Dádiva II

 

Os tímidos grãos que aqui vislumbrais

Foram espólio da seara que o tempo ceifou

Tendo-os lançado na lixeira da dúvida

Com a perda da visual acutilância do lince

A manha da raposa, a volúpia da libélula

Até os ancorar no porto da luz suprema

A esotérica aura provinda de iniciações

Concebidas nos rituais da liturgia da vida

As quais lhes conferiu a pureza da verdade

Essa nobre dádiva que os alheia do infortúnio

Enquanto bênção, sacra virtude, privilégio

Ou tão só a irmã partilha da desigualdade.

                          Março de 2025

 

 

22-03-2025