F. de Moura Coutinho, Pachecos e Cardosos da região de Aveiro, Vol. X, pp. 106-126.

PACHECOS E CARDOSOS

DA REGIÃO DE AVEIRO

A GENEALOGIA das famílias da região de Aveiro, ainda pouco e mal estudada, interessa-me particularmente porque por lá viveram alguns dos meus, e nas ramificações dessas famílias, pelos laços de casamentos e uniões, surgem parentescos com os meus e notícias que directamente me atraem a curiosidade.

O que vou escrever não deve ficar completo, pois, recorrendo a notas diversas que tenho espalhadas, é mais do que possível que alguma coisa me escapará ao coligi-las.

− Os dois irmãos André e Catarina Pacheco − vide em c) − viviam em Aveiro pelo ano de 1500. Catarina Pacheco casou e teve Leonor Pacheco − a quem seu tio André Pacheco deixou um legado − e Maria Pacheco, a quem o mesmo tio nomeia por sobrinha no seu testamento, e que casou com Bastião Migueis e tiveram uma filha a quem seu tio-avô André também deixou um legado. Desta Catarina Pacheco não sei por agora mais nada.

André Pacheco morou e viveu em Aveiro, onde faleceu em Abril de 1581; foi cavaleiro-fidalgo como consta do seu testamento que fez em Soza a 22 de Janeiro de 1580, no qual instituiu uma capela de missas a favor de seu neto Domingos Pacheco, com a condição de ele se ordenar. Casou com Isabel Afonso que, depois de viúva, também instituiu vínculo dos bens que lhe ficaram a favor de seu neto Francisco Cardoso Pacheco, morador em Esgueira. Dizem que esta Isabel Afonso fora filha de Gonçalo Afonso e neta de Afonso Gonçalves que pelo ano de 1472 viera com a princesa Santa Joana para Aveiro, onde se estabeleceu; mas desta filiação não há prova certa.

Filhos:

Filipa Pacheco Cardoso, que segue;
− André Pacheco Durazo.

/ 107 /

- Filipa Pacheco vivia em Aveiro pelos anos de 1575, como consta do livro de baptizados de Vera-Cruz e dele também consta, como das instituições atrás citadas, que casou com Francisco Cardoso, o velho, que morou em Aveiro e se presume ser dos Cardosos de S. Martinho de Mouros (Beira Alta), pois era segundo primo, ou por tal se tratava, de Tomé de Gouveia Cardoso, que era destes mesmos Cardosos, como confessou outro Tomé de Gouveia Cardoso, filho daquele, numa carta que escreveu a Sebastião Pacheco Varela, de Aveiro, e que o capitão-mor de Aveiro, LUÍS DA GAMA, copiou no tomo II dos Documentos, a fIs. 201, v.º. Note-se que o Abade de Peroselo, no título dos Cardosos de Esgueira, principiando neste Francisco Cardoso, que diz ter sido natural de Esgueira, dá-o casado com Maria Dias Cardoso.

Filhos:

Francisco Cardoso Pacheco, segue.

− O Padre Domingos Pacheco, a quem seu avô, André Pacheco, deixou vinte moios de marinha a S. Roque com uma missa de obrigação cada semana, à 6.ª feira, três mais em dia de Natal e uma pelos fiéis de Deus.

− Luísa da Anunciação, freira de Jesus de Aveiro, baptizada a 29-XI-1577.

− Isabel Pacheco, que foi dotada em 35 moios de marinha a S. Roque e nas casas da rua Direita − que lhe deixou seu avô André Pacheco − e casou com Manuel Jorge, juiz da Alfândega de Aveiro.

− Jerónima Pacheco, a quem seu avô André Pacheco nomeou a horta da Maceira e por ele é chamada para suceder na capela de seu irmão, o padre Domingos Pacheco, ou seus filhos. Casou com o licenciado Marcos de Pinho, filho de Cristóvão de Pinho.

− André Pacheco Durazo, segue em a).
− Francisca, baptizada a 13-II-1569.

− Jerónima, baptizada a 22-VII-1571.


