ACTUALIDADES

Vida na ciência e na indústria

A passagem do noroeste

Depois de mais de quatro séculos de explorações, um capitão norueguês, Amundsen, na pequena chalupa Gjöa, conseguiu atravessar do Atlântico para o Pacífico pela passagem do noroeste. Esta passagem, cuja travessia foi tentada em 1497 por João Cabot e desde então tem custado a vida de tantos navegadores, estava aliás já explorada a partir de cada um dos extremos, sendo toda ela conhecida pelo geógrafos, mas nunca tinha sido atravessada de lés a lés por um navio. O capitão norueguês a que aludimos partiu da Noruega a 1 de Junho de 1903, num barco de 40 toneladas, especialmente construído para a navegação árctica, robustecido de tabuado de carvalho, e provido de um motor de petróleo com a força de 13 cavalos, capaz de lhe dar uma velocidade de três milhas em mar chão, embora dependesse sobretudo do velame. O principal propósito da expedição era aproximar-se do pólo magnético e fazer observações numa estação fixa durante um prolongado prazo. Para isso ía excelentemente fornecido de instrumentos magnéticos. A 1 de Junho de 1905 descobriu-se o pólo magnético. Marcaram-se na carta muitas ilhas novas entre a Terra do Rei Guilherme, a Terra Victória e a costa americana. A expedição invernou em 1903 e 1904 ao sul da Terra do Rei Guilherme, a qual fica a oeste da Península de Boothia Félix. No verão passado prosseguiu a viagem para oeste. Só no ano passado se completou a passagem, mas o inverno veio cedo, e a expedição ficou bloqueada pelos gelos a oeste da foz do rio Mackenzie. Sete membros a compunham, e o custo total não chegou a 5000 libras.

 

Navios lança-minas

A experiência da guerra russo-japonesa mostrou a conveniência do lançamento de minas, não só para defesa de portos, mas também no mar alto. Os ingleses, a exemplo sobretudo dos russos, estão fazendo experiências de barcos especialmente destinados àquele mister. Transformou-se em lança-minas o cruzador Iphigenia, que transporta as minas aos dois lados da tolda. Estes aparelhos de / 418 / destruição são depois postos por debaixo do painel de popa, sobre duas plataformas abertas na popa, e daí se deixam cair na água, onde ficam à espera dos inimigos audaciosos, como semeadores de morte.
 

Cadeirinha de ambulância

A cadeirinha de ambulância Hathaway é um engenhoso aparelho que se adapta a uma sela de cavalaria, dando a possível comodidade a um ferido. A cadeirinha abraça a cintura do doente e fixa-o na sela. Se pode fazer uso das mãos, é ele próprio que guia o cavalo; no caso contrário é este conduzido pela arreata.

Na cavalaria inglesa estão-se fazendo experiências bastante favoráveis deste aparelho, que parece destinado a prestar valiosos serviços nas guerras futuras, visto que longe está ainda a época de as suprimir.

 

O metropolitano de Paris

Adiantam-se rapidamente as obras das novas estações do Metropolitano de Paris. Está quase completo o arcabouço do caisson, e pode-se definir facilmente o túnel. A gravura junta dá excelente ideia de uma das novas estações na Place Saint Michel. Vêem-se as duas largas escadarias e os elevadores pelos quais os passageiros subirão das plataformas para uma galeria subterrânea que dá acesso à rua. Vê-se o caisson elíptico, que unirá uma secção ao do túnel à estação. As plataformas são construídas de 16 metros de profundidade, e as escadas têm cerca de 100 degraus. Adoptou-se o tipo caisson em vez do túnel ordinário de tubo por causa da natureza aluvial do terreno. Encontra-se água a 9 metros da superfície (nível do rio) e até a 4 ou 5 quando há cheias. Com o auxílio do ar comprimido executa-se a obra com mais segurança e rapidez, do que perfurando um túnel segundo o método ordinário e construindo uma abóbada bastante vasta para incluir dois caminhos permanentes.

Além disso a despesa é menor.

Noutras secções do metropolitano, por exemplo na travessia do Sena junto à praça da Concórdia, não se julgou necessário aprofundar verticalmente caissons, adoptando-se a construção ordinária do túnel.


 

 

 

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