A ACTUAL aldeia de S. Miguel de Machede, freguesia do concelho de Évora, no caminho da vila do Redondo, é a representante de uma, que mui perto lhe ficava em tempo de romanos, com nome desconhecido hoje.

Machede é voz arábica que, segundo o autor dos Vestígios da Língua arábica, significa ímpeto, acometimento.

No sítio em que esteve a antiga povoação (vicus) a Herdade da Toura, voz hebraica, que significa os cinco livros de Moisés, o Pentateuco, é que deveria ter estado a destruída povoação.

Dividida em 208 courelas, de um hectare de terra cada uma, têm os foreiros procedido à limpeza da terra, e no ponto mais elevado da Herdade encontrado vestígios palpáveis de casas e outras cousas.

Com muitas moedas de cobre, a maior parte frustas, do Imperador Probo (276 a 282 de Cristo), de Valentiniano (364 a 375), Teodósio (379 a 395), e de Honório (395 a 423) tem aparecido mais de uma campanha de gado (pecus) o chocalho actual (tintinabulum) e muitos pesos de terra cota (pondus) que damos nas gravuras 1, 2, 3 e 6.

São estes tintinabulos raros de encontrar hoje, sendo estes os primeiros que vimos, perfeitamente romanos, não diferindo muito dos usados ainda.

Os pesos são vulgares e acham-se muito no Alentejo, 6.

Raríssimo é o bracelete pré-histórico (armilla): o que representa a estampa 4 foi achado em sepultura, junto à vila do Cano, nesta Província.

Dos objectos que mostramos aos leitores, o mais curioso é, sem dúvida, o amuleto pré-histórico, céltico talvez, de ardósia, 5, encontrado partido pelo meio no fundo de uma sepultura, próximo da aldeia e freguesia de S. Manços, no concelho de Évora. Os dois orifícios laterais claro mostram que, pendente do pescoço por tira de couro ou de outra matéria têxtil, que não conhecemos hoje, andaria pendente sobre o peito, talvez na região subclavicular.

Com tal forma, outro amuleto de ardósia nunca víramos!

A. F. BARATA

 

 

 

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