Biblioteca / Centro de Recursos Educativos da Escola Secundária José Estêvão - Aveiro.
 
 

Recursos Audiovisuais


    

Diascópio e diaporama

 

Figura 1 : Aspecto de um moderno diascópio ou projector de diapositivos.

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         Recorde-se a nota 3 apresentada quando, na página «Uma possível classificação taxonómica», efectuámos o levantamento dos meios audiovi­suais, no sentido restrito do termo. Diascópio diz respeito ao hardware, ao passo que diaporama diz respei­to a uma técnica de apre­sentação do software, recorrendo, como é lógico, à utilização do diascópio. Mas de um e outro falaremos no seu devido tempo.

 

Figura 2 : Esquema do interior de um diascópio ou projector de diapositivos.

         O diascópio, mais conhecido pelas expressões «projector de diapositivos» ou «projector de slides», é uma máquina que permite a projecção de imagens de pequeno formato - os diapositivos -, montados em caixilhos, sobre um ecrã. As máquinas modernas de projecção (figura 2, n.º 3) são constituídas por uma fonte de luz, um sistema ópti­co, composto por um espelho reflector (n.º 5), uma lente condensadora (n.º 6) e uma ob­jectiva (n.º 1), móvel no sentido das setas para focagem da imagem, e um sistema de ventilação (n.º 4). Os diapositivos, colocados num carregador que desliza numa zona própria do corpo da máquina (figura 1, n.º 3), são introduzidos na posição de projecção (figura 2, n.º 2) por meio do braço deslizante do carregador (fig. 1, n.º 4). Geralmente, entre o diapositivo e a lente condensadora, existe um filtro de calor (fig. 2, n.º 7).

         Os modelos antigos permitiam a projecção de diafilmes e de diapositivos. Os actuais apenas permitem a projecção de diapositivos, mas apresentam várias possibilidades praticamente inexistentes nos primeiros, tais como: variar a intensidade da luz; diferentes tipos de carregador (a granel, de 36 imagens e carregadores circulares de 80 ou 100 imagens); projecção temporizada e cíclica, com carregadores circulares; acoplamento a um gravador especial para projecção de diaporamas; comando à distância, para mudança e focagem das imagens; ponteiro luminoso.

         Como inconvenientes, este meio audiovisual exige o escurecimento total ou, pelo menos, quase total da sala, desde que se possua um bom ecrã, um mínimo de cuidados na preparação da sessão e alguma prática do utilizador. Mas, em contrapartida, o diaprojector permite a apresentação de imagens com grande brilho e qualidade e, observando-se as condições mínimas de projecção, constitui uma actividade altamente motivadora. Ao contrário da televisão e do vídeo, que apresentam actualmente um reduzido impacto junto dos alunos, devido à sua excessiva generalização, a utilização do diaprojector constitui uma actividade fortemente motivadora, preparando psicologicamente os alunos e tornando-os mais receptivos aos problemas a serem analisados.

         As potencialidades inerentes a este meio audiovisual fazem com que continue a ser um bom instrumento de trabalho, apesar das modernas tecnologias informáticas. Mas é necessário que o professor respeite um conjunto de condições, de entre as quais destacamos as mais importantes:

         1 - Saber introduzir este meio no momento oportuno, tendo em conta os objectivos em vista;

         2 - Ter um conhecimento prévio e experiência na sua utilização;

         3 - Seleccionar o material necessário, tendo em conta os objectivos, e preparar antec­ipadamente a sala: colocação correcta do projector relativamente ao ecrã e verificar se a sala permite o necessário escurecimen­to;

         4 - Colocar os diapositivos com antecedência no carregador, com a imagem colocada para baixo e na sequência pretendida (será vantajoso projectá-los antes para verificar se todas as imagens estão correctamente colocadas);

         5 - Manter sempre as imagens focadas durante a projecção (se o aparelho não tiver focagem automática);

         6 - Apagar as luzes antes da projecção, para o que poderá pedir a colaboração de um aluno

         A exploração das imagens apresentadas poderá ser feita de diversas maneiras, consoante os objectivos. Antes da projecção, tratando-se de um diaporama, o professor deve preparar os alunos para aquilo que vão ver, apresentando-lhes antes os objectivos. Deverá solicitar a atenção da turma para os aspectos que vão observar, pedindo-lhes que registem o que acham mais importante, tendo em vista o «despoletar» do debate sobre o tema em foco. Mas se a apresentação das imagens visa apenas documentar algum aspecto da aula ou levar os alunos à descoberta e reflexão, poderá durante a projecção das imagens ir formulando as questões necessárias e, eventualmente, ir explicando aquilo que se observa ou até mesmo fazer com que sejam os alunos a descodifi­car o que vêem. Durante a projecção, poderá socorrer-se do ponteiro luminoso de que alguns aparelhos vêm dotados. No caso de um diaporama, a intervenção do professor e da turma só deverá ocorrer no final da sessão, para não perturbar a atenção. Se o diaporama estiver bem realizado, especialmente quando se trata de temas relacionados com as línguas vivas, deverá ser dada atenção não apenas às palavras do locutor, mas também às músicas ou sons que acompanham as imagens, pois geralmente devem estar relacionados com o tema.

