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"Patrimónios" – n.º 7, Junho 2009, Ano XXIX, 2ª série, 200 páginas


MANUEL JOAQUIM DE OLIVEIRA SANTOS

dados biográficos e raízes familiares

Luís Seabra Lopes *

Nos dias de hoje, quase todos os distritos têm universidades, ou pelo menos institutos politécnicos. Não são poucos os distritos que têm várias instituições de ensino superior, umas públicas, outras privadas. Relativamente às escolas secundárias, que sucedem aos antigos liceus, cada concelho tem pelo menos uma. Longe vai o tempo em que cada distrito tinha apenas um liceu. Havia em todo o pais menos liceus do que hoje há universidades! Era o tempo em que a taxa de analfabetismo rondava os 95% e em que poucos eram os que chegavam a frequentar a única universidade existente, a de Coimbra. Os liceus eram, assim, escolas muito prestigiadas, o mesmo se podendo dizer dos seus professores. Neste contexto, vale a pena resgatar a memória de um bairradino que esteve directamente envolvido na fundação do Liceu Nacional de Aveiro, em meados do século XIX. Passo a relatar o pouco que descobri sobre ele, também com o objectivo de aguçar a curiosidade de outros estudiosos.

 

1. Dados biográficos

A pessoa em causa nasceu no lugar do Carquejo, freguesia de Barrô, actual concelho de Águeda, por volta de 1810, vindo a assinar Manuel Joaquim de Oliveira Santos. Era filho de José de Oliveira Rodrigues dos Santos, capitão da companhia de ordenanças do Couto de Barrô durante muitos anos, e de sua mulher Mariana Joaquina Rosa.

Manuel Joaquim de Oliveira Santos aparece na documentação como professor e como bacharel. A sua passagem pela Universidade de Coimbra está bem documentada, sendo aí conhecido como Manuel Joaquim de Oliveira. Nas Aulas Menores do Colégio das Artes, encontrei registo de matrículas em Gramática Grega e Aritmética, Geometria e Geografia. Seguiu depois o curso de Teologia a partir de 1825, obtendo o grau de bacharel em 1830 e a formatura em 1831. Manuel Joaquim de Oliveira era portanto bacharel formado em Teologia, mas não encontrei registo de ordenação sacerdotal nem, tão pouco, encontrei qualquer indicação de que tenha sido sacerdote. Ao ser padrinho de crianças de São João da Azenha (f. Sangalhos, c. Anadia) em 1834-1835, é referido como bacharel Manuel Joaquim de Oliveira e dado como morador no Carquejo. Contudo, a sua carreira profissional e a evolução da política de educação do reino rapidamente o levariam a estabelecer-se em Aveiro como professor do ensino secundário.

Com efeito, por Decreto de Passos Manuel de 1836/11/17, o poder central determinou a instituição do ensino liceal em Portugal, seguindo o modelo francês(1). Cada capital de distrito deveria ter um liceu. Nos anos seguintes, embora em ritmo lento, foram / 98 /  sendo instalados liceus em diversas capitais distritais. Neste contexto reformista, o mais antigo documento de que tenho conhecimento relativo à instalação do ensino secundário no distrito de Aveiro é precisamente a carta de mercê régia datada de 1841/08/21, pela qual Manuel Joaquim de Oliveira Santos (é aqui que a aparece pela primeira vez com o apelido Santos) foi provido no cargo de Professor Proprietário e Vitalício da cadeira de Retórica e Poética da cidade e distrito administrativo de Aveiro (2). Terá ficado a auferir um ordenado anual de 560$000 réis (3). Este importante documento não tem sido citado na literatura relativa à história do ensino secundário em Aveiro. Note-se que em 1841 ainda não estava criado o liceu de Aveiro, situação aliás comum à maior parte dos restantes distritos. No entanto, como se vê, o ensino secundário no distrito de Aveiro já dava os primeiros passos.

Novo impulso à implementação do sistema liceal é dado pelo governo de Costa Cabral, através do Decreto de 1844/09/20, o qual estipulava a instalação de liceus em todas as capitais de distrito administrativo e/ou diocese. O mesmo decreto estipulava ainda que o curso dos liceus teria seis cadeiras que normalmente seriam leccionadas por apenas três professores em cada liceu, cabendo duas cadeiras a cada um.

