Directores da Revista, Arquivo do Distrito de Aveiro, Vol. II, pp. 3-4

O "ARQUIVO"

CONVENCIDOS do serviço que ao nosso Distrito indubitavelmente viria prestar uma revista orientada pelo programa que o ARQVIVO DO DISTRITO DE AVEIRO se propôs, e certos de que a mentalidade esclarecida e o bairrismo consciente dos nossos conterrâneos não abandonariam um empreendimento sério, onde havia, mesmo, a destacar, um nítido aspecto social, afoitamente e sem receios de maior nos abalançámos à publicação que há pouco completou o seu primeiro ano de existência.


O acolhimento recebido excedeu, felizmente, quanto havíamos imaginado, e veio certificar-nos de que justificada era a confiança por nós deposta no público a que nos dirigíramos.


Na verdade, nunca esperámos que o nosso pensamento de arrancar à luz dos prelos a documentação, antiga e moderna, relativa ao distrito de Aveiro e de tornar acessível aos presentes e aos pósteros tudo quanto possa contribuir para o conhecimento desta região, sob todos os aspectos − viesse a crescrecer, da parte dos naturais do Distrito, e até de muitos a ele estranhos, tão grande entusiasmo, como realmente mereceu.


No limiar deste segundo ano, depois de termos fornecido aos leitores um número de páginas bastante mais elevado do que prometemos ao apresentar a público o primeiro número do ARQVIVO, é-nos grato deixar consignado o nosso mais fervoroso agradecimento a todos os colaboradores, assinantes e amigos − alguns dedicadíssimos e valiosíssimos −, cujo auxílio assegura à oportuna tarefa, a que, confiadamente lançámos ombros, o êxito de que nos parece é merecedora.


Se nos não faltar esse indispensável estímulo, cumprir-se-á cabalmente o larguíssimo programa desta publicação, cujo âmbito iremos alargando, à medida que mais numerosos forem sendo
/ 4 / os nossos colaboradores e assinantes. Por nossa parte não nos pouparemos a esforços e sacrifícios.


São tantos e tão importantes os documentos dignos de publicação e tão curiosos os estudos de interesse para o conhecimento do Distrito, que muito bem se poderia tornar mensal a revista que dirigimos, e dar aos assinantes fascículos com o dobro de páginas dos já publicados. Mas é impossível, sem aumento de preço da assinatura, tornar-se em realidade essa sugestão dalguns dos mais devotados amigos do ARQVIVO. A revista não dá prejuízo, mas também não acusa saldo que nos encoraje a ir mais longe. Preferimos, portanto, marchar devagar, para marchar com segurança: paulatim, sed firmiter.


Alguns assinantes prefeririam, ainda, que o ARQVIVO se limitasse a publicar documentos. Se bem que compreendamos o o motivo da sugestão, e que para ela multo se incline o nosso próprio espírito, diremos que o programa do ARQVIVO continua a ser o mesmo de há um ano. Dele nos não desviaremos, certos de que a revista, orientada desta forma, apresentara um sólido equilíbrio, e agradará, como até aqui, a investigadores e a simples leitores, com o concurso dos quais tem de viver, como é óbvio.


Da coadjuvação de todos se tornou possível a nossa vitória.

Aveiro, Fevereiro de 1936.


ANTÓNIO GOMES DA ROCHA MADAHIL
FRANCISCO FERREIRA NEVES
JOSÉ PEREIRA TAVARES

 

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