Devaneio

Sou cristã?
Não sei como sou...
Não ter fé é sacrilégio?
Ter fé... é sacrifício?
Só sei que nada sei.
Compreender Lutero
ou João Calvino
trar-me-ia, por certo,
um outro destino.
Mas que vejo?
Tantas religiões na Terra,
tantas opiniões contrárias...
caminhos certos para a guerra
— porque as religiões são várias.
O Homem — animal religioso?
Triste destino o seu!
Irmãos matam irmãos
em raiva surda, inflamada.
E o CRIADOR deste mundo louco
onde está?
Entre o fogo,
sereno, impávido,
deixa morrer o povo?
Cerro as pálpebras.
(Nada faz sentido)
O MUNDO é barco sem leme,
herança sem herdeiros,
no Espaço perdido.


Erasmus — homo pro se
— homem sem partido.
Esperançoso, morre de cabeça erguida,
com fé numa nova vida.
Seus olhos azuis, iluminados,
de expressão meiga e doce
fecham-se esperançados.
Erasmo morre seguro
e... confiante no futuro.
Homo pro se — nulli concedo.
Homem independente.


João Huss — morre no meio das chamas...
e os povos discordam hoje
tal como ontem.
Guerra dos Trinta Anos!
Guerra dos Cem Anos!
Dois passos: Católicos — Protestantes
Irlanda — Bósnia — Sarajevo...
APOCALIPSE.


Erasmus — homo pro se
Erasmo — homem sem partido;
Erasmo — homem pensador;
Erasmo — homem superior;
por excelência HUMANISTA.
Combate Calvino, o reformista.


E os ventos da discórdia continuam.
Fanatismos dos povos — não têm solução!
Existiram ontem, existem hoje.
E amanhã?
Amanhã... amanhã, jamais existirão!

        A BÍBLIA disse: APOCALIPSE!!!

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