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o capitão e a pesca do bacalhau

 

joão laruncho de são marcos

capitão da marinha mercante

 

O Capitão é, como todos sabemos, a primeira e principal figura a bordo de qualquer navio, sem distinção de tonelagem.

Quando o homem, na sua ansiedade de expansão, começou a utilizar o mar como via de comunicação entre os povos, teve desde logo necessidade de construir embarcações com a robustez e dimensões necessárias para poder enfrentar a força dos elementos e do mar.

Na vastidão oceânica, não poderiam ser utilizadas as pequenas e frágeis embarcações fluviais, que derivando ao sabor das correntes, nas proximidades da terra e ao abrigo das tempestades, ocupavam na sua condução um diminuto número de homens.

Foi então que, dada a necessidade de chefia para coordenação e coesão dos homens empregados nesses navios, apareceu o capitão, a que os romanos chamavam «magister». As suas funções eram limitadas à coordenação e chefia da marinhagem, deixando a orientação e rota ao nauta, homem prático e especializado na arte de navegar. Ao proprietário cabia a parte comercial, seguindo a bordo com essa finalidade.

Porém, com o desenvolvimento dos transportes marítimos, cujo fim era o intercâmbio dos produtos comercializáveis, sobrevém o navio sob o aspecto comercial e, na impossibilidade /
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Numa evolução de milénios, sobrevém por fim o capitão, como o indivíduo especializado na arte de navegar e fiel depositário do armador no respeitante aos seus interesses no navio e carga.

Durante séculos, foi a navegação constituída unicamente por navios de vela que singravam os mares à mercê e capricho dos ventos. Deste modo, as viagens alongavam-se por anos e, sem outros meios de comunicação com o proprietário, foi necessário que este delegasse no capitão plenos poderes que o autorizassem a comerciar e orientar a viagem conforme o seu critério. Atingiram assim os seus poderes tal culminância, que diziam os velhos capitães: «Deus no céu e eu a bordo do meu navio».

Porém, em nossos dias, com o desenvolvimento do comércio marítimo e das vastas organizações em terra, como agências, consignatários, delegações de inspecção das companhias mercantes, etc., e ainda com a facilidade de comunicações entre o navio e o armador, foram as atribuições do capitão, sob o aspecto privado, reduzidas ao ponto de se limitarem quase exclusivamente à disciplina da tripulação e condução e orientação do navio quando no mar.

Assim, o capitão passou a ser nada mais do que um empregado por conta de outrem, a quem, ao ser iniciada a viagem, são entregues ordens específicas no respeitante à parte comercial e até mesmo sob o aspecto técnico.

Esta diminuição de poderes em nada afectou o comércio marítimo, antes nos aparece como resultado do seu desenvolvimento.

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