Coisa pouca

 

Em tempos tentei dar a volta à vida
Mas cedo parei, absorto e a cismar
Se valeria a pena esse louco desbravar
Acordando tanta tristeza adormecida.


A estrela d’alva de mim já escondida
Fitei a imensidão do céu a perscrutar
E vi então o astro da tarde a cintilar
No estreito espaço da minha guarida.

Alternando a modéstia e o espavento
A vida foi a clara luz que se esfumou
Como sofrido poema a voar no vento.

E de toda a essência apenas ficou
A memória ardendo num fogo lento;
Coisa pouca para quem tanto amou.

                          Julho de 2026

 

 

27-07-2026