Os mais antigos documentos internos do Liceu Nacional de Aveiro são duas actas do Conselho do Liceu (assembleia dos professores) relativas à instalação do liceu. Na primeira acta, datada de 1851/07/14, sendo necessário proceder «aos exames dos preparatórios dos ordinandos, que pelos exames no Lyceu desta cidade tiverem de se habilitar para requerer licença para a ordenação» (4), considerava-se o liceu «interinamente instalado». Na segunda acta, datada de 1851/10/20, seguindo directiva da portaria do Conselho Superior de Instrução Pública de 1851/09/27, declarou-se «definitivamente constituído o referido Liceu Nacional desta cidade».

Pelos livros de exames se vê que os três professores do liceu nacional de Aveiro eram João de Moura Coutinho de Almeida de Eça, Luís Cipriano Coelho de Magalhães (pai do famoso parlamentar José Estêvão Coelho de Magalhães) e o nosso Manuel Joaquim de Oliveira Santos. São precisamente estes três professores que assinam as referidas actas do Conselho relativas à instalação do liceu. Nessas actas das primeiras reuniões, Oliveira Santos, que era professor de Retórica, aparece como Secretário do Liceu, por ser o «professor mais moderno». Em 1854-1856, quando Oliveira Santos exercia interinamente o cargo de Reitor do Liceu, determinou o Conselho do Liceu «que se procedesse á confeção de um regulamento para este liceu».


Fig. 1 – Assinatura do Prof. Manuel Joaquim de Oliveira Santos, em 1851, no auto de instalação do Liceu Nacional de Aveiro

Em 1856, parece que Oliveira Santos enfrentava problemas de saúde: «no caso que o professor de Rhetorica não fosse à regencia da cadeira por impedimento de saúde, a fosse reger interinamente o / 99 / professor das cadeiras 1ª e 2ª» (5). Em 1859, sofria de «padecimentos graves e incuráveis», estando por isso impedido de continuar a exercer o lugar de Professor de Retórica. Assim, por carta de mercê régia datada de 1859/05/31, foi-lhe concedida a aposentação. Passavam nessa altura 18 anos sobre a sua nomeação para professor proprietário da cadeira de Retórica e Poética do distrito de Aveiro e contavam-se «quinze anos de bom e efectivo serviço no magistério», tendo-lhe sido concedida uma pensão anual de 140$000 réis (6).
   
 

Fig. 2 – Antigo edifício do Liceu Nacional de Aveiro. Nos primeiros anos, o liceu funcionou em instalações emprestadas ou arrendadas, primeiro no Paço Episcopal, depois em edifícios particulares, depois no convento de Santo António. Pedida pelo deputado José Estêvão Coelho de Magalhães na sessão parlamentar de 1853/07/16, a construção de um edifício próprio para o Liceu Nacional de Aveiro viria a ser ordenada por portaria de Fontes Pereira de Melo datada de 1855/03/05. O novo edifício viria a ser inaugurado em 1860/02/15, ou seja, alguns meses depois de se ter aposentado o Bacharel Manuel Joaquim de Oliveira Santos (Tavares, 1937; Tavares 1951; Carvalho, 2003). O antigo edifício do liceu alberga actualmente a Escola Secundária Homem Cristo. O velho liceu tem continuidade na Escola Secundária José Estêvão, instalada em outro local da cidade.

 

/ 100 /
Oliveira Santos morreu em 1866/11/26, aos 56 anos de idade, na Rua do Espírito Santo, freguesia de Nossa Senhora da Glória de Aveiro, onde morava. O registo do óbito refere-se-lhe nestes termos: «um indivíduo do sexo masculino, por nome Manuel Joaquim d'Oliveira Santos, solteiro, professor de rhetorica no lyceu de Aveiro, filho legitimo de Joze d'Oliveira Rodrigues dos Santos, lavrador, e de Mariana Joaquina Roza, naturais do logar do Carquejo, freguezia de Barrô, onde o finado foi baptizado. Não fez testamento e foi sepultado no cemitério público desta cidade».

