Curvas divinas, curvas de alabastro,

Abóbadas celestes invertidas

Onde fulgura em cada pólo um astro!

 

Zimbórios de recônditas ermidas,

Docéis de misteriosa sinagoga,

Aras divinas ante o amor erguidas!

 

Fontes da vida, onde se nutre e afoga

Seus primeiros vagidos, a criança;

Vagas sobre que a vida inteira voga!

 

Travesseiros do arminho onde descansa

O terno amante a fronte fatiga da

Na eterna luta em que o labor o lança!

 

Cofres gentis, de capa acetinada

Que encerram dentro em si a paz e a guerra.

E onde tanto mistério se arrecada!

 

Escrínios onde o ódio e o amor se encerra,

Montes de neve com vulcões no fundo,

A cujas vibrações se abala a terra!

 

Deus, formando a mulher, mito profundo.

Que o homem decifrar procura em vão,

Pôs-lhe o símbolo de árbitro do mundo:

 

Dois hemisférios sobre o coração!

 Acácio Antunes


 

 

 

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