Aida Viegas, Pensar Alto (Poesia), Aveiro, 1992, p. 66.

Sentir de Outono

Amarelecendo, vão as folhas e vão os dias.
Sempre cantando, ouvem-se ao longe, as cotovias.
Amadurecendo, vão doces frutos, todos os dias
Vão longe as férias, já relembramos, tais alegrias.

Há tons de ouro, de amarelo, e de castanho
Tons de vermelho, os tons da paz, um tom estranho,
Paira no ar. Folhas de Outono, dançam ao vento
Que nas ramadas, vai a passar, como um lamento.

Em tons diversos, por entre as parras, lá nos vinhedos
Por onde andaram, moços e moças, pairam segredos.
Pairam seus sonhos, por entre as cepas, que os cachos deram.
Pois as vindimas, fracas ou fartas, já se fizeram.

O vinho novo, na pipa velha, já está à prova.
Para os magustos, agora temos, castanha nova.
E, um sol ameno convida o homem, a repensar.
O ar sereno, lembra que o tempo, não vai parar.

Vem a neblina, escurece o céu, e num momento,
Surge a promessa, o dia toma um ar cinzento;
Promete o verde, a mansa chuva, que molha a terra.
Terra bendita, tu és a esperança, que a vida encerra.

Chega o Outono, vem carregado, de poesia.
Chega a tristeza, sentimos perda, melancolia.
Caiem as folhas, e, ao olhá-las cai-nos a alma.

Mas, esta paz, da natureza, traz-nos a calma.


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