Bartolomeu Conde, O Rio Novo do Príncipe. Causas e vantagens da sua construção em 1815, Edição AVECELCA, s/d.

VOZES SEM ECO...

ou A LENTA AGONIA DA AGRICULTURA DO BAIXO-VOUGA

Sínteses respigadas de algumas notícias e de posições assumidas por personalidades de Aveiro (de 1976 a 1996).

 

 

REMO TERÁ PISTA NO RIO NOVO DO PRÍNCIPE

“Convocada pelo Governo Civil teve lugar, ontem, a primeira reunião de trabalho da Comissão designada para promover a realização de estudos concretos para a beneficiação da actual pista de remo no Rio Novo do Príncipe, em Cada, após “luz verde” dada aquando da visita do secretário de Estado da Juventude e Desportos a Aveiro, Dr. Joaquim de Sousa.

A Comissão é coordenada pelo governador civil, e engloba representantes da Secretaria de Estado da Juventude e Desportos e do Ambiente, da Federação Portuguesa de Remo, da Câmara Municipal, da Capitania do Porto, da Junta Autónoma, da Portucel e do Clube dos Galitos.

(...) Assim, e numa primeira fase de execução a curto prazo, pretende-se a realização de trabalhos de beneficiação da actual pista.

A segunda fase, muito mais complexa, prender-se-á com o traçado da estrada Aveiro-Murtosa (...)

A criação de seis pistas de competição e duas de retorno é um dos objectivos que se preconiza para a segunda fase dos trabalhos, que incluirão a definição dos respectivos acessos.”

Miguel Carruço (NJ – 25-03-1977)

 

Nota:   sete anos mais tarde (7/7/1984), o Ministro da Agricultura deu posse aos membros do Gabinete de Estudos do “Projecto Integrado do Desenvolvimento do Baixo Vouga”. Formavam esse Gabinete representantes dos Ministérios de Administração Interna, Agricultura, Florestas, Alimentação, Indústria, Comércio e Turismo, Equipamento Social, Qualidade de Vida, do Mar, etc.

 

AS INCIDÊNCIAS DA ESTRADA AVEIRO-MURTOSA

(...) computam-se já em algumas centenas de hectares os terrenos que vêm sendo abandonados ao cultivo por falta de protecção eficaz contra as águas salgadas. (...)

Neste contexto, a construção da estrada-dique Aveiro-Murtosa, cujo estudo técnico-económico foi cometido pelo extinto Ministério das Obras Públicas à Organização de Consultores (O.C.), surge-nos como uma das estruturas indispensáveis ao restabelecimento do equilíbrio natural, posto em causa pelas obras realizadas na Barra de Aveiro, permitindo substituir a multiplicidade dos actuais órgãos de defesa dos campos, de conservação sempre difícil e onerosa e de eficácia duvidosa — as antigas motas que marginam a zona lagunar — por um dique, equipado de comportas móveis, que possibilite controlar o avanço das águas salgadas para montante, por forma a impedir a degradação e o abandono dos campos de cultura ali existentes.!..

Eng.º Agr. Carlos Maia (“Vida Rural”, 1980)

 

A ÁGUA SALGADA...

“O desenvolvimento do porto de Aveiro, por exemplo, não poderá ser feito à custa dos melhores terrenos de aluvião daquela imensa área, provocando a entrada de maiores quantidades de água salgada naqueles, assim como a poluição das indústrias. Isto é que é preciso fazer chegar ao conhecimento do Governo.”

Dr. Jaime Machado (Agrovouga/1980 - NJ - 25/10/1980)

 

O SALITRE MATA

“Trabalhos que têm sido elaborados, nos últimos anos, evidenciam que um dos grandes factores negativos do Baixo Vouga é o alagamento por salitre.”

Daniel Rodrigues (NJ - 25/10/1980)

 

PROMESSAS...

“O Governo (o IV) prometeu elaborar o projecto de uma barragem definitiva neste local (barreira de Vilarinho) até ao fim do corrente ano (1979).”

Miguel Carruço (NJ -25/10/1979)

 

COMENTÁRIO

Ao “Colóquio sobre o Baixo Vouga” realizado em 15/12/1980 no Salão Municipal. (...)

O problema pode, pois, resumir-se assim: o dique-estrada Avelro-Murtosa resolve o problema da variante à E.N. 109, e dos acessos ao porto de Aveiro e, simultaneamente, faz a defesa dos campos do Baixo-Vouga da invasão das águas salgadas. Sem dique-estrada, teremos as alternativas já referidas, que, sem apresentarem nenhuma vantagem sobre o dique-estrada, custarão, certamente, bastante mais.

