ACTUALIDADES

Vida na arte

A actriz Ristori

A marquesa del Grillo, cujo título aristocrático ocultava o grande nome artístico de Adelaide Ristori, acaba de falecer na Itália. Foi uma das maiores celebridades dramáticas do século XIX. Em França, o meio intelectual do segundo império comoveu-se altamente com a sua presença, estabelecendo-se uma rivalidade entre ela e a grande actriz Rachel, com partidários do maior prestígio nos dois campos. O seu talento dramático, muito maleável, prestava-se ao desempenho de papéis trágicos de diferente índole, como era o de Isabel de Inglaterra e da sua rival Maria Stuart. No teatro de Shakespeare, o seu maior êxito foi a personagem de Lady Macbeth, que causou furor em Londres. Para corresponder à amabilidade britânica, a Ristori representou-o uma vez em inglês. Também em Paris, desempenhou em francês o papel numa peça de Legouvé.

O seu propósito, como ela própria declarou, foi sempre conciliar a declamação enfática italiana com a sobriedade francesa. Foi isso que lhe deu efectivamente um grande renome.

Por ocasião do centenário dantesco houve na Itália uma representação da tragédia de Sílvio Pélico Francesca da Rimini, em que entraram as três maiores sumidades da cena italiana: Salvini, Rossi e a Ristori. Essa récita ficou na memória dos contemporâneos como um acontecimento artístico de transcendente importância.

Retirada há muitos anos da cena, a individualidade da marquesa del Grillo era objecto de veneração particular dos seus compatriotas. Ainda há poucos anos, por ocasião do seu aniversário natalício, lhe fizeram uma manifestação apoteótica, em que tomaram parte as mais eminentes personalidades do mundo literário e artístico.
 

A nova ópera de Massenet

Com a sua nova ópera, provou Massenet que a sua prodigiosa fecundidade não excluía a mestria do trabalho. Muitos críticos consideram a sua obra-prima a Ariane, que acaba de ter um êxito colossal em Paris. Escolhendo para assunto a lenda clássica da princesa de Creta, já tão decantada em poemas e óperas de todos os tempos, o compositor francês encontrou um excelente colaborador em Catulle Mendès, cujos admiráveis versos contribuíram decerto para lhe levantar a inspiração. Pela sua parte, a cenografia e a encenação contribuíram para fazer valer o belo trabalho do poeta e do músico. Citam-se verdadeiros milagres de arte cénica, como por exemplo a viagem para Naxos, em que o navio parece navegar realmente à vista do espectador.

Em suma, a pobre Ariadna, desamparada por Teseu, alcança no século XX da era cristã um ruidoso triunfo perante o público mais artístico dos modernos tempos. Sirva isto de consolação aos manes da filha de Minos.

 

O novo drama de Gabriel d’Annunzio

Quando se trata da obra de uma personalidade eminente, é doloroso noticiar um fiasco. Mas não há dúvida de que o público de Roma condenou severamente o novo drama de Annunzio, Piú che l’amore. Inspirando-se na filosofia de Nietsche, o ilustre poeta italiano elaborou uma peça que peca pela sua falta de teatralidade e pela pobreza de observação psicológica. Mais uma prova de que as faculdades de grande poeta não implicam forçosamente qualidades de dramaturgo.
 

 

 

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