F. de Moura Coutinho, Picados,. Pericões e Migalhas de Aveiro, Vol. XI, pp. 93-109

PICADOS, PERICÕES

E MIGALHAS DE AVEIRO

PICADOS

NÃo se trata de qualquer iguaria com bocadinhos de carne ou de peixe, especialidade de Aveiro; trata-se de uma família de alcunha pouco comum, daquela cidade, onde, no mesmo gosto, outras famílias nos aparecem, como os Bombardas, os Roulões, os Rossimos, os Favelas, os Pericões, etc.

Bartolomeu Afonso Picado, o velho, que fazem filho de Silvestre Ferro − diz o linhagista LUÍS DA GAMA −, residiu na freguesia de Vera Cruz e em 1604 lá vivia casado, tendo falecido a 20 de Janeiro de 1639. Casou com Isabel Dias Saraiva, que faleceu a 15 de Abril de 1627, como consta dos livros de óbitos da mesma freguesia. Filhos:

Domingos Saraiva Picado, segue.

Bartolomeu Afonso Picado, segue depois.

− O licenciado Manuel Dias Picado, que vivia em 1612.

− Isabel Pinto, que casou com o licenciado Julião de Figueiredo Leão.

− Maria da Luz Saraiva, que casou com Pedro Fernandes Ribeiro.


Domingos Saraiva Picado viveu em Aveiro, onde casou com Maria Madalena de Oliveira. Antes de casar teve amores com uma tal Isabel, moça solteira, e deles foi filho Manuel, baptizado a 6-2-1616. Filho:

António Saraiva Picado, que casou duas vezes, a primeira com Inês Ribeiro Machado, que faleceu a 2-8-1638, e a segunda com Maria de Brito, não tendo geração desta. Filhos do 1.º matrimónio:

− Mariana, baptizada a 18-9-1628. / 94 /

Nicolau Ribeiro Picado, segue.

− Inês, baptizada a 15-4-1633.

− António Saraiva Ribeiro Picado, bapt. a 16-11-1635.
 

Nicolau Ribeiro Picado, baptizado em Vera Cruz a 14-12-1630, diz LUÍS DA GAMA que foi fidalgo da Casa Real, cavaleiro da Ordem de Cristo e mestre-de-campo na guerra da Aclamação. Fundou, na sua freguesia, a capela com a invocação a Madre de Deus, como se vê no Arquivo do Distrito de Aveiro, pág. 152 do 2.º volume, no artigo Informações Paroquiais, de ROCHA MADAHlL. Casou duas vezes; a 1.ª com D. Leonarda da Cunha Rebelo, filha de João Cerveira da Cunha e de sua mulher Brites de Almeida Queimado, tiveram um filho, João de nome, baptizado a 21-11-1673, que morreu menino; casou a 2.ª vez com D. Maria Saraiva de Vila Lobos, filha de João de Figueiredo, de Mogofores, e de sua mulher Catarina Lobo de Oliveira (casamento este que se realizou em 15-12-1654). João de Figueiredo era filho de Sebastião de Figueiredo, morador .em Mogofores, e de sua mulher Maria Ribeiro Bôto. Foram irmãos de D. Maria Saraiva: o Dr. João de Figueiredo e D. Júlia Josefa de Figueiredo que casou com o seu segundo primo Julião de Figueiredo Leão, c. g., D. Maria Saraiva, depois de viúva do mestre-de-campo Nicolau Ribeiro Picado, tornou a casar com Miguel Vieira Guedes, como se verá no artigo sobre os Vieira Guedes. Filhos:

− D. Inês, baptizada a 2-2-1678.

− D. Teresa, baptizada a 16-10-1679.

João, segue.

João Saraiva Ribeiro Picado, fidalgo da Casa Real, 'provedor dos marachões do Mondego por sua mulher. Casou em Coimbra com D. Escolástica Josefa Maria de Castelo Branco, filha herdeira de Tomás de Sequeira de Castelo Branco, provedor dos marachões do Mondego, e de sua mulher D. Serafina Monis Mascarenhas, filha esta de João Travassos da Costa. Foi filho desta união:


António José Saraiva de Castelo Branco, ou antes, como vem no Dicionário Aristocrático, «António José de Almeida Castelo Branco, natural do Lugar de Mogofores, termo da Villa de Aveiro, filho de João Saraiva Ribeiro de Figueiredo, fidalgo que foi da Casa Real, e neto de Nicolau Ribeiro Picado», fidalgo cavaleiro, por alvará de 29-8- 1711. António José, sendo solteiro, teve em Maria Freire, a patarata, também solteira, filha de Manuel João, o patarata, da
/ 95 / freguesia de Vera Cruz, e de sua mulher Antónia Freira, de Ílhavo, a Maria, que foi baptizada a 22-5-1726. Casou com D. Micaela Luísa de Aguiar, da Vila da Feira, filha de João Ferreira da Cruz, cavaleiro da Ordem de S. Tiago, natural de Maçãs de D. Maria, e de sua mulher D. Francisca Luísa Teresa, de Lisboa. Filhos:

− José, baptizado a 23-6-1733.

− Bernardo, baptizado a 20-7-1734.