Por que se espera pois? Será que o bom-senso ainda anda arredio deste País?”

Eng.º Cunha Amaral (NJ – 25-01-1981)

 

A ESTRADA-DIQUE AVEIRO-MURTOSA

(...) Desde há uns anos a esta parte que insistentemente se fala na problemática “Baixo Vouga”.

Creio supor que o problema começou a ser equacionado com a célebre estrada-dique Aveiro-Murtosa, cuja construção tinha a finalidade dupla de evitar o refluxo de águas com elevado teor de cloreto de sódio e provocar o descongestionamento da actual rodovia sentido Norte.

Colocado na prateleira este plano, sabe Deus até quando, parece estar agora na “ordem-do-dia” a construção de uma barragem em Ribeiradio com o sentido de regularizar as águas do Vouga. (...)

Todos estes factores têm provocado a longo prazo um desinteresse crescente pela cultura (dos campos), optando-se pela resolução mais simples e fácil — o abandono.”

Eng.º Agr. Viana de Lemos (NJ -25/12/1976)

 

A ALMEJADA ESTRADA AVEIRO-MURTOSA

“(...) com o arranque que se acaba de verificar na construção do novo Porto de Aveiro, os problemas inerentes à salinização dos campos serão potenciados a partir de 1983. A intervenção a efectuar com urgência consistirá no alargamento do Rio Novo do Príncipe (a partir da margem Norte) aproveitando os materiais resultantes de tal tarefa para levantar uma robusta e larga mota até à boca do Laranjo. Simultaneamente, no Rio Novo do Príncipe e no Laranjo, seriam construídas duas comportas (...) dando continuidade através dos tabuleiros superiores à mota construída e que poderia ser encabeçada por caminho capaz de servir toda a actividade agrícola que rapidamente se desenvolverá.

Só depois de se ter este sistema a funcionar !...! é que se poderá começar a pensar na almejada estrada Aveiro-Murtosa.” (...)

Comandante Faria dos Santos (NJ - 25/10/1981)

 

“— Julgo que a minha entrada para o Governo, e especialmente para o Ministério da Agricultura, Comércio e Pescas, veio reforçar e viabilizar a minha luta pelo Balxo-Vouga.” (...)

Comandante Faria dos Santos (CP - 7/5/1982)

 

 

O PROBLEMA DA ESTRADA DIQUE

“O problema da estrada-dique Aveiro-Murtosa, tão proclamada e discutida desde há décadas, continua a ser doloroso espinho, principalmente para os murtoseiros e gentes do Baixo-Vouga.

Se a estrada Aveiro-Murtosa dependesse de mim, já estava feita!

Pe. António - Pres. Câmara Murtosa - (CP. 7/5/1982)

 

 

NUM RELATÓRIO DA F.A.O.

“Lemos há tempos num relatório da F.A.O. que o Vale do Vouga e Águeda seriam capazes de produzir os milhos e forragens em falta ao País. Bastava para tanto que fossem regularizadas as bacias hidrográficas do Águeda, MarneI, Cértima, Vouga e Baixo Vouga.

(...) 

Eng.º Coutinho de Lima (S.P. - 1983)

 

 

SITUAÇÃO CALAMITOSA

“Tendo como principal finalidade ver com os seus próprios olhos a situação calamitosa a que se deixou chegar os ricos e férteis campos do Baixo-Vouga, esteve entre nós o Subsecretário de Estado da Agricultura.” (...)

(C.M. - Abril/1982)

 


“Mas o que é certo é que quem continua a curar, por exemplo, da hIdráulica do nosso Vouga é a hidráulica do Mondego.

E para bom entendedor meia palavra basta.

Antes que tenhamos de pôr as barbas de molho, o melhor é mesmo começar a tocar a rebate.”

Gaspar Albino (C.V. – 28-02-1996)
 

 

BIBLIOGRAFIA

Guia de Portugal; Grande Enciclopédia Portuguesa Brasileira; “O Nosso Jornal” (NJ); Cacia e o Baixo-Vouga (1984); Calendário Histórico de Aveiro (1986) e Origens da Ria de Aveiro (1987); “Soberania do Povo” (S.P.) e Boletim Municipal n.º 4/1984; “Correio do Vouga” (CV); C. Porto (CP); O Concelho da Murtosa (C.M.).

 

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