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ACTUALIDADES
Vida na arte
A actriz Carolina Falco
MAIS uma individualidade artística de
valor acaba de nos arrebatar o Brasil. A actriz Carolina Falco, que
se ligara à companhia de Ângela Pinto, faleceu em Pernambuco, com 67
anos de idade e talvez meio século de vida artística. Era muito
considerada em palcos portugueses, pela distinção da sua figura e
pela antiga beleza de que ainda conservava brilhantes vestígios, e
ainda pela sua adaptação a trabalhos dramáticos de diversa índole,
embora, sobretudo nos últimos anos, se notabilizasse principalmente
em papéis de comédia. A sua perda determina uma lacuna, por enquanto
difícil de preencher. E a sua memória não é fácil de apagar-se nos
corações dos que intimamente a conheceram, pois que o seu valor
artístico não sobrelevava à sua bondade.
Era mãe do ilustre autor dramático
Augusto de Lacerda, que ainda na época passada teve em D. Maria um
justificado sucesso.
A sua morte vem mais uma vez mostrar
que toda a cautela é precisa nestas tournées dramáticas
organizadas para o Brasil, sujeitando os artistas a excessos de
trabalho em climas pouco adequados ao viver dos europeus.
Danças Hindus
UMA bailarina original, Miss Ruth
Saint Denis, americana como Loie Fuller, a criadora da serpentina,
está fazendo furor em Londres com a reprodução das danças místicas
dos Brâmanes. Auxiliada por uma deslumbrante mise-en-scène,
revestindo um traje da mais estrita conformação à magnificência
oriental, coberta de pedrarias e pérolas, Mis Saint Denis figura a
deusa Radha a gloriosa esposa de Krishna, no seu pomposo santuário,
adorada segundo o ritual por uma turba de sacerdotes. Às orações dos
fiéis ela responde então numa dança mística, simbolizando a renúncia
dos sentidos corporais. É um bailado impressionante e sugestivo,
dizem os críticos, como se fôra um sermão coreografado.
A língua inglesa aos baldões
O Presidente dos Estados Unidos, à
falta de tópicos onde desenvolva a sua febril actividade, dirigiu
agora a sua imperiosa atenção para a gramática. Instigado pelo
milionário Carnegie e estribado na opinião do professor Mathews, da
Universidade de Colúmbia, Theodoro Roosevelt determinou, com a
autoridade que lhe confere a constituição dos Estados Unidos, que se
adoptasse oficialmente a simplificação ortográfica proposta por
aquele professor. Entende o Presidente que a língua dominante no
mundo hodierno deve despojar-se de todas as dificuldades que ainda
hoje embaraçam não só os estrangeiros, mas os próprios anglo-saxões.
E ao mesmo tempo previne os europeus da sua raça que, caso não se
cinjam às suas determinações, a língua americana tomará lugar
distinto do velho idioma de Shakespeare e Milton.
É evidente que a imperiosa resolução
do chefe dos estados Unidos produziu na Grã-Bretanha um movimento de
protesto, manifestado por frases irritadas ou sarcasmos mordentes.
Uma conceituada revista termina o seu artigo pelas frases seguintes:
«Todas as muitas e variadas
influências que têm contribuído para a formação desse majestoso
instrumento de linguagem humana que, fora dos Estados Unidos, ainda
se conhece sob o nome de língua inglesa», têm de se traçar na
ortografia que tanto apoquenta o professor Brander Mathews e mais o
caturra de seu Instituto de Ortografia Simplificada; e nós não vamos
romper tais vínculos históricos por amor de uma uniformidade vulgar
e pedantesca. Sem dúvida que se fosse aquela sociedade encarregada
de fabricar a língua inglesa, deveria ter feito obra muito mais
asseada; mas, tal como está, é ela que vigora há mais de mil anos, e
confiamos que arrostará com o zelo reformador de muitos professores
americanos, com a autoridade de um Presidente dos Estados Unidos, e
com a riqueza de um serralheiro milionário.»
Com vista ao zelo dos reformadores filólogos do português.
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