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Ciências Sociais e Humanas

Será que a Astrologia pode ser considerada uma ciência?

Num mundo cada vez mais baseado na ciência e na razão, a astrologia permanece como uma prática bastante divulgada. Em qualquer sítio que os horóscopos apareçam, como jornais e programas de TV, as pessoas identificam-se com características atribuídas ao seu signo do zodíaco. Mas será que essa antiga prática tem alguma base científica ou racional? No final deste artigo saberá a nossa resposta.

A astrologia, frequentemente confundida com a astronomia, é a crença de que a posição dos corpos celestes no momento do nascimento de uma pessoa influencia a sua personalidade, comportamento, e permite prever o seu destino. Essa ideia surge na antiguidade, quando observadores acreditavam que os movimentos dos astros estavam diretamente ligados aos eventos na Terra, mas vale lembrar que esta crença foi desenvolvida antes do surgimento do método científico e de uma compreensão mais atual do universo. Adicionalmente, "astrologia" tem a sua origem nos termos gregos astron, que significa "estrela", e logos, que quer dizer "estudo".

Apesar de o nome sugerir um estudo sistemático, a astrologia apresenta diversas falhas que não a permitem ser reconhecida no campo científico. Em primeiro lugar, como referido, não existe fundamentação científica. A astrologia não segue o método científico pois não consegue cumprir o que este exige – formulação de hipóteses testáveis, experimentações controladas e a verificação dos resultados. Pesquisas que tentaram relacionar as posições do planeta com a personalidade ou acontecimentos pessoais, como estudos conduzidos na França em 1978 e na África do Sul em 2011, falharam em demonstrar conexões significativas. Além disso, a astrologia é incompatível com os avanços da astronomia.

Desde que Nicolau Copérnico demonstrou que a Terra não é o centro do universo, fica evidente que os princípios astrológicos estão desatualizados. O zodíaco astrológico, por exemplo, não tem em conta a precessão dos equinócios (mudança da posição relativa das constelações à Terra), o que significa que muitas pessoas hoje não pertencem ao signo atribuído pela astrologia tradicional. Outra falha é a natureza vaga e generalizada das previsões astrológicas: conhecido como “Efeito Forer” ou “Efeito Barnum”, descrições vagas e genéricas – “Às vezes ficas ansioso em situações sociais, mas outras vezes sentes-te confiante” – podem ser interpretadas como altamente precisas por indivíduos, o que leva muitos a verem a astrologia como algo pessoalmente relevante. Além disso, a astrologia desconsidera fatores fundamentais que moldam o comportamento humano, como a genética, a cultura, o ambiente social e as experiências pessoais. Reduzir a complexidade da vida humana às posições de planetas é simplista e irreal.

Apesar de parecer inofensiva, a crença na astrologia pode trazer consequências negativas. Muitas pessoas tomam decisões importantes baseadas em horóscopos ou mapas astrais, desde escolhas de carreira até relações pessoais. Além disso, dar credibilidade a essas ideias pode enfraquecer a confiança na ciência, promovendo um pensamento irracional num momento em que soluções baseadas em evidências são mais necessárias do que nunca. (Continua pág.  seguinte)  ►►►

 

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