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«Por uma noite enluarada e fria,
Num barco, onde eu cismava olhando as águas,
De uma janela, que p'ra o mar se abria,
Veio um som despertar as minhas mágoas.
De um bandolim saudoso e dolorido,
Certo, mão de mulher vibrara a corda;
E então vivi um tempo já vivido,
– Porque o passado esse instrumento acorda».
*
* *
Não vibreis nunca o bandolim, senhora,
Nunca o façais vibrar' gemendo assim,
Pois quando um bandolim palpita e chora,
Alguém chora e palpita dentro em mim.
Ele nos força a amar o sofrimento
E traz do céu todos os sons que encerra...
Depois que apareceu esse instrumento
Foi que a saudade apareceu na terra.
Recife – Maio – 1906
Moreira Cardoso
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