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TRISTE CANÇÃO
(A Maria, virgem débil)
Correm-te os dedos divinos de fada
nas teclas de marfim
Toca essa estranha e espiritual Balada
que me arrebata e me transporta a mim;
Que me transporta a um país distante
Cheio d'estrelas e cintilações…
Toca essa história linda e deslumbrante
de dois leais e ingénuos corações,
Oh! Não há como a música, Maria,
Para se recordar e se viver
Tudo o que era um passado d'alegria,
Tudo o que nós tivemos de perder!
Ouvi-la é como que escutar, sonhando,
Nitidamente, docemente a voz
D’alguém que ao lado nos está mostrando
Todo um passado que passou por nós,
Olha, lá vai atravessando aquela
Que há tantos anos tu não vias já…
Marla, chama de vagar por ela…
Mas se não ouve… não responderá…
Oh, tão velhinha! E como vem cansada!
Parece mesmo (é uma loucura isto?)
Que vem de longe p’ra te ver – coitada!
Pobre de Cristo!
E ela que tinha tanto medo à morte…
E veio a morte e lá se foi também!...
(Maria, é esta a lei cruel, a sorte
Que todos temos como a tua mãe,)
Para longe de mim este desgosto;
Deixa essa música enervante e estranha;
Ama a alegria como um sol d'Agosto.
Antes tocasses, filha, a malagueña.
Carlos Frederico Parreira
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