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ACTUALIDADES
Vida na arte
Um ilustre centenário
FINOU-SE, em Londres, a 1 de Julho, um velhinho célebre, Manuel
Garcia, irmão de duas famosas cantoras do século passado, a Malibran
e a Viardot. Não era, porém, apenas este parentesco que o
notabilizava; Manuel Garcia era um abalizado professor de canto e
inventara um instrumento de grande utilidade, o laringoscópio.
Nascido em Madrid, em 1805, fixara em 1850 a sua residência em
Londres, onde era muito considerado. Há cerca de dezasseis meses
fôra celebrado o seu centenário por um grande número de artistas e
homens de ciência. Deixa várias obras importantes sobre a produção e
a emissão da voz humana.
Uma pianista brilhante
Cremos que é brasileira a senhora D. Fanny Guimarães, que
ultimamente despertou gerais atenções no meio londrino. De um jornal
inglês extraímos a seguinte lisonjeira apreciação: «A longa e até
certo ponto enfadonha season – pode-se exclamar com o velho e
espirituoso Terêncio Cantilenam eandem canis – não trouxe à
evidência muitos pianistas. Notabilizou-se contudo uma
recém-chegada, Miss Fanny Guimarães, a qual manifestou não só
ciência musical de primeira ordem, mas um estilo cheio de
vivacidade, apenas contida pela finura do sentimento artístico.»
Folgamos como portugueses por este merecido triunfo. As glórias do
Brasil alegram-nos como as nossas próprias.
O pintor Jules Breton
Insigne paisagista e poeta distinto, era Jules Breton, ultimamente
falecido em Paris, com perto de 80 anos de idade. O seu talento como
pintor começou a manifestar-se em 1853, pelo quadro Volta dos
ceifeiros. Seguiram-se outros: As respigadoras,
Camponesas consultando espigas, A Bênção dos trigos, e
outros que sobre ele chamaram a atenção, até que na exposição de
1850 foi classificado entre os mestres, pelos quadros Plantação
de um calvário, Volta das respigadoras, Segunda feira
e a Costureira, que se distinguiram entre os mais notáveis do
salon. Desde então, produziu sempre cenas rústicas de estilo
atraente. Era membro da Academia de Belas Artes desde 1886. Como
poeta publicou Os campos e o mar, Joana, e dois
volumes em prosa: A vida de um artista e Um Pintor
camponês. O eminente artista nascera em Courrières, recentemente
ilustrada pela mais tremenda entre as catástrofes de minas.
O Panteão Nacional
REINA um certo alvoroço no nosso indolente meio artístico por causa
do Panteão Nacional, ao qual pretende adaptar-se o monumento dos
Jerónimos. Vários alvitres apresentam arquitectos como o Sr. Adães
Bermudes, críticos de arte como o Sr. Abel Botelho, funcionários e
políticos como o Sr. Costa Pinto. O desejo geral parece ser
salvaguardar de vandalismo o histórico monumento, à conta da
imortalização do génio. Por nós, confessamos ser em tese
absolutamente contrários ao aproveitamento daquele edifício para
semelhantes fins, e porventura pouco inclinados à existência de um
Panteão exclusivo para glorificação póstuma.
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