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Não obstante a sinfonia
orquestral
Ouvida em andamento «troppo vivace»
Fruto desta nova partitura da hipocrisia,
Há guerra. Estamos todos em guerra
Sem condicionamentos nem adversativas;
Um conflito que, seguindo o seu cânone
Gera um equivoco que interpela e assusta
Porquanto ouvimos os que se acobardam
Sob o véu transparente dum cinismo tirano,
Acusarem os neutrais arrastados no acaso
Mercê de uma compulsiva cumplicidade,
De serem voluntários na partilha do ónus.
Outros, imbuídos numa percuciente crença
Filha da inquietação que envolve o futuro,
Visam os Poderes que vão gerindo a guerra
Para que não olvidem esta pacífica liberdade
Que, embora longe dos conflitos em causa,
Está passando pela incontornável insegurança
Que abre fundas brechas na fraterna igualdade.
Março de 2026 |