O número seguinte d'O Campeão das Províncias, histórico jornal aveirense, dá a noticia: «Entregou a alma ao creador ante-hontem o Sr. Bacharel Manoel Joaquim d'Oliveira Sanctos, professor de rhetorica do lyceu d'Aveiro, a qual regeu até o anno de 1859, em que foi aposentado. Há annos que se achava entrevado, soffrendo os effeitos d'uma terrível moléstia. Cultivara a intelligencia com aproveitamento, pois eram muitos os seus conhecimentos scientificos, e fôra ornamento do lyceu d'Aveiro» (7).


2. Raízes familiares

De entre os vários apelidos da sua ascendência mais próxima, o nosso personagem escolheu usar os apelidos Oliveira e Santos, que remetem para tradições familiares radicadas na freguesia de Sangalhos (c. Anadia) desde o século XVII. Talvez tenha interesse deixar aqui um breve registo dessas origens familiares. Os dados aqui apresentados complementam o estudo anteriormente publicado sobre a família Oliveira Santos Pato, de São João da Azenha, Sangalhos (8).

 

2.1. Oliveira

Como referido acima, Manuel Joaquim de Oliveira Santos começou por usar apenas o apelido Oliveira, nomeadamente enquanto estudante de Teologia, em Coimbra. O apelido remete para uma tradição de várias gerações de sacerdotes, como se verá em seguida. O costado Oliveira tem a sua origem em Oliveira do Bairro, foi casar em Sangalhos. A sucessão de gerações é a seguinte:

1. Manuel de Oliveira Salvinho, n. ~ 1660, natural de Oliveira do Bairro, filho de João Migueis, ou João de Oliveira, e sua mulher Madalena Antónia, naturais e moradores em Oliveira do Bairro, e neto paterno de António de Oliveira, de Oliveira do Bairro, c. 1684/03/07 c/ Isabel Dias, de Sangalhos, filha de André Dias e Domingas Jorge, naturais e moradores em Sangalhos. Tiveram pelo menos os seguintes filhos:

– Pe. Manuel de Oliveira, n. 1686 (b. 1686/10/13, sendo padrinho outro Manuel de Oliveira, de Coimbra, e madrinha Maria, filha de António Fernandes Maio), frequentou o curso de Cânones na Universidade de Coimbra, obtendo o grau de bacharel em 1712/06/06 e a formatura em 1712/06/21. Foi reitor da igreja de São Tomé de Penalva de Alva, lugar que ocupou por volta de 1715, e comissário do Santo Ofício por provisão de 1723/07/309.

– Ana de Oliveira, que segue.

/ 101 /
2. Ana de Oliveira c. 1721/01/26 c/ António Moreira da Costa, também conhecido como António Francisco Moreira, natural do lugar da Fogueira, freguesia de Sangalhos, filho de Manuel Francisco Lincho (ou Manuel Francisco o Lincho) e de Maria Francisca. Os noivos eram parentes no quarto grau de consanguinidade. Foram testemunhas do casamento João Dias, da Vila, António Fernandes, de Saima, e o Alferes Manuel de Santiago, da Fogueira. Tiveram pelo menos os seguintes filhos:

– Pe. Nicolau Caetano de Oliveira, n. 1722 (b. 1722/02/01, sendo padrinho o Cap. Nicolau Rodrigues e madrinha Maria, solteira, filha de Manuel de Oliveira, portanto tia materna), frequentou o curso de Cânones na Universidade de Coimbra, obtendo o grau de bacharel em 1743/06/14 (10). Deverá ainda ter tirado a formatura em Cânones, pois encontrei registo de matrícula para o ano lectivo de 1743/1744. Foi cura da freguesia de São Vicente de Sangalhos e mais tarde vigário perpétuo de Nossa Senhora do Ó de Reveles, bispado de Coirnbra.

– João Moreira da Costa, que segue.

3. João Moreira da Costa, n. 1723 (b. 1723/06/24, sendo padrinho André, solteiro, filho de Manuel Francisco Lincho e, portanto, tio paterno do baptizado, e madrinha Maria Dias, mulher de António Francisco), c. c. Maria Teresa da Conceição, de São João da Azenha, freguesia de Sangalhos, filha de Manuel Rodrigues, da Pedra do Couto, e de Francisca da Conceição, de São João da Azenha. Entre outros, tiveram os seguintes filhos:

– Pe Nicolau António de Oliveira, n. 1753/05/26, baptizado como "Nicolau Caetano" em 1753/06/13, sendo padrinho o Pe Nicolau Caetano de Oliveira, cura da freguesia de Sangalhos e seu tio paterno, e madrinha Maria Teresa, filha de António Moreira da Costa, sua tia paterna. Nicolau António vivia com seu tio na freguesia de Nossa Senhora do Ó de Reveles, onde este era vigário. Por ocasião da ordenação sacerdotal, o tio dotou o sobrinho com o património necessário, por escritura datada de 1778/02/18 11.