− Gonçalo, baptizado a 23-10-1735.

Parece que todos morreram solteiros e sem geração; pelo menos, assim o diz o linhagista LUÍS DA GAMA.


Bartolomeu Afonso Picado, o novo filho do outro do mesmo nome e de Isabel Dias Saraiva, morou em Esgueira onde casou com Maria de Bastos, filha de André Pires Feio e de sua mulher Margarida Rodrigues Basto, moradores em Esgueira (vide pág. 13 de Pachecos e Cardosos da região aveirense). Filhos:

Manuel Gomes Faia, que segue.

− Maria Saraiva, casou com Manuel Favela de Arruda, c. g.


Manuel Gomes Faia, baptizado a 21-10-1614, morou em Esgueira; governador das armas das companhias das ordenanças, teve carta de brasão de armas em Janeiro de 1651 (escudo esquartelado com as insígnias heráldicas dos Faias, Afonsos, Bastos e Feios, diferença uma brica sanguínea e nela um crescente de prata); esta carta vem mencionada a pág. 1I7 (n.º 360) dos Brasões inéditos do Dr. JOSÉ MACHADO. Os seus pais e avós lá vêm mencionados como aqui, acrescentando-se que os irmãos de sua mãe, Maria de Bastos, foram João André Feio, André Pires Feio, Manuel Gomes Faia e Cristóvão Feio, e que serviram na índia sendo capitães de fortalezas e navios. Parece, portanto, que foi por aquela linha que ao governador das armas das companhias das ordenanças de Esgueira veio a principal nobreza. Casou com sua prima co-irmã D. Isabel de Figueiredo Leão baptizada a 17-5-1622, filha do Dr. Julião de Figueiredo de Leão e de sua mulher Isabel Pinto, neta paterna de Fernão Lopes de Leão, de Pedrogão, e de Catarina de Figueiredo, e materna de Bartolomeu Afonso Picado, O velho, e de Isabel Dias Saraiva. Filhos:

Julião de Figueiredo Leão, segue;

Manuel Gomes Faia de Figueiredo, segue depois; / 96 /

José de Figueiredo de Leão, idem, idem;

D. Maria de Leão, idem, idem;

D. Juliana Faia de Leão, idem, idem;

− D. Joana de Figueiredo Faia;

− D. Jacinta Faia de Leão.
 

Julião de Figueiredo de Leão casou com sua prima D. Júlia Josefa de Figueiredo, filha de João de Figueiredo, de Mogofores, casado a 15-12-1654 com Catarina Lobo de Oliveira, irmã de Domingos Dias de Vila Lobos e filhos de outro Domingos Dias de Vila Lobos. Filhos:

Fernando Luís Lopes de Figueiredo Leão, segue;

− Matias de Figueiredo de Leão, que foi para a índia;

− D. Angélica de Figueiredo de Leão, primeira mulher de seu primo André Pacheco;

− D. Maria Joana Figueiredo de Leão, baptizada em 6-4-1704;

− D. Catarina de Figueiredo de Leão, casou com Francisco de Barros Pereira, filho de outro Francisco de Barros Pereira e de sua 2.ª mulher, D. Josefa.


Fernando Luís Lopes de Figueiredo de Leão, casou com D. Leonor Noronha de Andrade, filha do Dr. Luis Rodrigues e de sua mulher D. Catarina Noronha de Andrade, filha de António Noronha de Andrade, almoxarÍfe de Eixo, e de sua mulher Leonor Pacheco, filha de António Pacheco de Miranda, de Lisboa, freguesia de S. Paulo, e de sua mulher Catarina Faria de Brito, também de Lisboa. E nada mais sei por agora.


Manuel Gomes Faia de Figueiredo, filho do governador das armas das companhias de ordenanças de Esgueira e de sua mulher D. Isabel de Figueiredo de Leão, casou com D. Maria Pacheco Cardoso, ou Coelho Pacheco, filha de André Pacheco Cardoso. No artigo Pachecos e Cardosos da região aveirense, na alínea f), trato da geração deste.


José de Figueiredo de Leão, irmão do antecedente, casou duas vezes: a primeira com N., de quem teve um filho, Julião, que casou em Bertelo, e a segunda com D. Helena... Notícias vagas que depois verei se poderei aclarar.


D. Maria de Leão, filha de Manuel Gomes Faia e de sua mulher D. Isabel de Figueiredo de Leão, foi baptizada a 30-9-1640. Diz LUÍS DA GAMA: «Achei que fôra freira em Jesus, mas talvez que lá fôsse educada, e depois casasse»; casou com João de Brito Cação de Lima, filho de Francisco
/ 97 / [Vol. XI - N.º 42 - 1945] de Brito Cação de Lima e de sua mulher D. Antónia da Fonseca Rebelo. Este João de Brito tornou a casar, depois de viúvo. Note-se que eu, na alínea f) do artigo sobre Pachecos e Cardosos da região aveirense cito esta D. Maria de Leão, dizendo que o Abade de Perozelo a dá como filha de Manuel Gomes Faia de Figueiredo e de sua mulher D. Maria Pacheco Cardoso, e, portanto, neta e não filha do governador das armas das companhias das ordenanças de Esgueira, e nisto deve ter havido engano. Aclaro mais que, segundo uma nota de LUÍS DA GAMA, D. Maria foi a 2.ª mulher de João de Brito e a 1.ª foi D. Francisca Freire, irmã do prior de Talhadas. Filho:


