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ACTUALIDADES
A vida nos campos
AGOSTO
No Campo
TERMINADA a faina da colheita e apuramento dos cereais, cuida o
lavrador da colocação dos que pode vender para ocorrer à despesa do
seu granjeio, arrecadando aquilo que destina para alimentação sua,
do seu pessoal e gado.
Um dos produtos que os nossos costumes agrícolas mandam guardar para
consumo constante dos gados, para as suas camas, etc., é a palha que
a pisa na debulha dos cereais deixa trilhada e moída, num estado
macio e aceitável a todos os animais de lavoura, e que as máquinas
modernas de debulhar têm hoje de produzir à custa de grande esforço
e cuidados.
Aceite como boa esta utilidade da palha, enquanto os fenos
cultivados e ensilados a não vierem substituir, fica o lavrador a
braços com a forma de a arrecadar, o que nem sempre é fácil.
Os palheiros no campo é a forma mais prática e mais usada, conquanto
nem sempre seja a mais perfeita para a conservação do produto. A
arrecadação em recinto fechado é a mais perfeita, com quanto nem
sempre seja económico, devido ao grande espaço que é necessário.
Foi devido a estas considerações que a indústria criou as
enfardadeiras, que comprimem com mais ou menos pressão as palhas e
fenos em fardos atados com arames, tornando mais económica e segura
a arrecadação, bem como fácil o transporte de palhas, que em muitas
regiões pouco valor comercial têm, devido à dificuldade do
transporte.
A enfardadeira compõe-se de um depósito onde é lançada a palha que é
comprimida por qualquer processo braçal, a gado ou vapor, e assim
ligada com os arames que a conservam em compressão.
A nossa gravura representa a máquina movida a gado.

Nos primeiros modelos o gado descrevia apenas metade de um círculo,
para se obter o movimento de vaivém no pistão compressor; isso porém
era difícil e hoje emprega-se geralmente a volta completa.
A palha entra na tremonha e cai na entrada da câmara de compressão,
onde o pistão accionado pelo gado dá dois cursos em cada volta deste,
comprimindo-a pela câmara fora até à saída, que é tanto mais fechada
quanto maior se quiser que seja a densidade e peso do fardo.
É durante o trajecto da palha pela câmara, dividida pelos taipais de
madeira que com ela entram pela tremonha, com intervalos regulares,
que os arames são metidos no seu lugar, para ligar os fardos.
Nos modelos o processo é o mesmo, apenas com maior despacho, e com
um calcador mecânico que evita a necessidade do homem compor a palha
no fundo da cama, o que é perigoso pela velocidade e força do
pistão.
Nos modelos manuais não há pistão, é o fundo da caixa que sobe, ou o
tampo que desce, conforme os fabricantes.
A escolha do modelo depende da quantidade do trabalho a executar.
Na vinha
ACHA-SE neste mês já formado o cacho nas vinhas e enramada por
completo a cepa; não é fácil fazer tratamento algum à terra, não
sendo isso agora extremamente necessário.
O vinhateiro vigia o desenvolvimento das uvas e emprega ainda a
calda bordalesa em borrifo se corre húmido o tempo, e se não,
emprega ainda o enxofre ou o enxofre cúprico, como já se disse.
Se a maturação do bago se conserva tardia ou irregular acelera-se ou
iguala-se, descobrindo os cachos mais atrasados, por meio do corte
de folhas ou parras que lhe impedem a sua exposição aos raios
solares.
Este processo, que se chama esfolha, é contudo muito
melindroso e por isso pouco aconselhado. A folha exerce, como é
sabido, o papel de pulmão da planta, ou aparelho respiratório muito
necessário, especialmente durante a fase de maior actividade da sua
vida; é por conseguinte muito prejudicial se, para atendermos à
maturação do fruto, despojarmos exageradamente a videira de órgãos
tão necessários à sua vida.
Na horta
Os trabalhos mais necessários nas hortas durante esta quadra são,
sem dúvida, as regas, que se devem repetir de manhã e à tarde, para
a cultura das plantas que destas mais necessitam. / 172 /
É também próprio deste tempo a colheita das batatas, que se pode
conhecer estarem prontas a ser retiradas da terra pelo acabamento da
vegetação da planta, ou seca da rama.
O meio mais vulgar de fazer esta colheita é revolver a terra à
enxada, retirando os tubérculos, enterrando a rama e dando assim um
amanho muito útil à terra.
Nos países em que a cultura da batata está muito aperfeiçoada,
empregam-se nesta cultura muitos aparelhos para se obter perfeição e
economia em todas as operações que lhe são indispensáveis, como
plantação, sacha, irrigação, colheita, lavagem, classificação, etc.
Entre nós, infelizmente, tudo parece desnecessário.
No Jardim
Há neste mês pouco a fazer nos jardins; abrigam-se as flores da
ardência do sol e regam-se um pouco mais frequentemente.
O pó é grande inimigo das plantas. Além da aparência feia que lhes
dá, impede a respiração da planta, o que prejudica fundamente a sua
existência. As regas com regador de ralo têm a vantagem não só de
refrescar a planta e a terra em que ela vive, mas também de assentar
o pó, evitando que o vento o levante e o faça depositar sobre ela.
É conveniente não molhar as flores, que assim perdem facilmente o
seu aroma e brilho.
Semeia-se neste mês as cinerárias, goivos, cravos, verbenas,
campânulas, resedas, etc.
Passado o meado do mês, pode fazer-se a plantação de estacas de
qualquer planta que possa florescer mais tarde, como sécias,
crisântemos, etc.
Transfere-se para vasos as que seja conveniente abrigar durante o
rigor do inverno em sítio especial.
Escolhe-se para isso um vaso de tamanho relativo ao tamanho ou
desenvolvimento da planta; na abertura ou furo do fundo coloca-se
uma pequena pedra para impedir que a terra molhada tape essa saída,
e enche-se o vaso com uma mistura da melhor terra do jardim com
terriço. Ao meio dessa terra abre-se uma cavidade, que, segundo a
planta a que se destina, poderá ir até a meia altura do vaso, e aí
se calca a planta com as suas raízes, em volta das quais se vai
deitando a terra, calcando-a levemente até acima, devendo mesmo
ficar amontoada em volta da haste. Rega-se amiudadamente ao
princípio, sem exagerar a quantidade de água de cada vez, e deixa-se
estar nas mesmas condições em que a planta estava, até que ela
adquira a sua vida normal na nova instalação, depois do que pode ser
transferida para qualquer outro ponto.
Nos jardins devem continuar-se as sachas para facilitar a penetração
do sol, do ar e da água no interior da terra e assim manter-se
melhor a vida das diversas plantas durante os rigores do verão.

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