– Maria Josefa de Oliveira, c. c. Capo José Rodrigues dos Santos Pato (ver abaixo). São os avós paternos do Bacharel Manuel Joaquim de Oliveira Santos.

 

2.1. Santos Pato

Apenas ao estabelecer-se em A veiro por volta de 1840, o bacharel Manuel Joaquim de Oliveira acrescentou o apelido Santos ao seu nome. É este o apelido da sua varonia, tal como se documenta em São João da Azenha, freguesia de Sangalhos, desde o século XVII. A família anteriormente usara o apelido Pato e viria também a usar a composição Santos Pato. A sucessão de gerações é a seguinte:

1. Manuel dos Santos, n. 1635, natural e morador na Azenha, filho de Pedro Jorge Pato e sua mulher Antónia Dias. Foi b. 1635/10/08, sendo padrinho Diogo Francisco, da Azenha, / 102 / e madrinha Ana, mulher de Manuel Dias, da Póvoa do Salgueiro. Casou em. 1658/06/03 c/ Isabel Fernandes, da Azenha, filha de Domingos Fernandes e de sua mulher Maria Domingues e neta paterna de Jorge Afonso do Canto, de Sangalhos do Paço. Os óbitos de Manuel dos Santos e sua mulher estão datados de 1702/10/29 e 1700/09/07, respectivamente. Entre outros filhos tiveram os seguintes:

– Manuel Fernandes, b. 1659/04/02, e. 1696/08/10 c/ Isabel Francisca, da Azenha, filha de Domingos João e Maria Francisca. Numa inquirição de genere, realizada no âmbito do processo de ordenação sacerdotal de um neto, consta que «erão dos principais lavradores, dos principais desta freguezia, que nella servirão os Carregos honrozos da mesma, tanto no concelho como na igreja» (12). e.g.

– Matias dos Santos, que segue.

2. Matias dos Santos, n. 1670 (b. 1670/03/02, sendo padrinho Manuel Domingues, tio materno, e madrinha Leonor Ferreira, filha de André Francisco), e. 1700/11/24 c/ Ana Francisca, n. ~ 1680, da Azenha, filha de Domingos João o Sirando e Maria Francisca, que eram já sogros de Manuel Fernandes, irmão de Matias. Entre outros, tiveram os seguintes filhos:

– Pe Manuel dos Santos, n. 1702 (b. 1702/09/03, sendo padrinho João Rodrigues, de Sangalhos, e madrinha Isabel Francisca, da Azenha), bacharel em Cânones pela Universidade de Coimbra. Sobre a sua passagem pela Universidade, encontrei registo da matrícula em Instituta em 1722 e em Cânones em 1723, 1724 e 1725. Assim, terá obtido o grau de bacharel em 1726 ordenando-se em seguida sacerdote. Era clérigo do hábito de São Pedro. Costumava assinar os assentos de baptismo de São João da Azenha, onde morava. Teve em sua vida três quartas partes do moinho do mesmo lugar, pertencendo a restante quarta parte à família Pinto Ferreira de Vasconcelos, de Mogofores. O Pe Manuel dos Santos faleceu com testamento em 1767/12/16, mas o registo diz que «não recebeo sacramento algum por morrer de repente».

– Antónia Maria dos Santos, c. c. Manuel Ferreira de Almeida, natural de Aguada de Baixo, filho de Domingos de Almeida e de Maria Ferreira. São pais do Bacharel José de Almeida dos Santos, bacharel formado em medicina pela Universidade de Coimbra e Médico do Partido em Águeda, avós maternos do Bacharel José dos Santos Pinheiro, etc.

– João dos Santos, que segue.

3. João dos Santos, n. 1713 (b. 1713/04/10, sendo padrinho Manuel Fernandes, tio paterno, e madrinha Sebastiana Francisca, mulher de António Ferreira Madeira, da Póvoa de São João), c. c. Isabel Rodrigues João, de Aguada de Baixo, filha de Pedro Rodrigues e Isabel João. Tiveram os seguintes filhos:

Cap. José Rodrigues dos Santos Pato, que segue.

