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Francisco José Rito, Entre o olhar e a alma, 1ª ed., 2013, pág. 125.

Porto seguro

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Sou marinheiro de muitas viagens.
Andei por mares por demais navegados.
Dobrei cabos cheios de tormentas, e outros.
Em todos me perdi, até que te encontrei.


De todos os portos onde entrei e cais a que atraquei,

nenhum me recebeu como a tua pele,
a tua doce e suave pele de mel e de alfazema,
por mim sentida, beijada, explorada, vivida.


Depois de ti, mais nenhuma maré me seduziu.
Em ti aporto, amarro, atraco, com todas as forças do meu ser. Socorro-me de cordas, correntes e âncoras;
e ocupo-me a velar-nos, para que a maré não nos aparte.


Construí um cais só para nós os dois.
Muralha forte e duradoura, que será refúgio, leito, fortaleza...

Da nossa fé fiz estacas,
da confiança nasceram pilares
e a esperança pariu correntes e argolas,
com que prendemos o barco do nosso amor.


E aqui ficamos, neste porto de abrigo que é só nosso,
onde as vagas balançam, agitam, mas não naufragam.
De onde inventaremos novas rotas, quiçá
naveguemos por mares de papoulas perfumadas e calmaria,
até descobrirmos o Éden que nos prometemos.

 

 

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16-10-2013