André Pacheco de Lima, que morreu em 1758 e que casou duas vezes, a primeira com sua prima D. Angélica (ou Augusta?) de Figueiredo Leão, filha de Julião de Figueiredo Leão e de sua mulher D. Júlia Josefa de Figueiredo, e a segunda com D. Bernarda da Silveira do Amaral, filha de António da Silveira Coelho Ribeiro do Amaral, e de sua mulher D. Branca Coelho. Filhos:

− D. Maria Angélica de Figueiredo de Leão, que casou com Manuel de Sequeira Coutinho de Almeida de Eça, filho de outro Manuel de Sequeira Coutinho de Almeida de Eça, nascido em Esgueira a 15-4-1679, e casado no Porto a 28-1-1739 com D. Josefa Angélica de Almeida Cabral, estes, meus quartos avós. Tiveram dois filhos: André, que morreu solteiro, e D. Maria Pacheco de Lima que casou com Manuel Pedro Godinho; D. Maria morreu de parto da sua única filha e Manuel Pedro Godinho casou segunda vez. Filha:

− D. Joana de Figueiredo de Leão, morreu donzela.

− (2.º casamento) D. Feliciana da Silveira do Amaral, que casou na Terra da Feira.

D. Juliana (ou Jacinta?) filha de Manuel Gomes Faia e de D. Isabel de Figueiredo de Leão, casou com Nicolau Pereira Viz, que foi baptizado a 25-9-1664, filho de Nicolau Viz, irlandês, e de sua mulher Leonor Roiz, portuguesa; Nicolau Viz, o pai, foi cônsul de Inglaterra em Aveiro e sua mulher chamava-se Leonor Rodrigues de Azevedo, filha de Pedro Rodrigues de Azevedo, que o capitão-mor de Aveiro diz ter sido fidalgo-cavaleiro, e de Madalena Pereira, de Aveiro. Filha única:

− D. Isabel de Figueiredo de Leão, herdeira, que casou em Aveiro com Luís Pinheiro de Morais e Mariz Laborinho, administrador do morgado de Santa Catarina / 98 / em Aveiro e dos direitos reais de Segadães e Brunhido (consórcio realizado a 5-7-1704), filho de António Pinheiro de Morais e Mariz, falecido a 5-1-1707, senhor dos referidos morgados, e de sua mulher D. Maria de Magalhães e Mendonça. A respeito do morgado de Santa Catarina, que tinha capela na demolida igreja de S. Miguel com sepultura própria desta família, e onde foi sepultado Pedro Vinate que a mandou construir em 10 de Maio da era de 1357, cipo da família, darei em artigo especial algumas notícias que, tenho, e para aí deixo o que me falta dizer acerca da descendência de D. Isabel de Figueiredo de Leão(1).

− Isabel Pinto, citada a princípio, filha de Bartolomeu Afonso Picado e de Isabel Dias Saraiva, casou a 20-6-1619 com o licenciado Julião Figueiredo de Leão, provedor e contador da fazenda na comarca de Torre de Moncorvo, fidalgo de cota de armas.

MANSO DE LIMA e outros linhagistas chamam-lhe Julião de Figueiredo de Leão, porém a carta de brasão de armas que lhe foi passada a 30-7-1639 só o apelida por Julião de Figueiredo, «...filho legítimo de Fernão Lopes e de Catarina Jorge de Figueiredo; neto paterno de outro Fernão Lopes e de Leonor Álvares, sua legítima mulher; bisneto de Fernão Luís Lopes; 3.º neto de João Lopes das Maias, criado do infante D. Luís, o qual seu 3.º avô foi sobrinho direito de Fernão Lopes e do capitão António Lopes que ambos morreram pelejando em serviço de Sua Majestade nas partes da índia de Portugal, sendo todos naturais da vila de Pedrogam, Priorado do Crato; neto materno do Capitão Jorge Pires de Figueiredo e de sua legítima mulher Domingas Martins; bisneto de Simão Pires de Figueiredo, que foi irmão de Baltazar de Figueiredo que também morreu pelejando nas partes da índia, do Licenciado António de Figueiredo e de Domingos de Figueiredo, tudo gente nobre da dita vila de Pedrogam e da de Certan» − Vide Brasões Inéditos (Suplemento) do Dr. JOSÉ MACHADO, n.º 70. O brasão concedido é partido, de um lado Lopes (de João Lopes de Leão) e do outro Figueiredos e não tem diferença.

MANSO DE LIMA no seu nobiliário dá, porém, este licenciado Julião casado com Maria de Bastos (o mesmo nome da mulher, atrás apontada, de Bartolomeu Afonso Picado, o / 99 / novo), mas o capitão-mor de Aveiro, Luís DA GAMA RIBEIRO RANGEL DE QUADROS DA MAlA, nos seus Títulos ou linhas genealógicas, diz que ele casou a 20-6-1619 com D. Isabel Pinto, filha de Bartolomeu Afonso Picado, o velho, e de sua mulher Isabel Dias Saraiva. Por outro lado, dúvida não há de que Bartolomeu Afonso Picado, o novo, casou com Maria de Bastos. A sepultura dos dois lá estava na igreja de Esgueira com estes dizeres: − «Sep.ra de Bartholomeu Affonso Picado, e de sua molher Maria de Bastos desta villa E de seu Pay e May erdeiros anno de 1624».