– Ana Rosa, n. 1748/04/02, b. 1748/04/09, s.m.n.

/ 103 /
4. Cap. José Rodrigues dos Santos Pato, n. 1749/05/03 (b. 1749/05/12, sendo padrinho o Pe Manuel dos Santos, tio paterno, e madrinha Inocência Ferreira, ambos de São João da Azenha), o.1819/06/15, c. 1775/08/02 c/ Maria Josefa de Oliveira, também natural de São João da Azenha, mencionada acima, b. 1755/10/14, o. 1820/12/15. José Rodrigues dos Santos Pato foi grande proprietário em São João da Azenha, capitão de ordenanças de Avelãs do Caminho, cargo que ocupou a partir de 1794/10/23 (13), e Juiz Ordinário de Sangalhos, e exerceu também o ofício de cirurgião. Teve com sua mulher os seguintes filhos:

– Cap. José de Oliveira Rodrigues dos Santos, que segue.

– Cap. Joaquim Rodrigues de Oliveira Santos, b. 1781/07/16, c.s.g.

– Maria Rosa Emília de Oliveira, b. 1784/08/30, e.s.g.

– Alferes Julião Caetano Rodrigues da Costa, b. 1786/06/24, pai do Pe. Adriano Rodrigues Pereira.

– Manuel Rodrigues de Oliveira dos Santos Pato, cirurgião, Comissário da paróquia de Sangalhos na vereação da Câmara Municipal de Oliveira do Bairro, Juiz Ordinário Substituto do conselho de São Lourenço do Bairro, Juiz Eleito de Sangalhos, etc, c. c. sua prima Joaquina Inácia de Almeida. São pais do Pe João António dos Santos Pato, prior de Pinheiro da Bemposta, avós maternos de António Duarte Sereno, Visconde de Bustos, etc.

– António Rodrigues Nicolau Caetano Pato, c. c. Angélica Clara da Costa Abrantes, c.g.

– Joaquina Maria Carolina de Oliveira, b. 1793/04/16, c.sg.

– João Rodrigues de Oliveira dos Santos Pato, c. c. Isabel Maria de Jesus, e.g.

– Agostinho Rodrigues dos Santos Pato, b. 1797/10/16, solteiro, s.g..

4. Cap. José de Oliveira Rodrigues dos Santos, n. 1778 (b. 1778/12/15, sendo padrinho o Padre Nicolau António de Oliveira, seu tio materno, e madrinha Joana Rita de Bourbon, da Quinta da Graciosa). Apareceu já como alferes de ordenanças num registo de baptismo datado de 1799/12/31. Em 1801/01/30, ocupou o cargo de capitão de ordenanças do Couto de Barrô, que incluía Aguada de Baixo, cargo este vago por morte do Capo Manuel Rodrigues de Morais (14). Em 1815, aparece como capitão da terceira companhia de ordenanças da capitania-mor de Sangalhos, que deveria portanto ser a de Barrô (15). Em 1830/02/16, após quase 30 anos de serviço, e aos 52 anos de idade, foi dispensado do posto de capitão da terceira companhia (16), tendo sido substituído pelo Cap. Francisco de Queiroz Côrte-Real e Nápoles (17). O Cap. José de Oliveira Rodrigues dos Santos morou no Carquejo, Barrô, com sua mulher Mariana Joaquina Rosa, n. ~ 1782 (morreu com 80 anos, o. / 104 / 1862/01/15), dali natural, filha de João Francisco Rossa, natural de Repolão, Oliveira do Bairro, e de Maria Ferreira Carreira, natural de Aguada de Baixo. Tiveram os seguintes filhos:

– Bacharel Manuel Joaquim de Oliveira Santos, o personagem central do presente artigo.

– António Joaquim de Oliveira Santos, ou António dos Santos de Oliveira, morador no Carquejo. Em 1862/05/18, preparando-se o restauro da igreja paroquial de Barrô, a Junta de Paróquia, reunida com os principais lavradores na residência paroquial, nomeou para a angariação de fundos uma comissão formada por António Joaquim de Oliveira Santos, Joaquim José Pereira (pinto) e José Agostinho Gomes da Silva (18).

