveja e o avatar,
Como traços de personalidade patológica
Donde emergem breves surtos psicóticos.

                          Junho de 2026

 

 

19-06-2026