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Secundária José Estêvão

Cintura de Lírios, Duarte Morgado, 1997/98

APRESENTAÇÕES DE TRABALHOS A PÚBLICO

Respirando de apresentação em apresentação, o vício pelos trabalhos dos meus alunos em criação Teatral está colado no quotidiano da minha alma, sempre na esperança do deslumbramento. Eu também vivo do fascínio, da capacidade de ser sensível.

É sempre maravilhoso ver e sentir um trabalho que chega ao "fim". / 65 /

A perplexidade do espectador é verdadeiramente apaixonante quando percebe a paixão com que os obstáculos do espaço e da forma, que resultam numa composição estética, se encontram verdadeiramente casados com os outros signos de uma obra. Quando se lê um texto ou guião antes de o ver teatralizado, é como a escrita a fugir de um limbo, porque a reencarnação não se adiou mais. Fica no ar uma sensação castradora em comunhão com o espectador por causa dum espectáculo ser tão efémero. É sempre um questionar do ser, ou um repor de elementos soltos no seu lugar, ou mesmo a explosão espalhadora desses elementos. Quando todos os elementos componentes do espectáculo são fortes, tudo se torna magnífico, quando essa força nos provoca e sugestiona uma constante atenção à reformulação de pensamentos, os objectivos são cumpridos, e instala-se-nos uma bebedeira de gestos, sons e odores de outros sentidos a pairar na nossa mente, que nos faz viver sorrindo pela beleza, e ao mesmo tempo, tilinta o nosso cérebro para constatar a pequenez de cada um. Ali confronta-se a realidade e o verosímil, incendeiam-se emoções, refutam-se experiências.
 

 

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