PERICÕES

Para emparceirar com os Picados temos também em Aveiro os Pericões, aos quais já atrás citei a graça. Principiarei pelo primeiro que da alcunha tenho notícia, e que viveu no século XVI.

Chamava-se ele Pedro Anes Pericão, o velho, e era irmão de Maria Anes, que foi a mulher de Miguel Ribeiro; e estes Ribeiros eram na terra pessoas nobres e de representação, e daí, e ainda por outros motivos, infiro que os Pericões não pertenciam à ínfima sociedade aveirense daquele tempo(2).

Pedro Anes Pericão casou com Antónia Jorge, da qual não sei os nomes dos pais. Viveu em Aveiro na rua de Vila Nova, freguesia de Vera Cruz, onde faleceu a 20-8-1575, fez testamento e nele deixa por testamenteiros seus filhos Miguel Pires e Maria Pires, ou Maria André como depois se chamou. Filhos:

Miguel Pires Pericão, segue.

Pedro Anes Pericão, segue mais adiante.

− Maria André Pericão, que casou com Miguel André Rangel que viveu em Aveiro e morou na rua Larga, filho de Miguel Fernandes Rangel e de sua mulher Antónia Fernandes; faleceu a 22-7-1594 e foi sepultada na / 100 / igreja de S. Miguel, junto ao altar de S. Pedro, perto das grades. Destes foi filho António Rangel que teve a propriedade do Juízo da Alfândega de Aveiro, e três filhas, Leonor e Catarina que casaram, e Maria que morreu solteira.


Miguel Pires Pericão, que foi fldalgo cavaleiro e provedor da Misericórdia de Aveiro em 1590 e em outros anos, como foi também, em outros, escrivão e deputado. Morou na rua dos Sombreireiros ou dos Balcões, possuiu o prazo da Moita juntamente com a azenha por compra que dele fez como consta da instituição de vínculo que fez sua neta D. Maria Rangel. Casou com Isabel Migueis Rangel, filha de Mateus Fernandes Rangel e de sua mulher Antónia Dias. Mateus Fernandes, que foi filho de Filipe Roulão e de sua mulher Leonor Anes Rangel, morreu a 25-3-1585 e foi sepultado em S. Miguel na sepultura de seu sogro, defronte da capela de S. Sebastião. De Isabel Migueis Rangel foi irmão, além de outros, D. Fr. Miguel Rangel que tomou o hábito de S. Domingos em Aveiro, deputado do Santo Ofício, bispo de Cochim, na Índia, onde morreu com 57 anos a 14-9-1646. Filhos:

Miguel Rangel, que se segue.

André Migueis Pericão, que seguirá depois.

− Luís Rangel, que morreu solteiro, S. g.

− D. Catarina Migueis Rangel, baptizada a 31-12-1567. Casou duas vezes, a primeira com Diogo de Oliveira de Pinho, com geração, e a segunda com Francisco Homem de Azevedo, fidalgo da Casa Real.

− Maria Migueis Rangel, que julgo foi baptizada em S. Miguel a 28-7-1570 e vivia em 1598 pois foi madrinha de um baptizado. S. g.


Miguel Rangel morou na rua de Santa Cruz ou na Larga, foi senhor do prazo da Moita e da Ilha do Monte Farinha na ria de Aveiro, como consta da instituição do vínculo que fez sua filha D. Maria Rangel, que abaixo menciono. Casou na igreja de Vera Cruz a 4-7-1601 com Maria de Barros, da mesma freguesia, que morreu a 11-10-1617 e jaz com seu pai e sua mãe na capela de S. Roque e era filha de Afonso Gonçalves de Barros e de sua mulher Custódia Varela. Estes Varelas eram outra família tradicional de Aveiro com largas ramificações. Filhas:

− D. Maria Rangel, baptizada a 8-9-1607, sucedeu na casa de seus pais e instituiu um morgado vinculando os seus bens com a obrigação de duas missas quotidianas e / 101 / outros legados; nos bens vinculados entrou o prazo da Moita com a azenha, a Ilha de Monte Farinha com várias marinhas na ria de Aveiro, como consta da instituição que foi lançada no tombo da igreja de Vera Cruz. Casou a 10-2-1627 na Abrunheira, freguesia de Reveles, bispado de Coimbra, com Fernão de Magalhães Pereira. Com geração.

− D. Catarina Rangel, baptizada a 14-1-1609.

André Migueis Pericão, filho de Miguel Pires Pericão e de Isabel Migueis Rangel, casou com Maria Jorge, da qual não sei a filiação. André Migueis Pericão foi sepultado na igreja de Vera Cruz com o seguinte epitáfio: − «Sepultura de Andre Migueis Piricão, e de Sua molher, e herdr.os» (Vide Arquivo do Distrito de Aveiro, pág. 154 do 2.º volume).