– Adriano de Oliveira Rodrigues dos Santos, ou Adriano dos Santos de Oliveira, morador no Carquejo, foi presidente da junta de paróquia de Barrô (19); em 1864, era vogal da mesma junta (20).

– Maria dos Santos, moradora no Carquejo, s.m.n.

– Pe Albino de Oliveira Rodrigues dos Santos, n. 1819/08/18. Era afilhado do Dr. Joaquim Gabriel Soares da Graça. O seu processo de ordenação sacerdotal está datado de 1842-1844 (21). Foi coadjutor e prior de São Vicente de Sangalhos. Por carta de mercê régia, foi em 1859/09/28 nomeado Professor Vitalício da Cadeira de Ensino Primário da freguesia de Sangalhos (22). Era por isso conhecido como "Senhor Padre Mestre", facto lembrado na tradição até ao presente. Foi também presidente da junta de paróquia de Sangalhos no biénio de 1866/1867. Morreu em Sangalhos em 1890, tendo o seu património sido objecto de inventário (23). A consulta ao inventário revela que o Padre Mestre era detentor de uma fortuna considerável, avaliada em 8353$250 réis, que incluía 241 entradas na lista dos bens imóveis. Foi única herdeira deste património Maria Luísa, demente, sobrinha do inventariado, por ser filha da irmã que se segue.

– Luísa Rosa Rodrigues de Jesus, ou Luísa Joaquina Rosa de Jesus, c. c. Joaquim Marques Mira, de Barrô, filho de Manuel Marques Mira o Serrano, e Maria Francisca de Jesus, ou Maria Marques Cunha. Foram pais do Pe António Marques Mira, ordenado em 1863 (24) e de Maria Luísa, referida acima. O Pe António Marques Mira morreu antes de seus pais, pois Maria Luísa era, já nessa altura, a única filha sobrevivente.

/ 105 /
A família Oliveira Rodrigues dos Santos foi uma das principais da freguesia de Barrô no século XIx. No entanto, no último quartel desse século deixam de aparecer, talvez por não terem deixado descendência. Essa possibilidade é aliás sugerida pelo facto de o Padre Mestre, falecido em 1890, ter tido como única herdeira uma sobrinha demente. O extravio de boa parte dos registos paroquiais da freguesia de Barrô relativos ao século XIX dificulta o estudo do problema. O certo é que esta antiga família está hoje completamente esquecida. Apesar de tudo, uma monografia do concelho de Águeda ainda refere o Capo José de Oliveira Rodrigues dos Santos, bem como o seu filho Pe Albino de Oliveira Rodrigues dos Santos e o seu neto Pe António Marques Mira (25), mas não o bacharel Manuel Joaquim de Oliveira Santos. Uma monografia de Barrô, de publicação recente, ignora por completo esta família, embora reproduza em facsimile alguns documentos que a ela se referem (26).


Bibliografia

Almanack, 1831 = Almanack das Ordenanças referido ao 1º de Janeiro de 1831, Impressão de Manuel José da Cruz, Lisboa, 1831.

Almanak, 1815 = Almanak das Ordenanças no Anno de 1815, Impressão Régia, Lisboa, 1815.

Borrego, N.G.P. (2006) As Ordenanças e as Milícias. Subsídios para o seu Estudo, Guarda-Mor.

Carvalho, A. M. (2003) «Liceu José Estêvão – Aveiro», Liceus de Portugal. Histórias, Arquivos, Memórias, A. Nóvoa & AT. Santa Clara (coord.), Edições ASA, p. 75-95.

Fernandes, J. C (2004) Barrô ao Longo dos Séculos, Associação Barroense de Recreio, Cultura e Assistência.

Ladeira, F. D. (1982) Município de Águeda, Ed. do Autor, 2 volumes. Nenhum dos volumes apresenta data de edição, mas o autor informa no volume lI, p. 39 e 41, que ambos foram entregues na tipografia em 1982.

Madureira dos Santos, H. (1957-1968) Catálogo dos decretos do extinto Conselho de Guerra na parte não publicada pelo General Cláudio de Chaby (Separata do Boletim do Arquivo Histórico Militar), 7 volumes.

Nóvoa, A., D. Barroso & J. Ramos do Ó (2003) «O Todo Poderoso Império do Meio», Liceus de Portugal. Histórias, Arquivos, Memórias, A. Nóvoa & AT. Santa Clara (coord.), Edições ASA, p. 17-73.

