Escola Secundária José Estêvão, n.º 24, Março de 1999

Ensinaram-me as coisas importantes,

Que afinal não o eram.

Acumularam-me de conhecimentos,

De que ainda me liberto.

Ditaram-me nos cadernos de duas linhas,

Os exemplos que procuro não seguir,

Fizeram-me ler histórias de santos, sábios e heróis

Que eu não quero ser nem imitar.

Aprendi a geografia dos comboios,

Para viver na era dos aviões.

Soube de cor todas as constelações,

Que hoje se escondem no fumo das cidades.

Ensinaram-me a pescar nos rios e nos regatos,

Em que bóiam as garrafas de plástico.

Quando sabia tudo,

Atiraram-me para a vida de que eu nada sabia

E onde era tudo ao contrário do que aprendera.

Habituei-me a raciocinar pelo contrário.

Não era infeliz, era desarmado

E tive de aprender de novo

Tudo o que não me haviam ensinado

E que eu quereria não ter aprendido.

(Jacinto Magalhães,

in "Entre mim e o Outro")
 

Os Direitos Humanos são naturais porque pertencem à natureza do homem. São, por isso, indissociáveis do conceito de Humanidade, no sentido universal do termo, e confundem-se com a Teoria da Justiça. O direito natural funda-se no direito absoluto à vida que o indivíduo tem: "em nome de que critério se pode afirmar que uma vida vale mais do que outra, se ambas as pessoas clamam por ela?"

(Eduardo Lourenço, 1992)

 

 

Pela sua natureza, o homem é um ser que evolui e no topo das suas potencialidades situa-se a capacidade de pensar...

Para quando, professor, a aprendizagem do saber pensar?

 

(Ana Sequeira,
aluna da turma I do 12.º ano)

 

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