António Cardoso de Albuquerque Moreira de Sá Melo e Castro, Canalização do rio Vouga, Vol. V, pp. 283-288.

CANALIZAÇÃO DO RIO VOUGA

APROXIMADAMENTE há três anos, ao remover uns velhos livros de  família, fui encontrar, por mero acaso, um exemplar, impresso, da circular n.º 1, emanada da Presidência da Comissão Promotora da Navegação dos Distritos de Aveiro e Viseu, que se transcreve e a qual veio confirmar um facto de que já tinha superficial conhecimento pela tradição oral: − o projecto de tornar navegável o Vouga, possivelmente até S. Pedro do Sul, atribuído ao Morgado de Couto de Esteves, mais conhecido, aqui, pelo Morgado da Fonte.

Com efeito, a localidade e o ano mencionados na data da referida circular, aliada ao que nos diz a tradição, leva-nos à convicção, quase absoluta, de que o Presidente da Comissão Promotora da Navegação dos Distritos de Aveiro e Viseu, cujo nome devia subscrever aquela circular, era, de facto, o último Morgado de Couto de Esteves, António Cardoso de Barros Loureiro de Sequeira e Quadros. Residindo habitualmente na freguesia de Couto de Esteves, no seu solar do Couto de Baixo, denominado Casa da Fonte, cujo edifício ostenta o brasão daquela nobre família, ali nasceu pelo ano de 1811 e veio a falecer, solteiro e sem filhos, a 14 de Março de 1864. Muito ilustrado, honradíssimo, vivendo numa época agitada, de cruéis e sanguinolentas lutas políticas da vida portuguesa, a ela não foi estranho, pois ia sendo uma das suas vítimas.

Legou a sua fortuna a sua irmã D. Maria Benedita, que, por sua vez, a deixou à família de seu marido, motivo porque esta casa se encontra desabitada, há longos anos.

A publicação desta circular no Arquivo do Distrito de Aveiro tem, para mim, dois objectivos:

Tornar conhecido o projecto duma obra de formidável alcance, pois, a ter-se realizado, haveria antecipado, de alguns anos, o desenvolvimento e progresso desta região, não só atendendo às grandes verbas a despender, mas principalmente pelas vantagens que traria esta via de comunicação e penetração por terras da Beira, num tempo em que ainda aqui não havia estradas, nem caminhos de ferro. / 284 /

Procurar despertar a curiosidade dos investigadores para que amplo estudo fosse feito sobre os trabalhos da Comissão Promotora, possivelmente com novos elementos.

Couto de Baixo
Abril de 1939

ANTÓNIO CARDOSO D'ALBUQUERQUE MOREIRA DE SÁ MELO E CASTRO

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Presidencia da Commissão-Promotora da Navegação
dos Districtos d'Aveiro e Vizeu - Circular n.º 1

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