Filhos:

− Manuel Rangel, clérigo.

− Miguel Rangel Colaço,

− Leonor Rangel

− Miguel Rangel, o beiço(3), que casou com sua terceira prima Brites Henriques Correia da Veiga, filha de António Rangel e de sua mulher Catarina Correia da Veiga e Quadros, com geração, cujos filhos instituíram um morgado que administrou João António de Quadros Varela.

− Bartolomeu Rangel, baptizado a 5-3-1596.

− Luís Dias Rangel, baptizado a 15-11-1598.

− Ângela Rangel, baptizada a 22-1-1601.

− Catarina Rangel

Nota: − No título dos Rangéis encontro que Brites Henriques instituiu um morgado em que chamou para sucessor seu sobrinho António Rangel de Quadros e Veiga; se assim foi, natural é que não tivesse tido geração. Brites Henriques foi baptizada a 27-8-1606 e faleceu a 8-8-1673, tendo sido sepultada no convento de S. Domingos. Seu pai, António Rangel, proprietário do ofício do Juízo da Alfândega de Aveiro, ofício que lhe veio por sua mulher, faleceu a 31-3-1608 e foi sepultado na capela de S. Pedro da igreja de S. Miguel, e sua mãe (de Brites Henriques), Catarina Correia da Veiga e Quadros, morreu a 18-8-1654 e era filha de André Ribeiro e de sua segunda mulher Brites Henriques Correia. / 102 /

O supra citado João António de Quadros Varela, deve ser João António Rangel de Quadros Varela, baptizado a 15-7-1700, 3.º neto de António Rangel e de sua mulher Catarina Correia da Veiga e Quadros, bisneto de Miguel Correia de Quadros e Veiga (irmão de Brites Henriques), neto de António Rangel de Quadros e Veiga e filho de Miguel Rangel de Quadros e Veiga, baptizado a 7-4-1665, que teve o hábito de Cristo, foi proprietário do ofício de Juiz na Alfândega de Aveiro, casado com D. Mariana Pereira Varela, filha de Manuel Varela Pacheco, mestre de campo de volantes, e de sua mulher D. Bárbara Pereira de Carvalho.


Pedro Anes Pericão, o novo, filho de outro mesmo nome por quem se principia esta nota, e de sua mulher Antónia Jorge, morou na rua da Agostinha ou rua de Santa Cruz, onde faleceu a 2-2-1617 e jaz no convento de Santo António. Casou com Isabel Jorge e foram seus filhos:

João André Pericão, segue.

− António Jorge Pericão, baptizado a 23-8-1586.

− Maria Jorge, baptizada a 13-8-1588.

− Isabel Jorge, que casou a 23-1-1612 com Manuel Marques, filho de Pedro Marques e de sua mulher Margarida Domingues.

− Manuel Jorge, baptizado a 21-6-1592 e que casou com Catarina Migueis.


João André Pericão, baptizado a 26-6-1580, casou a 3 de Janeiro de 16... na igreja de Vera Cruz com Leonor Couceiro. Filha:

− Luísa Couceiro Migalhas, baptizada a 13-5-1623 na igreja de S. Miguel; casou na Vera Cruz a 15-2-1654 com Pedro Ferreira Pessoa, filho de André Ferreira Pessoa e de sua mulher Catarina de Cáceres, moradores na vila de Treixedo, ou Freixedo...

Nota: − Aquela Leonor Couceiro é possível que tivesse sido uma desse nome que foi baptizada em Aveiro a 7-9-1583, filha de Manuel André Migalhas, que casou a 28-2-1578 na igreja de S. Miguel de Aveiro com Isabel Couceiro, que parece ter sido irmã de Mateus Couceiro e de Branca Couceiro, filhos de Manuel Couceiro e de sua mulher Leonor Jorge. Mas, por outro lado, parece que essa Isabel não teve geração... Manuel André Migalhas foi filho de André Afonso Migalhas e de Isabel Fernandes. / 103 /


MIGALHAS

Mais uma família aveirense com uma alcunha por apelido, os Migalhas(4).

André Afonso Migalhas, que parece ter sido filho de Miguel Fernandes Rangel, casou com Isabel Fernandes.

Filhos:

Tomé André Migalhas, segue na página seguinte.

Manuel André Migalhas, que se segue.


Manuel André Migalhas, casou na igreja de S. Miguel a 28-2-1578 com Isabel Couceiro, que se julga ter sido irmã de Mateus Couceiro e de Branca Couceiro, filhos de Manuel Couceiro e de sua mulher Leonor Jorge. Filhos:

− Catarina, baptizada a 11-12-1580.

− Leonor, baptizada a 7-11-1583, e que instituiu, dizem, o vínculo de Vilarinho.

Pedro Couceiro, que se segue.


Pedro Couceiro, baptizado a 26-11-1588, não casou mas teve bastardo:

Manuel Couceiro, segue.

Manuel Couceiro, sucedeu no vínculo de Vilarinho por nomeação de sua tia Leonor e casou com sua parente Maria da Costa. Filho:

− Manuel Couceiro da Costa, que casou com D. Teresa Quitéria de Figueiredo e Silva, sem geração. D. Teresa tornou a casar depois de viúva, como se verá.


