Henrique J. C. de Oliveira - Aveiro, 2001/02

Relatório da Acção de Formação AF15

O Trabalho dos Formandos

Geralmente, salvo aquelas raras excepções que só vêm confirmar as regras, as qualidades de um professor acabam quase sempre por se reflectir nos alunos. Logo, ao trabalho activo de um formador teria de corresponder o trabalho activo dos formandos.

Esse aspecto de franca actividade construtiva sobressaiu ao longo das oito sessões de três horas, durante as quais pudemos constatar que havia colegas que já levavam para as "aulas" os trabalhos de casa antecipadamente feitos durante a semana. Outros, com menos tempo e limitados ao acesso à Internet apenas na própria escola e nos tempos mortos, grupo entre o qual nos incluímos, só no momento das sessões tomavam conhecimento do "plano da aula" e iniciavam as actividades propostas, gerando-se assim um certo desfasamento entre os acelerados, com mais tempo disponível, e os que tinham de se limitar ao tempo reservado para a assistência às aulas.

Ao contrário do que poderia supor-se, o desfasamento entre os formandos não foi um aspecto negativo. Pelo contrário! Gerou-se uma dinâmica de trabalho que, à semelhança dos líquidos em vasos comunicantes, acabava por repor o nível em todos os tubos, fazendo com que, trazidos num CD regravável os materiais obtidos, procurássemos ocupar alguns serões, naqueles em que as pilhas ainda não tinham esgotado completamente a energia, para recuperar o atraso e criar os nossos próprios materiais. E esta criação de materiais novos foi sempre realizada tendo uma meta ideal em vista: sempre com objectivos pedagógicos bem concretos, relacionados com a nossa própria actividade docente e formadora.

Em suma, procurámos sempre conciliar as duas vertentes: a experimental e a pedagógica. Experimentar «software» que era novidade para nós, não porque o não conhecêssemos, mas porque nunca tínhamos precisado de o utilizar, era um aspecto importante. O outro, não menosprezável e talvez até mais importante que o primeiro, era o de ocuparmos o tempo de uma maneira produtiva e o mais útil possível, não juntando o útil ao agradável, embora também, mas procurando conciliar a aquisição de conhecimentos com a obtenção de materiais de carácter didáctico com objectivos bem definidos: visando os nossos alunos, centrando-nos nos programas em vigor, procurando criar material com utilidade para o aumento do conhecimento dos nossos alunos, e também, é preciso dizê-lo, visando os colegas de profissão com maior ou menor alergia às novas tecnologias e, inclusive, aqueles que vierem a frequentar as acções de formação por nós dinamizadas. Criando bom material com valor pedagógico, pronto a ser utilizado pelos nossos alunos, além de servir plenamente os principais destinatários, tem o mérito de permitir apresentar modelos e servir de estímulo, abarcando um objectivo mais amplo e de remoto alcance: levar à constituição de grupos que, no próximo ano lectivo, se a ESCOLA quiser aproveitar as oportunidades que lhe são dadas, poderão encetar um trabalho de produção de material didáctico de apoio ao estudo autónomo, quer na Biblioteca, quer na Sala de Estudo.

Neste momento, relativamente ao trabalho dos formandos, haverá uma tarefa a realizar que poderá ser de utilidade geral. Esta consiste na reapreciação de todos os materiais produzidos, tendo em vista uma selecção daqueles que foram já idealizados tomando em conta as necessidades dos nossos alunos. Será útil revê-los, seleccionar os que apresentam interesse pedagógico e proceder, se necessário, à sua reformulação e melhoria, para que toda a energia despendida ao longo das oito semanas de formação[1] possa dar dividendos aproveitáveis pelos nossos alunos.

Quem sabe se não poderão vir a ser elementos de um futuro banco de material pedagógico a utilizar por todas as escolas da rede Prof2000?

[1] Se olharmos para o cronograma fornecido, verificaremos que a formação se repartiu por 9 sessões. Todavia, apenas aqui computamos aquelas que tiveram uma duração de três horas, o que perfaz um total de 24 horas. Entre 25 de Fevereiro e 6 de Maio, temos um espaço de quase três meses, período durante o qual formador e formandos procuraram dar o seu melhor. Daqui o ter resultado um montante de largas dezenas de horas de trabalho com um saldo francamente positivo.

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