         Um aspecto importante diz respeito ao da criação do material pelo próprio professor. Como é que as imagens podem ser obtidas? Há dois grandes processos: com uma máquina fotográfica; sem máquina fotográfica.

         Para obtenção de imagens com máquina, teremos de ter uma película de tipo inversível e os elementos que pretendemos registar. Estes podem ser obtidos directamente, fotografando o motivo pretendido: uma paisagem com interesse geográfico, por exemplo, ou com certa beleza, uma localidade, um monumento, um objecto, um ser animal, vegetal ou humano, em suma, aquilo que vai ser o tema de exploração e análise no âmbito de uma dada disciplina. Na impossibilidade de fotografia directa, é possível recorrer a imagens já existentes de boa qualidade, a desenhos, legendas, esquemas, que poderemos fazer directamente numa folha de papel e fotografar em seguida, tendo o cuidado de os enquadrar devidamente. Em alguns caso, poderá ser necessário utilizar uma lente adicional de aproximação, especialmente quando temos de o fazer a poucos centímetros de distância, tornando-se então necessário uma boa máquina e alguns conhecimentos de fotografia.

Figura 3 : Como se fazem caixilhos para diapositivos.

         Sem máquina fotográfica, é possível criar diversos tipos de imagens. Embora não tenhamos de momento oportunidade de desenvolver estes pontos - que mereciam uma especial atenção -, iremos enumerar as diversas maneiras que temos vindo a utilizar na criação de imagens e que temos ensinado em diversas acções de formação.

         Em primeiro lugar, criar imagens para o diaprojector exige que se tenha o seguinte material: caixilhos; suporte para desenho das imagens, gráficos, textos ou legendas; tesou­ra e cola.

         Vejamos agora os caixilhos. Se não tivermos hipóteses de os adquirir, o que facilitaria bastante o trabalho e economiza­ria tempo e cola[1], teremos de comprar car­t­o­­lina de cor clara com 1 mm de espessura. Como cada caixilho é constituído por um qua­drado duplo com 35 mm de lado, dever­mos come­çar por cortar a cartolina em tiras com esta largura. Em segui­da, marcaremos os diferentes caixi­lhos, nas medidas indicadas na figura 16. Estas devem ser rigorosas, para evitar problemas durante a projecção. A parte central, que irá ser retirada, porque as imagens devem ter as dimen­sões de 24 x 36 mm, deverá ser um ou dois milímetros mais pequena, ou seja, 22 x 35 mm. O caixilho, uma vez cortado e aberta a janela central, será dobrado pelo tracejado e, mais tarde, uma vez aí fixada a imagem, deverá ser colado. Os vértices devem ser boleados e o diapositivo reforçado com fita auto-adesiva a toda a volta das arestas (a figura 3 representa o caixilho rigorosamente nas medidas - escala 1:1).

 

Figura 4 : Diapositivos feitos em computador e depois impressos e fotocopiados em acetato. Tamanho real.

         A parte mais interessante diz res­peito à criação das imagens. É conveniente ter alguns conhecimentos sobre os tipos de imagens, ten­do em conta as suas funções e os seus componen­tes[2].

         Poderemos criar as imagens de várias maneiras. Infelizmente, te­remos também de nos limitar a enu­merar algumas das técnicas que te­mos vindo a utilizar e a ensinar em acções de formação. De todo esse conjunto, destacamos apenas as seguintes:

         1 - Desenho directo em tiras de acetato, recorrendo a canetas de ponta fina;

         2 - Desenho em papel A4, em seguida picotado com uma agulha fina;

         3 - Legendas feitas numa máquina de escrever sobre stencil, aproveitando a parte do químico, donde resultam letras brancas sobre fundo preto;

         4 - Desenho por raspagem com uma agulha sobre película fotográfica por revelar, riscando sobre a camada fotossensível;

         5 - Desenhos e legendas feitas em computador, no tamanho rigoroso dos diapositivos e depois impressos em papel e fotocopiados em acetato. Há diversos programas de computador que permitem este tipo de trabalho e dos quais indicamos alguns: editor electrónico First Publisher (especialmente versões 1 e 2); Harvard Graphics; Paint Show Plus; Paintbrush; Publisher da Microsoft, etc. Veja-se como exemplo a figura 4, cujas imagens foram feitas com o editor First Publisher.