Tomé André Migalhas, filho de André Afonso Migalhas, o primeiro citado nesta série, casou na igreja de
/ 104 / S. Miguel a 24-6-1572 com Antónia Dias, filha de André Dias Gordo. Nos membros da Misericórdia de Aveiro nas mesas de 1586 e 1602 figura um Miguel Dias Gordo, talvez irmão ou parente próximo de André Dias Gordo; Tomé André Migalhas, o deputado, citado na nota anterior, deve ser este. Filho:

André Afonso, segue.

André Afonso Migalhas, licenciado, casou com Branca Godinho, que não encontro agora de quem era filha. Este licenciado foi provedor da Misericórdia em 1629. Filhos:

− Maria Godinho, que estava solteira em 1634.

− Tomé Migalhas Godinho, beneficiado, que foi provedor da Misericórdia de Aveiro em 1657, e que parece ter ido para a índia.

− O padre Fr. André Godinho, prior do convento de N.ª Sr.ª da Penha de França.

Tomé André, o velho ou o rico, que era irmão de André Afonso Migalhas, o primeiro da série atrás apresentada, teve a sua casa nos Balcões da Praça e casou, dizem, duas vezes; a primeira mulher chamou-se Catarina Dias. Filhos:

Matias André Roulão, baptizado em 1571, segue.

Pedro André Roulão, segue lá mais para diante.

− Maria Roulão, que casou com o licenciado António Rodrigues Bôto.

− Catarina dos Anjos, freira de Jesus.

Julga-se que casou segunda vez com uma Couceiro, de quem seria filho António Couceiro, juiz de fora da Covilhã e da provedoria de Leiria, casado com Leonor Cardoso, sem geração.
 

Matias André Roulão, baptizado em S. Miguel a 4-3-1571, casou na igreja de Vera Cruz a 19-7-1604 com Maria Lançarote, filha de António Lançarote − que morou na rua de Santa Cruz junto à viela do Roulão − e de sua mulher Filipa Antónia da mesma freguesia, filha de António Gonçalves, pessoa rica, e de sua mulher Isabel Dias, que morreu viúva, a 27-8-1591 com testamento em que instituiu o vínculo na sua capela da igreja de Vera Cruz, chamada dos Lançarotes, onde foi sepultada. Maria Lançarote foi baptizada / 105 / em Vera Cruz a 4-3-1571 e morreu a 8-7-1630 e foi também sepultada na capela dos Lançarotes. Filhos:

Luís Lançarote, segue.

− Tomás Lançarote, baptizado a 10-3-1611.

− António Lançarote, baptizado a 7-3-1613.

− Domingos Lançarote, baptizado a 16-8-1615

− Catarina Lançarote, baptizada a 30-12-1618.


Luís Lançarote, baptizado a 1-9-1605, em Vera Cruz, morreu vindo das Caldas a 6-6-1664 e jaz na capela dos Lançarotes. Casou na igreja de Vera Cruz a 3-2-1644 com sua prima Maria Coelho, a rosa branca, filha do licenciado José Coelho, de Esgueira, e de sua mulher Antónia Rodrigues de Azurara, filha esta de António Lançarote atrás referido.

Espinhos da rosa branca:

− José Lançarote, baptizado a 10-10-1644.

− Matias Lançarote, baptizado a 25-9-1645.

− Joana Coelho, baptizada a 5-2-1650, freira em Jesus.

− Maria Coelho, baptizada a 7-1-1652, freira em Jesus.

− Madalena Coelho, baptizada a 30-3-1653.

− Francisco Lançarote, baptizado a 22-2-1654.

− António Lançarote, baptizado a 25-6-1655.

− Leonor Coelho, baptizada a 22-1-1657.

Pedro Lançarote Coelho, segue.

− Tomás Lançarote, baptizado a 5-3-1663.


Pedro Lançarote Coelho, nasceu em Aveiro e foi baptizado em Vera Cruz a 1-3-1659, passou a viver em S. Luís do Maranhão na companhia de D. Gregório dos Anjos, bispo daquela diocese. Segundo um artigo genealógico publicado a pág. 350 do 2.º voI. do Elucidário nobiliárquico, este D. Gregório dos Anjos foi filho do desembargador do paço Pedro Nunes da Costa e de sua mulher D. Catarina Roulão, filha de Miguel André Roulão, irmão de Matias André RouIão, e portanto o bispo, pela mãe, era da família de Pedro Lançarote Coelho.

Voltarei ao assunto, pois há diferenças entre o que aqui escrevo e o artigo publicado no Elucidário. Casou Pedro Lançarote Coelho no Maranhão com D. Maria de Sampaio, do Maranhão, filha de Jorge de Sampaio. Filho, talvez entre outros:

Luís Lançarote Coelho, segue.

Luís Lançarote Coelho, natural de S. Luís do Maranhão, Brasil, onde foi capitão de infantaria da nobreza. Ali / 106 / casou com D. Mariana da Silva, filha de Francisco da Silva Barbosa, capitão de infantaria, natural e morador na mesma cidade, e de sua mulher D. Josefa da Encarnação, natural da Ilha Terceira. Filho, e poderia ter havido outros:

− João Couceiro Lançarote Coelho, segue.

