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Quais são as estratégias ou abordagens pedagógicas que considera
mais eficazes no trabalho diário com estes alunos?
Com estes jovens, são adotadas estratégias que visam superar as
dificuldades evidenciadas, trabalhando competências funcionais e
promovendo aprendizagens significativas da vida real. A interação
com o ambiente natural, aliada a estratégias adequadas às suas
capacidades e necessidades, permite-lhes vivenciar situações
significativas, para manter competências já adquiridas e generalizar
aprendizagens em diferentes contextos.
São aplicadas metodologias e estratégias de intervenção
interdisciplinares, com o objetivo de favorecer o desenvolvimento e
a integração social e escolar dos alunos. Atendendo ao perfil de
funcionalidade de cada um, é necessária uma intervenção
individualizada e acompanhamento constante nos vários contextos de
vida.
São trabalhadas competências nos domínios sensorial, cognitivo,
motor e sócio-afetivo, estimulando a comunicação e a interação
social. É fundamental construir respostas diferenciadas para atender
às suas problemáticas e desenvolver aptidões, autoconceito e
autonomia. Para melhorar os níveis de desempenho, recorre-se a
instrumentos e meios diversificados, como histórias, canções,
vídeos, atividades de expressão plástica, materiais e jogos
didáticos, Tecnologias da Informação e Comunicação, atividades
experimentais, entre outros.
Para reforçar a aquisição destas competências e promover a autonomia
pessoal e social, os alunos, sempre que possível, frequentam algumas
disciplinas em contexto de turma e socializam com colegas da sua e
de outras turmas da escola. Há uma articulação do Projeto Aprender
em Contexto com atividades de outros projetos, como Eco Escolas, PES,
Biblioteca, bem como com iniciativas no
âmbito da disciplina de Cidadania e Desenvolvimento e outras
disciplinas.
Com o Projeto Aprender em Contexto, pretende-se que os alunos
adquiram conhecimentos basilares que lhes permitam aprender em
diferentes contextos, desenvolver competências de vida em
comunidade, facilitar a integração na vida ativa e vivenciar
experiências que favoreçam a maturidade física e sócio-afetiva.
O acompanhamento destes alunos envolve frequentemente uma equipa
multidisciplinar. Como funciona essa articulação dentro da escola?
Fazem parte desta equipa as professoras de Educação Especial, a
Equipa Multidisciplinar de Apoio à Educação Inclusiva (EMAEI),
assistentes operacionais, bem como técnicas especializadas, como
terapeuta da fala, técnica de psicomotricidade e assistente social.
As terapeutas e a assistente social pertencem ao CRI da CERCIAV.
Para além destes profissionais, os alunos beneficiam também da
colaboração de professores de Educação Física, Expressões, docentes
ligados à biblioteca escolar e docentes de outras disciplinas.
No âmbito do desporto escolar, os alunos participam em modalidades
adaptadas, como natação e vela adaptadas e bóccia. Considerando que
alguns destes alunos apresentam graves comprometimentos ao nível da
saúde, é igualmente essencial a articulação com a Equipa de Saúde
Escolar.
Dada a dimensão e diversidade desta equipa, torna-se fundamental uma
/ 35 / articulação eficaz, que permita a partilha de experiências,
dos sucessos alcançados, dos avanços e recuos, promovendo um
trabalho colaborativo e centrado nas necessidades dos alunos.
Toda esta Equipa, conta com a colaboração/ orientação constante dos
elementos da Direção do Agrupamento, que estão sempre disponíveis
para ajudar a resolver as necessidades que vão surgindo.
De que forma a colaboração com as famílias contribui para o
desenvolvimento dos alunos? Há práticas que considera fundamentais
para manter essa ligação?
A colaboração com a família é fundamental. Há uma articulação
constante que visa promover o bem-estar e o desenvolvimento da
autonomia de cada aluno. Este trabalho conjunto contribui para
melhorar o desempenho dos alunos e fortalecer a relação entre escola
e família.
Ao longo do ano letivo, é possível observar pequenas ou grandes
conquistas. Pode partilhar algum(ns) momento(s) que tenha(m) marcado
o seu trabalho?
Cada conquista representa um passo na evolução conseguida por um
aluno, por menor que pareça. É gratificante perceber que estão
felizes e se sentem bem.
Há momentos especiais, como quando conseguimos ajudar um aluno a
concretizar um sonho que partilhou connosco. Numa entrevista para
escolher o local onde realizaria o Plano Individual de Transição, um
aluno disse que queria ser enfermeiro para ajudar os outros. A
solução encontrada foi um lar de idosos, onde ele pôde sentir-se
útil e realizado.
Outra das conquistas a assinalar foi ver alguns destes alunos
alcançarem autonomia para se deslocarem sozinhos na comunidade.
Na sua opinião, que desafios continuam a colocar-se às escolas
portuguesas no que toca à inclusão plena de alunos com
multideficiência?
Parece-nos que ainda faltam recursos humanos e a carga horária
destes profissionais nem sempre é suficiente para dar resposta às
necessidades individuais. Também ainda há barreiras na
acessibilidade física, tecnológica. Para estas famílias ainda faltam
respostas sociais nas interrupções letivas e na vida pós-escolar.
Para terminar, que mensagem gostaria de deixar à comunidade escolar
sobre a importância da inclusão e do respeito pela diversidade?
A inclusão e o respeito pela diversidade é fundamental. Incluir é
acreditar que todos têm valor e potencial. A diversidade não é um
obstáculo, é uma oportunidade para sermos mais humanos e solidários.
Cada aluno, independentemente das suas capacidades, traz consigo uma
riqueza única que enriquece a comunidade escolar.
Deixamos o convite para consultarem o Decreto-Lei no 54/2018,
principalmente, o artigo 3.º, que define os princípios orientadores
da educação inclusiva.
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