Os
tímidos grãos que aqui vislumbrais
Foram
espólio da seara que o tempo ceifou
Tendo-os lançado na lixeira da dúvida
Com a
perda da visual acutilância do lince
A
manha da raposa, a volúpia da libélula
Até
os ancorar no porto da luz suprema
A
esotérica aura provinda de iniciações
Concebidas nos rituais da liturgia da vida
As
quais lhes conferiu a pureza da verdade
Essa
nobre dádiva que os alheia do infortúnio
Enquanto bênção, sacra virtude, privilégio
Ou
tão só a irmã partilha da desigualdade.
Março de 2025 |