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farol n.º 6 - mil novecentos e sessenta ♦ sessenta e um, págs. 22 e 23.

No Mar Negro há petróleo
em formação

(Condensado de «Lectures Pour Tous» – Agosto de 1960)

O problema da origem dos petróleos provocou outrora variadíssimas discussões; esse problema não está ainda completamente esclarecido. Duas teorias foram abandonadas: a teoria química, que atribuía a formação dos petróleos á decomposição pela água de carbonetos metálicos, e a teoria vulcânica, segundo a qual os petróleos se teriam formado por intermédio de reacções e de condensações de hidrogénio, de metano e de óxido de carbono proveniente de gases de vulcões.

Hoje em dia admite-se a hipótese de que os petróleos provêm da transformação lenta, na ausência do ar, e a uma temperatura moderada, de matérias vegetais e animais de origem marinha.

Pensa-se ordinariamente que se trata de vegetais marinhos, tais como algas, associadas a microorganismos, animais análogos ao plâncton que se teriam depositado formando camadas alternadas de Iodos ricos em matérias orgânicas e de Iodos impermeáveis. Estes Iodos ter-se-iam transformado sob a acção de bactérias anaeróbias, por fermentação, dando hidrocarbonetos. A massa de lama teria endurecido pouco a pouco devido à influência da pressão, do calor e do tempo, formando aquilo a que se chama a rocha-mãe, semelhante aos xistos betuminosos. Em seguida a rocha-mãe teria sofrido, por um mecanismo ainda desconhecido, a transformação em produtos líquidos cuja composição é, de resto, bastante variável com as regiões petrolíferas. Esta teoria é justificada pela presença de água salgada nos jazigos de petróleo, e de peixes ou moluscos fósseis.
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Encontram-se na Roménia e nos Estados Unidos alguns «jazigos primários» onde o petróleo ficou em contacto com a rocha-mãe. Mas, mais vulgarmente, os óleos deixaram a rocha-mãe e, por migração lenta, devido a fenómenos de capilaridade, de pressão exercida por gases e pela água, etc., espalharam-se em terrenos de natureza muito variada até terem sido detidos por uma camada impermeável do solo.

O petróleo permanece então em rochas permeáveis denominadas «rochas de depósito», onde é acompanhado, em princípio, na parte inferior por água salgada, e na parte superior por gás. Com efeito, os jazigos apresentam geralmente camadas alternadas de rochas permeáveis e impermeáveis, e algumas das camadas permeáveis contêm ou petróleo ou gases, algumas vezes unicamente água salgada, enquanto que outras são estéreis. É o que explica que os petróleos não se localizem numa formação geológica determinada e que se encontrem em terrenos que vão do primário ao fim do terciário.

É uma diferença essencial entre os petróleos e a hulha, que provem da decomposição de vegetais terrestres nas regiões costeiras de mares pouco profundos, depois do enterramento.

A formação do petróleo parece ser um fenómeno contínuo, do qual se veriam ainda actualmente algumas fases primitivas, por exemplo no Mar Negro, cujos Iodos contêm até 35 % de matérias orgânlcas.

 

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06-06-2018