Bartolomeu Conde, O Rio Novo do Príncipe. Causas e vantagens da sua construção em 1815, Edição AVECELCA, s/d.

PLANO PARA O DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO-DESPORTIVO DO BAIXO-VOUGA


Fig. E - Jovens da «Colectividade Popular de Cacia» no treino diário no Rio Novo do Príncipe.

A Direcção elaborou, em finais de 1989, o que designou por “PLANO DE IDEIAS PARA A DÉCADA DE 90”, documento que propõe a criação de infra-estruturas com vista ao desenvolvimento turístico-desportivo do Baixo-Vouga. Tal Plano prevê a construção de uma ALDEIA DESPORTIVA, perto do RIO NOVO que, além de servir de apoio à prática de actividades náuticas no Vouga, permitirá realizações de Estágios e Cursos, podendo simultaneamente servir de alojamento a equipas e selecções em trânsito.

EM CONCLUSÃO:

O RIO NOVO DO PRÍNCIPE é uma obra “polivalente”: serve a agricultu­ra, serve os transportes fluviais e pode servir, como já serviu, os desportos náuticos.

Foi construído especialmente para dar vazão às perniciosas enxurradas, no tempo em que as águas salgadas se ficavam acoitadas pelos juncais adjacentes à BOCA DO RIO. Mas hoje, com a constante adaptação da Barra às exigências portuárias — obras de reconhecido valor no desenvol­vimento do Porto de Aveiro —, as águas salgadas das marés entram dez ou mais quilómetros rio-acima até S. João de Loure!

Basta percorrer as margens da chamada “Barreira de Vilarinho” — a moldura arbórea do RIO NOVO DO PRÍNCIPE — para ver o impacte destruidor das marés. Os próprios eucaliptos que marginam o RIO NOVO, lá plan­tados para fixar as motas, começam a tombar sobre o Rio, rasteirados pelo pé, já que as marés comem o terreno das raízes.

As funções para que foi rasgado o RIO NOVO estão assim prejudicadas pela invasão constante das marés: — salinização e erosão dos solos.

Para voltar a exercer as suas benéficas funções, urge a construção do dique Aveiro-Murtosa, obra defendida desde 1940 (embora, então, por razões predominantemente turísticas), pelo Dr. Alberto Souto e outros pala­dinos da mesma causa como o Dr. Francisco do Vale Guimarães e o antigo Ministro da Agricultura, o murtoseiro Dr. Vaz Portugal. Só que, como uma vez deixou transparecer o Dr. Alberto Souto, esse dique tem adversários de grande peso político em Lisboa, e as enxurradas não chegam lá.

 

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