João Couceiro Lançarote Coelho nasceu em S. Luís do Maranhão e veio a herdar a casa de Vilarinho e a capela dos Lançarotes na igreja de Vera Cruz, em Aveiro. Casou com D. Teresa Quitéria de Figueiredo e Silva, filha do licenciado Domingos Marques da Silva, de Estarreja, e morador em Beduído, e de sua mulher D. Helena Valente, natural de Beduído. Esta D. Teresa Quitéria era já viúva de Manuel Couceiro da Costa, senhor da casa e morgado de Vilarinho, de quem não teve filhos. Filhos:

− Francisco Manuel Couceiro da Costa Coelho, segue.

− D. Mariana e D. Constantina, que morreram novas.

− António Couceiro Lançarote Coelho, que militou num regimento alentejano, e casou à sua vontade em Campo-Maior, com geração.

− D. Joana Inocência, que casou em Vouzela com António Valério de Almeida Lemos, que parece ter sido formado(5). Com geração.

− D. Maria Isabel, casou em Portalegre com António Sebastião Salgado, sem geração.

− Francisco Manuel Couceiro da Costa Coelho, morgado de Vilarinho. A capela dos Lançarotes foi por este vendida «por 200$000 rs. á irmandade do S. Sacramento na egreja de Vera Cruz, p.ª n'ella colocarem o Santissimo, como hoje se vê, e aproveitando-se da lei das abolições desfez-se de tal vinculo por insignificante, mas não o era a dita capela por ser obra antiga m.to primoroza e digna de toda a estimação e onde jaziam os seus antepassados». Foi também capitão de cavalos «de uma tropa que poz à sua custa em 1762 e neste de 1796». Foi sargento-mor com exercício de capitão no regimento de cavalaria de Évora e foi reformado em coronel. / 107 /

Casou duas vezes, a primeira com D. Joana Eufrásia Coelho de Figueiredo e Castro, ou antes, D. Joana Eufrásia de Moura Coutinho de Castro de Figueiredo (casamento em 1765), filha de Agostinho Coelho de Figueiredo e Vasconcelos, fidalgo da Casa Real, e de sua mulher D. Maria Inês de Castro Jácome, filha do desembargador Francisco de Castro Jácome e de sua mulher D. Rosália Maria de Vasconcelos. D. Joana Eufrásia era neta paterna de Matias Coelho de Figueiredo e Vasconcelos e de sua mulher D. Joana de Sequeira Coutinho de Almeida de Eça, da minha família, como tudo está explicado a pág. 70 do meu livro Mouras Coutinhos, de Esgueira, 2.º volume. De Francisco Manuel e de D. Joana Eufrásia houve vários filhos, nos quais não perdurou a geração.

Francisco Manuel Couceiro da Costa Coelho tornou a casar em Évora com D. Joaquina Madalena Salgado, filha de Manuel Lourenço Salgado, natural de Guimarães, e de sua mulher Delfina Inácia, de Évora, de quem teve vários filhos que morreram de tenra idade, menos João Estêvão Couceiro da Costa que também foi militar e que casou, sendo este o pai de Francisco Manuel Couceiro da Costa, o último morgado de Vilarinho, que muito bem conheci e que teve larga geração com excelente posição na sociedade e cargos de destaque na governação do país, na diplomacia, magistratura, política, etc., etc.


− Pedro André Roulão, irmão de Matias André Roulão, e filhos de Tomé André, o velho, casou com Luísa Dias. Filhos:

Isabel da Costa, baptizada a 8-3-1604.

Duarte da Costa, bat. a 15-1-1603.

Manuel Roulão, a 3-3-1614, segue.

Domingos.

Juliana da Costa, baptizada a 3-9-1617.

João André da Costa, baptizado a 4-6-1623.


Manuel Roulão, supra, casou não sei com quem e foram estes os pais de:

Manuel Roulão Pimentel.

José Roulão Pimentel, reitor de S. Tiago de Beduído, freguesia, por sinal, onde eu fui baptizado a 1-11-1869 pelo reitor P.e João Pedro Tavares de Sousa.

Como nota vejamos agora, pelos Roulões, a ascendência dos morgados de Vilarinho, extraindo-a do que vem / 108 / no artigo a que me refiro atrás, do Elucidário Nobiliárquico:

Filipe Roulão que viveu em Aveiro e foi moço da câmara do número. Filho:

Pedro Roulão, também moço da câmara do número.

Filhos:

Matias André Roulão, segue.
Tomé André Roulão, que casou com D. Catarina Dias e depois de viúvo com D. Branca Couceiro, filha de António Couceiro, de Tentúgal. Filhos:

Pedro André Roulão (1.º casamento) de quem procede José Roulão Pimentel, morador na quinta da Marciana junto a Lisboa.

D. Leonor Costa (2.º casamento) que casou com Lourenço de Carvalho de Meneses, fidalgo da Casa Real. Sem geração, e os seus bens foram vinculados no morgado de Vilarinho.

