Henrique J. C. de Oliveira - Aveiro, 2001/02

Relatório da Acção de Formação AF15

Razões da inscrição nesta acção

Na década de 1970, encontravam-se frequentemente, em revistas de divulgação científica, referências a máquinas que permitiam ao Homem realizar não apenas cálculos matemáticos complexos, mas também resolver problemas de natureza prática, que nada tinham a ver, aparentemente, com a Matemática. E ainda nos começos da mesma década, começaram a surgir referências a computadores relativamente acessíveis e de reduzidas dimensões, destinados não já às grandes empresas, mas tendo em vista uma utilização doméstica.

Em meados da década seguinte, começaram a surgir no mercado, a um preço relativamente comportável para a bolsa de um professor, as primeiras máquinas, lançadas por um senhor inglês que rapidamente se tornou conhecido e enriqueceu até em títulos, passando a Sir, porque as máquinas por ele produzidas, com 48 KB de capacidade, pouco maiores eram que um livro de bolso e permitiam já fazer muita coisa: até brincar!

Em breve, essas pequenas máquinas de cor preta e teclado de borracha começavam a revelar-nos os segredos e a permitir-nos, inclusive, criar os nossos próprios programas didácticos e também, porque não dizê-lo, lúdicos.

Pouco depois, quando o clube de informática da escola que decidimos criar e animar começava a fervilhar de ideias e de cabeças jovens a competir com uns poucos mais velhos, que então ainda não eram apelidados de «cotas», mas apenas vistos por outros colegas como os «maluquinhos dos computadores», surgiu o projecto MINERVA e com ele novas máquinas um pouco maiores e mais poderosas.

E com uma velocidade cada vez maior, começámos a ser submergidos por tecnologias cada vez mais evoluídas, cada vez mais poderosas e compactas, que surgiam a um ritmo quase impossível de acompanhar. Tão acelerado o ritmo, que uma simples paragem implica uma perda do comboio do progresso tecnológico, ainda que nem sempre o possamos apanhar, porque as bolsas dos funcionários públicos não são compatíveis com os cifrões que as novas tecnologias exigem.

Em meados de 2001, quase imprevistamente, vimo-nos implicados no Prof2000. Quase imprevistamente e quase sem termos hipóteses de uma recusa, porque o convite feito vinha a contar com uma aceitação sem possibilidades de recusa!

No começo do actual ano lectivo (2001/2002), éramos convocados pela DREC para uma acção de formação para novos líderes. Frequentámo-la. Gostámos.

Gostámos dos formadores, que se revelaram competentes e, sobretudo, colegas abertos, amigos de partilhar saudavelmente os saberes com os outros colegas, trabalhando de maneira positiva para a mesma causa colectiva que há muito tempo abraçámos - o ensino.

O facto de termos sido envolvidos num projecto acabou por nos dar uma oportunidade de sermos úteis à comunidade, permitindo-nos partilhar trabalhos recolhidos ao longo de vários anos de formação com colegas.

Entre Janeiro e Fevereiro de 2002, foi-nos dada nova oportunidade de trabalhar com um formador já conhecido, um colega experiente e há muito um entusiasta também das novas tecnologias. Além do mais, esta acção, ao contrário da anterior, era de formação à distância, isto é, realizada através da Internet, o que constituía uma experiência totalmente nova, susceptível de alterar juízos de valor anteriormente formulados. E tinha sido idealizada procurando não só o aumento dos conhecimentos anteriormente adquiridos, mas sobretudo a criação de grupos de trabalho nas escolas dos líderes e a animação de espaços escolares de ensino-aprendizagem, ou seja, os seus objectivos não eram estáticos, parados no tempo. Visavam sobretudo as actividades a desenvolver futuramente nas escolas, procurando uma implementação cada vez maior das novas tecnologias com a criação de materiais que permitam aos nossos alunos outras formas complementares de aprendizagem.

As motivações para a frequência desta acção foram muitas. Não a aproveitar seria uma atitude que viria a impedir-nos de aumentar os conhecimentos, de partilhar experiências com os outros e, sobretudo, reduzir as nossas possibilidades de sermos úteis à escola e à comunidade em que estamos inseridos.

[1] - A frequência de uma acção de formação à distância foi uma experiência interessante e com balanço final positivo, ainda que a análise dos prós e dos contras pareça indicar o contrário. Mas vejamos em pormenor o balancete das vantagens e dos inconvenientes, começando pelos aspectos negativos:

INCONVENIENTES:

  • a lentidão, por vezes massacrante, na transmissão dos dados;

  • os imponderáveis de um sistema de comunicação à distância ainda longe da optimização, tais como: falhas imprevistas de energia; bloqueio do sistema, perdendo-se o que se estava a fazer e obrigando a recomeçar tudo do princípio; a necessidade de prestar atenção às várias janelas abertas em simultâneo; etc.

VANTAGENS:

  • possibilidade de frequência a partir do local de trabalho;

  • economia de tempo e dinheiro, evitando as deslocações.

BALANÇO FINAL:

Apesar dos problemas por vezes surgidos (e que não foram poucos!), podemos concluir que a formação à distância é uma forma viável, em que as vantagens acabam por superar os inconvenientes, especialmente se os elementos que frequentam a acção estão familiarizados com as novas tecnologias e já imunizados contra os frequentes imprevistos. Cfr. opinião emitida no relatório da acção 5.1.

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