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ACTUALIDADES
Vida
nos campos
SETEMBRO
No campo
TERMINADA a grande faina da colheita
de cereais, em que o lavrador vê na eira qual foi o resultado das
enormes canseiras do seu trabalho na cultura cerealífera, recomeça
ele desde logo o rompimento das suas terras, que, viradas ainda
antes do inverno, assim oferecem por maior espaço de tempo ao sol as
suas entranhas, que ele, com todo o seu poder vivificador, prepara
maravilhosamente para a grande transformação de semente.

É por isso que quem vive nesta quadra
do ano, acidental ou permanentemente, no campo tem ocasião de
assistir aos primeiros trabalhos de charrua, com a qual pachorrentos
bois vão lavrando, e se for espírito culto ou, pelo menos,
observador, não deixará de ser tocado peja grande poesia do cenário!
É o ano agrícola que começa, e o primeiro passo que o lavrador nele
dá. Que o tempo lhe corra bem!
Na horta
Começa nesta quadra a refrescar o
tempo, e o hortelão a descansar mais um pouco das fadigas das regas.
Sem contudo deixarem de ser indispensáveis, se não chove, podem pelo
menos ser menos abundantes.
Uma das culturas mais vulgares na
horta é o milho. É este o mês da sua colheita.
O milho é uma planta das mais úteis.
Os americanos cultivam-na com grande interesse. E têm para essa
cultura inventado grande número de aparelhos que lhe têm barateado
imenso a mão-de-obra: semeiam à máquina, sacham à máquina, colhem,
debulham e preparam a verdura da planta à máquina. Desta economia de
mão-de-obra resulta o alargamento da cultura, e por conseguinte o
barateamento do produto, que para toda a parte é exportado
lucrativamente. Entre nós infelizmente as coisas passam-se
diferentemente, e para equilibrar preços intervém a alfândega, que
assim concorre para a manutenção da nossa tradicional enxada e
mangoal.
A nossa gravura representa uma máquina
americana para a debulha do milho, grande modelo dando um rendimento
de 150 a 200 mil litros de milho em cada 10 horas! O milho em
maçarocas é lançado à pá para a boca do alimentador, que fica a
pouca altura do chão, e que o recebe e o conduz ao interior da
máquina onde o grão é separado do carolo joeirado e limpo, subindo
por meio de uma nora para subir pelo tubo de descarga que se vê
erguido ao centro do aparelho e assim despejado com facilidade para
dentro de carros em qualquer ponto alcançado pela rotação do tubo. O
carolo, completamente debulhado, é lançado por outro elevador à
frente da máquina.
Este descarolador pode ser movido com
um manejo de oito cavalos, mas o mais apropriado é uma locomóvel de
10 cavalos, fácil de se encontrar em uma lavoura de importância.
Destas máquinas, esta é a maior;
inferiores a esta fabricam os americanos grande número de modelos
até ao pequeno descarolador de manivela para um só homem.
E entendem eles que a cultura do milho
tudo merece...
Na vinha
É neste mês que em geral se faz a
vindima no nosso país. Com este trabalho termina a primeira parte da
cultura denominada vitícola, e começa a segunda parte
denominada vinícola.
A verdadeira ocasião de vindimar deve
ser indicada peja perfeita maturação da uva que pode antecipar-se ou
atrasar-se conforme lhe corre o tempo; e como do estado da uva, ao
ser vindimada, depende muito a qualidade do vinho, não / 260 / deve
ser o calendário que se deve consultar para se proceder a esta
operação.
Os cachos são cortados, em geral, com
navalha que, sacudindo os bagos, faz cair muitos, o que constitui
prejuízo importante; o melhor meio é empregar tesouras especiais
baratas, conhecidas por tesouras de vindima.
As uvas são lançadas em cestos,
conduzidas assim para o lagar quando este fica perto, e em dornas,
sobre carros, quando haja mais caminho a percorrer.
Nos lagares é a uva esmagada e
conduzido o líquido ou mosto para as cubas de fermentação, onde é
transformado o açúcar em álcool.
Nos vinhos tintos fermenta o mosto
juntamente com a balsa para o completo aproveitamento da tinta que a
pele da uva contém. Nos vinhos palhetes e nos brancos é separado o
líquido da balsa imediatamente depois do esmagamento da uva, que
hoje é geralmente feito com aparelhos especiais munidos de cilindros
canelados.
A primeira parte da fermentação em que
há mais agitação no líquido é denominada fermentação tumultuosa e
dura dois a três dias e mais segundo as condições em que se dá.
No jardim
COMEÇA a notar-se uma decadência da
variedade de flores nos jardins. Uma das flores que maior
ornamentação neles oferece neste mês é a dália.
Esta flor, cujo nome deriva de Dahl,
distinto botânico sueco, pertence ao género das compostas. Há dela
várias espécies, variando em cor. Foi importada da América onde era
uma planta de flor singela, mas na Europa ganhou uma tão grande
estima que a sua cultura tem sido estudada e aperfeiçoada de modo
que hoje é uma das flores mais bonitas e variadas dos nossos
jardins.
A reprodução obtém-se, em geral, por
meio de tubérculos, que devem ser metidos na terra em posição
vertical Com a sementeira pode obter-se maior variedade de plantas,
mas a sua cultura requer maiores cuidados.
A dália exige regas abundantes, mas
junto ao pé, porque a água prejudica muito a flor quando lançada
sobre ela com agulheta ou regador.
Esta flor simboliza amor intenso, de
modo que se não sabe ainda se é pela significação se pela beleza da
sua aparência, que ela tem merecido tão grande predilecção.
Vida na Ciência e na indústria
A nova máquina de Santos Dumont
O ínclito aeronauta brasileiro não
descansa do tenaz propósito de triunfar definitivamente na sua
gloriosa campanha.

A recente máquina voadora, de sua
invenção, que em breve entrará no período experimental, deve
ligar-se a um balão, de modo que seja facilmente actuada pela
propulsão de um hélice. Tem o feitio de uma ave imensa, com 11
metros de comprido e uma envergadura de asas de quase 13 metros. É
formada por flutuadores celulares cavilhados entre si. No centro há
um motor da força de 24 cavalos, com o hélice na parte posterior.
Explorações francesas na África
DEVE ter saído de França uma expedição
sob o comando do major Lenfant, a qual deve preencher lacunas ao
mapa de África. O itinerário da expedição começa em Brazzaville,
segue por Nola, ponto de junção do Mambere e do Kadei, que formam o
Sangha, sobe o Mambere até Bania, depois entra no deserto, em
direcção ao lago Laka, tendo por principal objectivo a ligação
fluvial, tanto quanto possível, da bacia do Logone com a do Sangha.
Esta ligação dispensará os colonos franceses de se abastecerem de
gado, cavalos e burros, importados das colónias alemãs dos Camarões.
O canibalismo existente nas regiões do Alto Sangha e do Kadei ficará
abolido, por isso que os indígenas não recorrerão à carne humana,
logo que o gado, até hoje escasso, acorra da região do Laka.
O major Lenfant dispõe da soma de 185.000 francos para presentes.
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