Miguel André Roulão, que foi pai de D. Catarina Roulão que, casando com o desembargador do Paço Dr. Pedro Nunes da Costa, foram pais do bispo do Maranhão e Pará, D. Jerónimo dos Anjos.


Matias André Roulão, casou com D. Maria Lançarote Couceiro que instituiu, diz o tal artigo, a capela de Vera Cruz que ficou anexada ao morgado de Vilarinho. Diz que era filha de António Lançarote, senhor da quinta e morgado de Vilarinho, que lá chamam Vilarinhos, no plural, e neta paterna de Manuel Couceiro, senhor do referido morgado, e de sua mulher D. Leonor Cardoso Ribeiro, filha de Lançarote Ribeiro, fidalgo da Casa Real, e da família dos Ribeiros, de Aveiro. Manuel Couceiro era filho de Lucas Couceiro, que viveu em Coimbra e Casou em Vilarinho com D. Mariana de Portugal, filha de Simão Rodrigues Portugal, de Montemor-o-Velho, e de sua mulher D. Maria Francisca, de Tavarede. Lucas Couceiro era filho de Jorge Couceiro de Eça, capitão de ginetes no tempo de D. Afonso V, casado em Viana da Foz do Lima com D. Helena de Alvim, etc., etc., pois vou escrevendo em resumo. Filho:

Luís Lançarote Couceiro que casou com D. Maria Coelho, filha do Dr. José Coelho, de Esgueira, e de sua mulher D. Antónia Rodrigues Lançarote, filha de António Lançarote.

Como se vai vendo não dá certo o que eu escrevi com o que traz o Elucidário. Matias André Roulão, casado com  / 109 / Maria Lançarote, é dado arriba como filho de Pedro Roulão e no que escrevi é dado como de Tomé André, o velho. Este Tomé André casado duas vezes, a primeira com Catarina Dias, é dado no Elucidário como irmão de Matias André Roulão.

Ora eu segui o que escreveu o capitão-mor de Aveiro, LUÍS DA GAMA, que de perto deveria ter conhecido a família, que cita datas, que consultou os livros findos, pelo menos os de Aveiro que compulsou documentos da casa, etc.

É muito possível que nas suas informações tenha caído em erros, não o duvido, mas tinha elementos que faltariam ao linhagista moderno, que escreveu o artigo sobre os Couceiros referindo-se especialmente à linhagem de Henrique Mittchell de Paiva Cabral Couceiro, que tanto se celebrizou nos acontecimentos políticos de Portugal depois da implantação da República em 1910, como já antes se notabilizara como militar e colonial.

Mas não é só esta discrepância que encontro entre os dois trabalhos. Outras há, e importantes, mas falta-me agora a pachorra para levar mais longe esta investigação, especialmente pelas linhas dos Roulões e dos Couceiros.

Se surgir oportunidade, para outra vez será.

FRANCISCO DE MOURA COUTINHO

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(1) Desta D. Isabel de Figueiredo de Leão e de Luís Pinheiro de Morais e Mariz nasceu D. Francisca Antónia de Figueiredo que casou com António José da Rocha, de Ílhavo, em 6 de Janeiro de 1749, com descendência que vem até à actualidade, (Nota de ROCHA MADAHlL).

(2) A propósito se recorda que Pericão era o apelido de um dos artistas escultores que de França vieram para Coimbra com o célebre João de Ruão trabalhar nas obras do Mosteiro de Santa Cruz. Veja-se a Inquirição do Mosteiro a respeito dos colégios feita perante o seu consultor eclesiástico o cónego Ambrósio de Sá, de 1560, documento do Arquivo da Universidade de Coimbra publicado pelo Doutor MÁRIO BRANDÃO a pág. 436 do 1.º vol. do seu estudo O Colégio das Artes.

Para a história da origem da familia Pericão em Portugal talvez não fosse indiferente seguir o rasto deste francês, tanto mais que em Aveiro e região existe avultado número de obras arquitectónicas e escultóricas da escola coimbrã do Renascimento. (Nota de ROCHA MADAIL.).  

(3) − Miguel Rangel, o beiço, foi provedor da Misericórdia de Aveiro na mesa de 1640 e escrivão João André Pericão. Em 1645 foi Miguel deputado na mesa desse ano.

(4)Entre as pessoas que fizeram parte da mesa da Misericórdia de Aveiro, encontro estes Migalhas: − Em 1585, como deputado, Tomé André Migalhas; em 1588 o mesmo também como deputado, mas com designação de «o velho» e com a nota de fidalgo cavaleiro; o mesmo como deputado em 1590, 1592 e 1594. Em 1599 André Afonso Migalhas, como deputado, assim como em 1601, 1606, 1611, 1621 e 1627; em 1602 aparece como escrivão e em 1622 como provedor. Em 1629 aparece como provedor o licenciado André Afonso Migalhas, em 1635, como deputado, André Afonso Migalhas; em 1657 como provedor, o beneficiado Tomé Migalhas Godinho.

(5)Formou-se em Cânones, na Universidade de Coimbra, em 1755. Era natural de Vouzela e filho de Francisco de Lemos e Barros. (Nota de ROCHA MADAHIL).

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