Alentejo
a minha terra quando eu tinha 15 anos.

 

Alentejo!...
minha terra de fogo e frio intensos.
ALENTEJO!...
minha terra de sossego, calma e enfeitiçada...
«CHARNECA EM FLOR» pela poetisa cantada.
Alentejo!...
no ar, esvoaçam canções dolentes
num ritmo triste e som abafado;
canções... pulsar de gentes
num grito agudo, mas apagado...
... apelo surdo — resignação rendida.
Alentejo!...
terra envergonhada, perdida.
Sonho ou realidade?
Morte ou vida?
Terra de gente pobre... onde
o pão que sobra
na mesa do rico
cai em migalhas
na mesa do pobre.
Gente sem nome, vivendo ao acaso;
sem sombra, sem atenção;
gente perdida, isolada,
nesta madrasta Nação.
Não têm ideologias;
(não são fascistas nem comunistas).
Ontem, resignado, na ignorância.
Hoje, transformado...
... num punhado de gente revolta!
Braços levantados
buscando,
no grande espaço,
a chuva que lhes trará o pão.
Vem o estio, calor ou frio...
...mas as lágrimas do céu,
essas não vêm, não!
ALENTEJO!...
minha terra
meu «AMOR DE PERDIÇÃO»!

          Ponte de Sôr, Agosto de 1944

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