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A vida é curta e a morte
infinita
Mas a saudade tem vida longa
E é nela que cavalgo desenfreado
O veloz corcel dos tempos austeros
Pulando em cada nova primavera
Entre as flores garridas e as rosas;
Fogo fátuo no mastro dos navios
Ancorados na espuma das manhãs
Ávidos para zarpar para mundos
Onde se exibem futuros falazes,
Jardins onde o afecto não viceja;
Uns encalharam e submergiram
Outros foram navegando à deriva
Não encontrando o porto de abrigo;
Os restantes ancoraram na ilusão
Do interlúdio de tão longa partitura
Para baloiçarem entre um suspiro
E o rugir do sangue verde da Várzea.
Janeiro de 2026 |