Pires de Lima, J. H. (1959-1976) «O Distrito de Aveiro nas Habilitações do Santo Ofício», Arquivo do Distrito de Aveiro, vols. 25-42.

Seabra Lopes, L. (2004) «A Família Santos Pato em São João da Azenha nos Séculos XVI a XX», Aqua Nativa, nº 27, Associação Cultural de Anadia, p. 51-72.

Tavares, J. P (1937) «História do Liceu de Aveiro», Arquivo do Distrito de Aveiro, voI. 3, p. 47-64,137-150, 221-231 e 273-280.

Tavares, J. P. (1951) 1851 – Liceu Nacional de Aveiro – 1951: Livro Comemorativo do 1° Centenário, separata de Labor, nº 115, Outubro de 1951.

__________________________

* – Tem desenvolvido investigação histórica nas áreas da metrologia histórica portuguesa, história e arqueologia regionais, histórica local e genealogia. É Professor Auxiliar no Departamento de Electrónica, Telecomunicações e Informática da Universidade de Aveiro.

(1) –  Nóvoa et al., 2003; Tavares, 1937; Tavares 1951; Carvalho, 2003.

(2) – Arquivo Nacional da Torre do Tombo (=ANTT), Registo Geral de Mercês, Dona Maria II, liv.16, fl.119-119v.

(3) – Isso mesmo parece deduzir-se da seguinte passagem da carta de mercê: «Foi admittido pela portaria do Ministério da Fazenda, em treze do corrente mez de Agosto, a satisfazer cento e quarenta mil reis de direitos de mercê pelo desconto da quarta parte do seu ordenado».

(4) – Tratava-se das ordenações de diáconos e subdiáconos.

(5) – Determina-se nessa ocasião «que nunca, quando se desse o caso de impedimento de algum professor, fosse convidado algum estranho para a regência de suas aulas sem primeiramente terem sido consultados os professores para se saber se alguém a quer reger, e só depois das respostas negativas destes podia ter lugar o convite ou aceitação a estranhos».

(6) – ANTT, Registo Geral de Mercês, Dom Pedra V, liv.15, fl.233v

(7) – "O Campeão das Províncias", XVIº Anno, nº 1500, quarta-feira, 1866/11/28.

(8) – Seabra Lopes, 2004.

(9) – ANTT, Santo Ofício, Manuel, m. 87, n° 1653 (Hugo Pires de Lima, 1959-1976, Letra M, nº 337)

(10) – Ver no AUC a respectiva certidão de frequência e actos.

(11) – Arquivo da Universidade de Coimbra (= AUC), Ordenações Sacerdotais, Nicolau António de Oliveira, 1777-1778.

(12) – AVC, Ordenações Sacerdotais, Cartas Vicente de Paiva, Saima, Sangalhos, 1792-1794.

(13) – Borrego, 2006, p. 257.

(14) – Borrego, 2006, p. 255.

(15) – Almanak, 1815, p. 45. Ver também Madureira dos Santos, 1957-1968, voI. VII, p. 441.

(16) – Madureira dos Santos, 1957-1968, voI. VII, p. 441.

(17) – Almanack, 1831, p. 74.

(18) – Fernandes, 2004, p. 70-71.

(19) – Fernandes, 2004, p. 320.

(20) – Fernandes, 2004, p. 72 e 77.

(21) – AUC, Ordenações Sacerdotais, Albino de Oliveira dos Santos Pato, Barrô, 1842-1844.

(22) – ANTI, Registo Geral de Mercês, D. Pedro V, liv.13, fl.268v-270v.

(23) – Arquivo Distrital de Aveiro, Inventário de bens realizado por óbito do Pe Albino de Oliveira Rodrigues dos Santos, morador em Sangalhos, Anadia.

(24) – AUC, Ordenações Sacerdotais, António Marques Mira, Barrô, 1863.

(25) – Ladeira, 1982, p. 219-220 (n° 34, 37, 54, 55). O cap. José de Oliveira Rodrigues dos Santos aparecia também como José dos Santos Oliveira, o que levou o Pe Ladeira a admitir que fossem irmãos, hipótese sem fundamento.

(26) – Fernandes, 2004.


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