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Não
chores tanto, não te aflijas tanto,
Meu
pobre Amor:
– Nem
sempre a vida é para nós o encanto
Do Céu
azul, dos roseirais em flor,
Nem
sempre a vida é boa; e neste dia
Em que
a dor te alucina e esmaga e dilacera,
Julgas
morta de vez toda a tua alegria
E
perdida e fanada a tua Primavera,
Eu
pressinto, eu conheço o grande sofrimento
Que
entenebrece agora o teu olhar tranquilo:
Mas é
maior do que ele o eterno esquecimento,
E um
dia hás-de pensá-lo – e nem poder senti-lo,
E
depois, meu Amor, não há sonho de gloria,
Não há
sorriso bom, não há paz ou beleza
Que
não deixe um clarão, um rastro na memória
A que
a gente se aqueça em dias de tristeza.
Nunca
Dezembro foi capaz de destruir
Toda a
graça que veste a Natureza em Maio:
Há
frio, há vento, há chuva – e as rosas a florir
Dão
perfume e dão cor ao fúnebre desmaio…
*
Olha:
houve um tempo em que, buscando o Sol em brasa
Sobre
a Terra fecunda e prenhe de energias,
Florestas colossais, dentre o ferver da vasa,
Erguiam para o Céu as altas ramarias.
Nas
arvores em flor cujo elegância altiva
Cortava o azul do ar com gestos quase humanos
Uma
seiva inquieta e moça e ardente e viva
Era
como a volúpia em corpos de vinte anos
Vertiginosamente, impetuosamente,
Ascendia a correr, subia a palpitar,
E só
parava quando o Sol, num beijo ardente,
Nas
folhas verdes a fazia descansar.
Nas
folhas verdes, que entre a fluidez
Da
transparente e fulva atmosfera,
Bebiam
luz, sorviam luz – com a avidez
De
quem alcança enfim a sonhada quimera,
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