S actuais editores e proprietários dos Serões abriram concurso para o desenho das capas desta publicação. Foi a 27 de Novembro de 1904 que terminou o prazo desse concurso, com a afluência excepcional de projectos, muitos dos quais, como os leitores podem verificar pelas reproduções que oferecemos ao seu exame, revelam apreciáveis qualidades e denunciam o interesse que no nosso meio artístico despertou o certame iniciado pela empresa dos Serões.

Na data acima indicada reuniu-se o júri, composto dos insignes artistas José Malhoa, Columbano Bordalo Pinheiro e Ernesto Ferreira Condeixa, decidindo classificar em primeiro lugar, pelo seu merecimento artístico, o projecto com a divisa «Portugal». Como porém este projecto, na opinião do júri, não satisfizesse as condições práticas para capa de livro ou cartaz, / 82 / resolveu o júri excluí-lo, classificando a seguir o projecto com a divisa «Senefelder». Foi pois este projecto, que, pela abertura do respectivo envelope, se reconheceu ter por autor o Sr. Alfredo Roque Gameiro, o adoptado pelos editores para a capa desta publicação.

A empresa dos Serões orgulha-se de ter contribuído por esta forma para uma nova e brilhante manifestação do trabalho artístico nacional.

Bafejando-a, como espera, a protecção que o público deve aos seus esforços em favor dos nossos interesses artísticos e literários e da importância sempre crescente do nosso magazine, como repositório opulento de variadíssimas noções sobre os mais desvairados assuntos, conta a empresa de futuro / 83 / abrir novos concursos, de índole literária, artística ou científica, que tendam a desenvolver as fontes da mentalidade portuguesa.

Crê assim corresponder à missão que a si própria impôs e à confiança que dela derivará por certo. Entretanto, como pelo presente número já se pode ver, a empresa trata de congregar os melhores elementos do nosso país para dar interesse a esta publicação, tanto sob o ponto de vista de colaboração literária, como de colaboração artística. E, forte com a consciência da sua devoção a interesses de ordem superior, não duvida por um momento de que a afluência crescente de leitores determinará a prosperidade futura dos Serões.

Não tem a empresa a pretensão vaidosa de que o presente número / 84 / corresponda cabalmente às suas ambiciosas aspirações. Mas não descurará o aperfeiçoamento sucessivo e gradual desta publicação, à medida que se forem aplanando as dificuldades que de começo se oferecem a empreendimentos desta natureza; num país onde não abundam todos os variados e complexos recursos que eles requerem.

O seu empenho é que os leitores de todas as idades e condições encontrem em cada volume dos Serões artigos, notas, elementos de estudo e de recreio que particularmente os interessem. Serão, pois, bem acolhidas todas as sugestões que lhe sejam dirigidas para melhoramento de uma publicação que a empresa deseja rivalize quanto possível com as congéneres do estrangeiro. O alvoroço com que estas são geralmente recebidas acentua as nossas esperanças de que os Serões virão, para usar da expressão consagrada, preencher uma lacuna no nosso meio literário e social.

Por bem compensados nos daremos se, excluída a demasiada confiança num largo lucro mercantil, a que não dão direito as avultadas despesas de uma publicação desta ordem, o público nos fortalecer na convicção de que contribuímos para o desenvolvimento da cultura nacional. Este interesse de ordem moral é de sobejo para nos encher de justificado orgulho.

 

 

 

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