         Um aspecto dos mais interessantes e criativos, que poderá ser explorado num clube audiovisual, é, sem dúvida, o da criação de diaporamas.

         O que é um diaporama?  Um diaporama é uma montagem audiovisual, que alia a imagem ao som e à qual apenas falta o movimento para poder ser comparada ao cinema. Mas a falta de movimento é um inconveniente que poderá e é facilmente ultrapassável, se usarmos técnicas semelhantes às que encontramos na banda desenhada e recorrermos também a certos efeitos sonoros, que ajudam a imagina­ção a suprir esta lacuna.

         Para a criação de diaporamas são necessárias duas condições prévias: hardware e software. Como hardware, necessitamos de um bom projector e um gravador específico, que trabalhe acoplado ao projector. Compete ao gravador não só a reprodução sonora, mas também o comando do projector. Para criação do software, são necessárias várias condições, que passamos a enumerar:

         1 - Ideias, isto é, há que saber previamente o que se quer, redigir o guião e arranjar as imagens respectivas;

         2 - Possuir um modelo de folha de guião, do tipo apresentado nos documentos anexos, onde se registe a sequência de imagens, o texto respectivo para a locução, a faixa sonora (música e ruídos) e os tempos de projecção de cada imagem;

         3 - Efectuar a locução e a adição do fundo musical e ruídos, de acordo com o guião, sendo necessário um gira-discos e um gravador que permita as misturas de palavras, música e outros sons;

         4 - Registada a faixa sonora e colocados os diapositivos por ordem no projector, há que proceder à marcação dos impulsos que comandarão o avanço automático das imagens. Este trabalho faz-se com o gravador acoplado ao projector. A cassete é gravada de um só lado. Metade da fita fica com a faixa sonora; a outra metade com os impulsos que comandarão o avanço das imagens.

         Já que não é possível agora explicar como toda a montagem se faz, terminamos esta parte indicando os critérios a que deve obedecer a realização de um diaporama. Em primeiro lugar, importa referir que os critérios estão dependentes dos objectivos. No entanto, podemos apresentar algumas normas fundamentais:

         1 - Em princípio, um diaporama não deve ser demasiado longo, podendo a duração variar entre 2 a 3  e 20 a 30 minutos[3];

         2 - Cada imagem não deve estar mais do que 5 a 10 segundos. O máximo admissível não deve ultrapassar os 30 segundos, se não quisermos provocar a distracção e o desinteresse dos nossos alunos ou espectadores em geral;

         3 - A sequência deve estar correcta e logicamente estruturada;

         4 - Se o diaporama for de tipo narrativo, poderemos adoptar diferentes estruturas narrativas: a) sequência linear cronológica; b) sequência com recurso à analepse;

         5 - A sequência narrativa poderá ser de tipo aberto ou de tipo fechado. A primeira poderá ter vantagens, permitindo que o professor possa explorar com os alunos diversas hipóteses para conclusão;

         6 - texto, música e ruídos de fundo devem estar de acordo com as imagens, de maneira a permitirem recriar a realidade ou a sugerir o ambiente.

         No caso - muito pouco provável - do professor encontrar equipamento sofisticado, com dois projectores e gravador que permita o seu comando simultâ­neo, poderá recorrer às técnicas do «fondu enchainé», o que lhe permitirá eliminar os breves instantes de ausência de imagem, fazendo sobrepo­sição de duas imagens e criando certos efeitos que valorizarão a mensagem.

 
    In: Henrique J. C. de Oliveira, Meios audiovisuais e tecnológicos aplicados ao ensino, Aveiro, 1992, pp. 52-59. (edição limitada do autor).    

     [1] - Os caixilhos à venda são em plástico e facilitam a montagem, pois permitem fixar a imagem sem necessidade de a colar, sendo também mais resis­tentes e duráveis do que os fabricados artesanalmente por nós.

     [2] - De momento, pelo tempo e o espaço disponíveis, não poderemos desenvolver este aspecto. Não queremos deixar de apresentar, no entanto, alguns elementos, de maneira esquemática, sobre o assunto.

            Tendo em conta as funções desempenhadas, poderemos considerar três tipos de imagens: descritivas ou documentais; simbólicas; indicativas ou informati­vas (título, genérico e legendas).

            Como componentes da imagem, poderemos considerar três aspectos: o plano (com cinco subclasses: plano geral, plano de conjunto, plano médio, grande plano e muito grande plano ou plano de pormenor); o enquadramento; a composição.

     [3] - Em 1974, realizámos um diaporama documental de duas horas. A primeira vez que foi apresentado em público, suportou-se bem, porque os espectadores estavam emocionalmente envolvidos. A 20 anos de distância, apenas se consegue suportar bem a primeira hora, tendo a restante parte apenas valor como documento histórico de uma época passada da vida portuguesa.

 

 

 

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