Vida na arte

O CHAT NOIR

QUEM tendo ido uma vez a Paris, não desejou ver, e não foi ao Chat Noir?

Era uma casa de pitoresca arquitectura, situada na rua Victor Massé, interiormente decorada por Cheret, tão famoso pelos seus cartazes. Dentro dessa casa havia um homem chamado Rodolfo Salis, que vendia cerveja, gabando-lhe o sabor com epítetos truculentos e imagens sempre novas. Em volta desse homem reunia-se um grupo de humoristas que escreviam a letra e compunham a música de cançonetas que ele cantava. Os criados que serviam a cerveja vestiam a farda da Academia Francesa, e tudo o mais, ali, se harmonizava com tão risonho despautério. Paris, que é terra onde sempre viceja o espírito, alimentou por largos anos o galhofeiro Cenáculo de Salis. Burguesas e grandes dames, príncipes e vagabundos, todos quiseram penetrar algum dia naquela caverna de alegres malefícios. Do Chat Noir irradiaram, para a fama universal, talentos como os de Capus, de Caran d'Ache, de Courteline, de Willete...

Morto Salis, a cerveja e o espírito da rua Victor Massé nunca mais tiveram o sabor que então tinham. E o Chat Noir começou a decair. Demoliram-lhe as tradições; agora estão a demolir-lhe a casa. Tout passe!
 

SARAH BERNHARDT DRAMATURGA

A grande actriz francesa representou ultimamente em Londres uma Adriana Lecouvreur, versão sua, que diverge essencialmente da peça de Legouvé e Scribe. O drama agradou bastante ao público, mas mediocremente aos críticos. Alguns acharam-no palavroso, pesado e incompreensível, ainda mesmo em confronto com o melodrama que a actriz pretendeu melhorar. Um jornalista inglês suspeita que a verdadeira explicação da tentativa renovadora é a introdução de uma nova personagem, que é nada menos que Voltaire. Na opinião dele, Madame Bernhardt quis reparar a omissão dos seus antecessores, «dando a Voltaire constantemente o seu sorriso irónico e matando Adriana na sua presença a fim de lhe purgar de ironia esse sorriso. Mas o nosso é que ela não consegue purgar da mesma forma. Por mais lamentável que seja acolher com sorriso irónico uma obra que evidentemente custou à artista muita soma de trabalho e de tinta – tinta de mais até! – nós não podemos furtar-nos a tal sorriso».

Crueis palavras, as do crítico, apenas atenuadas com elogiosas referências ao desempenho.

 

ROUBO DE UMA PRECIOSIDADE ARTÍSTICA

DO Museu Real de Haia (Holanda) foi roubado um quadro muito valioso, do pintor Franz Halls, representando o busto de um homem com largo chapéu de feltro, e grande cabeção de rendas. A tela mede 24m,5 centímetros de altura por 19m,5 centímetros de largura.

O Governo holandês dá 500 florins de alvíssaras a quem entregar o quadro, ou indicar o seu paradeiro.

 

 

 

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