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ACTIVIDADES
DESENVOLVIDAS
2007/2008
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Selecção de Excertos − 5/7 |
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A Ria de
Aveiro
A Paisagem
21 de Julho de 1920
A ria é um enorme pólipo com os braços estendidos pelo interior desde Ovar até
Mira. Todas as águas do Vouga, do Águeda e dos veios que nestes sítios correm
para o mar encharcam nas terras baixas, retidas pela duna de quarenta e tantos
quilómetros de comprido, formando uma série de poças, de canais, de lagos e uma
vasta bacia salgada. De um lado o mar bate e levanta constantemente a duna,
impedindo a água de escoar; do outro é o homem que junta a terra movediça e a
regulariza. (…)
O homem nestes sítios é quase anfíbio: a água é-lhe essencial à vida e a
população filha da ria e condenada a desaparecer com ela. Se a ria adoece, a
população adoece. (…) A ria, como o Nilo, é quase uma divindade. Só ela gera e
produz. (…)
Ninguém aqui vem que não fique seduzido, e, noutro país, esta região seria um
lugar de vilegiatura privilegiado. É um sítio para sonhadores e para os que
gostam de se aventurar sobre quatro tábuas, descobrindo motivos imprevistos. (…)
Pesca-se. Sonha-se. Toma-se banho. E esquece-se a vida prática e mesquinha.
Dorme-se ao largo, deitando-se a fateixa ou abica-se no areal. (…) É a ria
também é sítio para os que amam a luz acima de todas as coisas. (…) Na ria, o ar
tem nervos. (…) A luz aqui estremece antes de pousar (…) A vida é navegar na
ria, comer da caldeirada de enguia e tainha, que os homens cozinham à proa,
aproveitando-lhes entre as tripas a marsola para lhe dar mais gosto.”
Raul Brandão (1867-1930)
Militar, Jornalista, Escritor

Canal das Pirâmides - 2008 |
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“Na cidade é diferente. Na cidade... Essoutro Aveiro onde não há maresia, esse
Aveiro da velha avenida de pavimento obsoleto, da Ria negra de maus-tratos, de
estátua de um tal José Estêvão do qual todos sabem ter sido um grande homem mas
poucos sabem ao certo porquê. Na cidade há poucos espaços para nostalgias, no
entanto, a vontade de regressar as origens é constante.”
Nuno Miguel Pereira Reis
Aluno do Liceu de Aveiro entre 1985 e 1991
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“Os seus
pés descem a escadaria para a rua. Agora pisavam o chão da sua fresca
cidade, onde o azul descia a deixar uma luz do céu, por ali espalhada.
Seguia pelo passeio, rente ao casario, enfeitado de lindos desenhos feitos
com pedras esbranquiçadas, de mistura com outras de cor escura, quase
pretas. Calcava, assim, flores estendidas, algas e conchas, a proa de um
barco, uma âncora, um peixe, até um barco moliceiro com a respectiva vela. Aqui e ali, um barco
estilizado, com os remos nele atravessados, a navegar sobre as ondas, desenhadas
em traços curvos.
Era o grande Oceano a vir até à sua cidade. A ficar nela.”
Cecília Sacramento (1918-2005)
Professora, Escritora |

Pavimento em calçada portuguesa da Rua Direita. - Aveiro, 2008 |
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“… Quem viu uma procissão em Aveiro não viu decência maior em parte nenhuma. (…)
Os andores, a maior parte das vezes, são verdadeiros encantos de ornato: nem uma
coisa a mais, nem uma coisa a menos; e cada coisa no seu lugar próprio!”
Homem Cristo (1860-1943)
Professor, Jornalista, Militar
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“Alavário
Alavário.
Palavra que diz a terra e a água,
O ovo e a asa que foram,
O passado e a história antiga,
A luz e o sal, o suor, o azul.
Terra de peixe e de barcos.
A voz que vem de longe
A cantar a espuma e a areia.
Proa que avança no vento.
À flor do sol e da maré-cheia.
Alavário”
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“São Gonçalinho
Um pescador
Acenderá na capela
O pavio
Da tua devoção.
E, com fragor,
Cairão
No chão
As cavacas
Da promessa.
Tu,
São Gonçalinho,
Sorris,
Na tua imagem,
Ao olhar risonho
Da miudagem.” |
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Canal das Pirâmides e Rossio - 2008 |
“Palmeiras do Rossio
Há palmeiras no Rossio,
Erguem-se verdes no azul;
Beijam-nas o sol e o vento,
Olham p’ra norte e p’ra sul.
Dão sombra a quem na quiser,
Parca, de boa vontade;
São sentinelas erguidas
P’ra defender a cidade.
No jardim há raras flores
Mas abunda a relva verde. (…)” |
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“Aguarela”
Um moliceiro
Vogando
As águas da ria.
Eugénio Beirão (João Gamboa, 1939-…)
Professor, Escritor, Compositor
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