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O BERGANTIM
A Macedo Papança
Num bergantim doirado – audaz e temerário –
Fiz-me rumo do Amor… As brancas velas panda,
– Infladas como outrora as velas de um corsário, –
Transportaram-me, em breve, o barco àquelas bandas.
Era um país formoso! Imenso Santuário,
Pátria de virgens mil… Nas doces falas brandas,
Nos meigos corações, eu – louco visionário! –
Revia as que eu amei, Imagens Venerandas!
Amei, gozei, vivi… Depois, deixando o amor,
Sulquei de novo o Mar, em busca do caminho
Das Índias do Milhão – el-Rei nosso Senhor!...
Depois… tombei exausto! E hoje, só, com o Passado,
Deduzindo o Futuro, eu vivo tão sozinho,
Sem virgens, sem Amor, sem bergantim doirado…
Rio de Janeiro – Outubro de 1906,
FERNANDO NERY
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