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Na Rússia

NA resposta ao discurso da coroa, a Duma expôs ao czar as reclamações da Rússia, isto é, as reformas de ordem politica e social que o povo vosso julga necessarias à sua existência. Todo o mundo viu logo que o czarismo não satisfaria uma grande parte dessas reclamações por serem excessivamente radicais, mesmo para um regime verdadeiramente constitucional. Mas o que todo o mundo viu também foi a necessidade e a justiça de serem satisfeitas algumas delas – as fundamentais. Sem isso, a Duma não teria razão de existir, e a sua concessão denunciava-se logo uma autentica burla, tanto mais odiosa quanto visava a liberdade e a vida de milhões de homens.

Afinal, a expectativa geral foi iludida, O czarismo resolveu repelir todas as exigências formuladas pelos delegados do povo. Assim o declarou o governo em plena Duma, que lhe retorquiu votando por unanimidade a sua demissão imediata. É claro que o governo não se demitiu, mas, desde logo, entre ele e o parlamento ficou aberto um conflito que de dia para dia se tem agravado e ameaça tomar as mais sinistras preparações.

Acobertado com a coroa, o gabinete mantêm-se numa absoluta intransigência; por seu turno, o parlamento prossegue na sua tarefa reformadora, tendo já perdido aquela extraordinária calma que caracterizara as suas primeiras sessões, E, ao mesmo tempo, por toda a parte se ergue o grito de revolta que, aqui e alem, começa a ser escutado pela tropa.

A situação, como se vê, é grave, e só poderia talvez ser resolvida pacificamente ainda, se o governo, isto é, se a autocracia cedesse, mas como o mais provável é que não ceda, pode quase considerar-se certa e iminente uma tremenda e decisão revolução na Rússia.

 

Áustria-Hungria

O conflito austro-húngaro entrou numa fase nova, sem dúvida mais interessante do que a primeira. Como se sabe, uma das reclamações da Hungria é a autonomia económica, Assim, quando ultimamente se procedeu à revisão das pautas aduaneiras, o gabinete de Budapeste exigiu logo que a nova pauta fosse considerada não do império austro-húngaro, mas autónoma de cada uma das suas partes. E, com grande espanto de toda a gente, talvez mesmo dos próprios húngaros, o imperador Francisco José declarou estar disposto a satisfazer essa reclamação.

Toda a Áustria se levantou então e, à frente dela, o próprio governo, num movimento de protesto contra o monarca, acusando-o de alimentar as aspirações separatistas da Hungria. Para não transigir, o governo demitiu-se, e só ao fim de laboriosas negociações se encontrou para o substituir um grupo de figuras apagadas da politica sob a chefia do barão Beck / 526 /  conhecido pelas suas ideias reaccionárias

Escusado será dizer que o novo gabinete não veio para desfazer o que está feito. O imperador prometeu satisfazer a exigência da Hungria, e esta conta com isso. O papel reservado ao barão Beck é apenas o de conciliador, havendo, porém, sobejos motivos para duvidar que ele o desempenhe a contento das três partes.

 

 

A coroação de um rei

Na antiquíssima catedral de Trondhjen realizou-se, no dia 22 de Junho, a coroação do rei Haakon da Noruega. Recebidos à porta da catedral pelos bispos de Christiania, de Trondhjen e de Bergen, vestindo paramentos amarelos, e por cinquenta padres com hábitos brancos, o rei e a rainha dirigiram-se processionalmente para o interior do templo, onde estavam armados dois tronos, nos quais tomaram lugar. Terminado o sermão, proferido pelo bispo da diocese, o rei, precedido pelo generalíssimo do exercito, que empunhava a bandeira da Noruega, caminhou para o altar-mor, onde o bispo de Christiania o ungiu.

Em seguida, o presidente do conselho de ministros tomando de sobre o altar a coroa real, colocou-a na cabeça do monarca; o ministro dos estrangeiros e um bispo entregaram-lhe o ceptro; o ministro do comércio e um outro bispo, um globo; e o ministro da guerra e um terceiro bispo, a espada. Por último, o ministro da justiça pôs-lhe sobre os ombros o manto real. Estava coroado rei da Noruega Haakon VII.

Como se vê, na pátria de lbsen o rei é consagrado pelos bispos, como representantes de Deus; mas é coroado pelos ministros, como representantes do povo, recebendo das mãos deles todos os atributos do poder.

 

Franquia Universal de vintém

Um membro do Parlamento Britânico, o Sr. Heiniker Heaton, iniciou uma campanha no sentido de uniformizar ao preço de um peni (aproximadamente 20 reis) a franquia postal em todo o mundo.

As vantagens do projecto são intuitivas. As dificuldades opostas são porem, como é de prever, consideráveis. O Sr. Heaton apresenta, para as vencer, um grande numero de argumentos, entre os quais avultam as anomalias espantosas do porte.

Assim, por exemplo, uma carta de Inglaterra para França, 21 milhas de distancia, paga 2 pence e meio, ao passo que da mesma proveniência para as ilhas de Fidji, 11000 milhas, a franquia é apenas de um penny.

Mas o principal argumento consiste nos lucros consideráveis que em todos os países do mundo produzem os correios. É em vista deles, expressos na seguinte tabela, que o Sr. Heaton considera perfeitamente viável o seu projecto, sobre o qual recaem aliás as simpatias de um grande numero de personagens importantes em muitas nações do mundo civilizado, e que alguns governos têm começado a adoptar na posta intensa e colonial dos respectivos países, tendo de presenciar que outros não tardem o seguir o exemplo.

LUCRO POSTAL DAS PRINCIPAIS  NAÇÕES DO MUNDO

Francos

A1Jemanha       7ü,812,OO()

Áustria       4,77ü,00()

Bélgica      13,61'2,00(}

França       73,8ü3,00(}

Grã-Bretanha. . . . . . .. 120,UOO,00(}

Espanha. " .. . . . . . . 16,260,000

Hol1anda  5,000,000

Hungria     15,350,000

Itália ..,      4,000,000

Japão        12,700,000

Portugal   2,300,000'

ssia       7S,000,OOO

Suécia       ..,.     2,600,00(}

Turquia.. . . ..      4,950,000.

 

 

 

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