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DEPARTAMENTOS DE
EDUCAÇÃO FÍSICA
ARTES, TECNOLOGIAS E
EDUCAÇÃO ESPECIAL
EDUCAÇÃO ESPECIAL E MULTIDEFICIÊNCIA
ENTREVISTA A PAULA CERDEIRA E
CRISTINA BASTOS
A Unidade de Apoio Especializado para
a Educação de Alunos com Multideficiência está prevista no
Regulamento Interno do Agrupamento de Escolas José Estêvão, na
SUBSECÇÃO I, Art.º 122.º «O AEJE tem, no âmbito da educação
especial, uma Unidade Especializada para a Educação de Alunos com
Multideficiência, no ensino secundário.»
Para começarmos, como descreve o seu
percurso profissional até chegar à Educação Especial e, em
particular, ao trabalho com alunos com multideficiência?
Para nós, o percurso como professoras
começou no ensino regular. Posteriormente, através de concurso para
a educação especial, fomos colocadas nesse Grupo e ao ser definida a
distribuição de serviço, iniciámos o trabalho docente, com alunos
integrados em Unidades.
Essa primeira experiência foi
transformadora. Após o trabalho realizado naquele primeiro ano,
fomos nós que, ao identificarmos a oportunidade de acompanhar esses
alunos, nos propusemos fazê-lo junto do órgão de Gestão. Acreditamos
que podem sempre ir mais além, e o nosso compromisso é ajudar cada
um a desenvolver as suas capacidades e, quem sabe, alcançar os seus
sonhos.
Quando falamos em multideficiência,
que desafios se tornam mais evidentes no quotidiano escolar?
Esta Unidade faz parte do Centro de
Apoio à Aprendizagem, integrando alunos abrangidos pelo Decreto-Lei
no 54/ 2018 de 6 de julho, com Relatório-Técnico Pedagógico. As
competências a desenvolver estão definidas no seu Programa Educativo
Individual. O maior desafio é conseguir integrar estes alunos, no
contexto escolar e na comunidade, garantindo o máximo de autonomia
possível. / 33 /
Os alunos com multideficiência apresentam perfis muito distintos
entre si. Como gere essa diversidade e organiza as práticas para
responder às necessidades de cada um?
Pretende-se promover, junto destes
alunos, o desenvolvimento de competências sociais, comporta mentais,
emocionais, sensoriais, académicas, bem como a autonomia e a
motricidade global e fina, envolvendo-os ativamente na construção da
sua aprendizagem, de acordo com o que está definido no Relatório
Técnico-Pedagógico e no Programa Educativo Individual de cada aluno.
O trabalho realizado com cada um considera as suas potencialidades,
necessidades específicas e estado de saúde. Assim, respeita-se o
ritmo individual de aprendizagem, aproveitando os momentos em que
estão mais atentos e permitindo períodos de descanso sempre que
necessário, respeitando sempre o seu perfil de funcionalidade.
Cada atividade é planeada, podendo ser
adaptada de diferentes formas e com materiais variados, de acordo
com as capacidades e preferências de cada aluno. Por exemplo, numa
atividade de pintura, um aluno pode pintar com os dedos, outro com
um pincel e outro com uma esponja, etc.
Existe uma necessidade contínua de
ajustar materiais e estratégias, garantindo que cada experiência
seja adequada às características individuais. ►►►
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