Francisco Cardoso Pacheco, baptizado a 31-III-I574, morou em Esgueira e foi o primeiro administrador de um vínculo que instituiu sua avó Isabel Afonso e em que entraram os bens que possuía na Beira. Casou com D. Ana Maria da Silveira ou Cardoso, filha de Pedro de Oliveira e de Filipa Pacheco, naturais de Esgueira. Na igreja de Esgueira existiu a sua sepultura com o seguinte epitáfio:

«Sep.ª de Francisco Cardoso Pacheco e de sua m.er Anna Maria Cardoso.» Tinha as armas dos Cardosos e Pachecos (MONTEZ MATOSO, Memorias Sepulchraes da Lusitania).
/ 108 /

Filhos:

Francisco Cardoso Pacheco, segue.

− André Pacheco Cardoso, segue em f).

− Elena Cardoso Pacheco, segue em I).

Francisco Cardoso Pacheco, herdou a casa e viveu em Esgueira também; casou com D. Isabel Ribeiro do Amaral, de Cantanhede, filha de Gaspar Ribeiro, administrador de um morgado, e de sua mulher D. Maria Coelho do Amaral.

Filhos:
D. Jacinta Coelho do Amaral, segue.

− D. Teresa Jacinta Coelho do Amaral, que casou em Esgueira e foi a segunda mulher de meu sexto avô, o capitão Bento Pacheco Soares, que teve carta de brasão de armas em 1688, filho do capitão de mar-e-guerra António Pacheco Henriques e de sua mulher D. Juliana Soares. Bento Pacheco Soares era viúvo quando casou em Esgueira com D. Teresa. Segue em h).

− Francisco Cardoso Pacheco, s. g.

D. Jacinta Coelho Ribeiro do Amaral casou com João Gomes da Silveira Cardoso de Meneses que, depois de viúvo e de ter um filho, se fez clérigo e foi vigário de Cacia, filho de Sebastião de Almeida de Carvalho, juiz dos órfãos em Esgueira, natural de Moimenta da Beira, e de sua mulher D. Maria da Cunha da Silveira, natural de Esgueira, filha de Nicolau da Silveira de Bulhões, de Esgueira (irmão de Francisco Egas de Bulhões), e casado com D. Maria Madalena de Araújo, de Esgueira, filha de Pedro Godinho Barbosa e de sua mulher Petronilha Baptista de Araújo, pessoas de quem falarei em outra nótula deste livro, e por esta linha vão entroncar nos Godinhos de Esgueira, meus antepassados. Sebastião de Almeida de Carvalho foi familiar do Santo Ofício por carta de Abril de 1683, era filho de Rui Vaz Pinto de Figueiredo, de Mileu (Lamego), e de Brites de Almeida, de Moimenta da Beira, (irmã do bispo do Funchal, D. Gabriel de Almeida); neto paterno de Lourenço Cardoso de Meneses, de Mileu, freguesia da Corredoura, Lamego, e de D. Violante de Figueiredo, − neto materno de Sebastião de Almeida de Carvalho, de Moimenta da Beira, e de sua segunda mulher D. Brites Morgado. Nicolau da Silveira de Bulhões era filho de Álvaro Egas de Bulhões, de Esgueira, neto de Pedro Egas de Bulhões, senhor do morgado dê Mataduços que foi instituído por Vasco Gomes de Bulhões, monteiro-mor de D. Dinis. A mulher de Álvaro Egas de Bulhões chamava-se Isabel de Oliveira e era de Esgueira.
/ 109 /

Filho único:

Mateus da Silveira Cardoso de Meneses, senhor de toda a casa de seus pais, viveu na sua quinta de Arada, onde casou com D. Catarina Bernarda Barbosa de Quadros Rangel, filha herdeira de António Barbosa de Novais Bacelar, capitão-mor de Ançã, e de sua mulher D. Antónia da Veiga Cardoso de Quadros. A respeito da ascendência destes, e que pelos Cardosos de Albergaria entroncavam na minha família pelos Soeiros de Albergaria, ver o meu livro Mouras Coutinhos de Esgueira, voI. 3.º, pág. 69, e vide também o título dos Novais, L.º 4, fls. 225, do nobiliário do capitão-mor de Aveiro, LUÍS DA GAMA.

Filhos:

− João Agostinho Barbosa da Silveira, que morreu solteiro deixando um filho natural chamado João da Silveira que não foi reconhecido.

− D. Antónia Ana, que morreu solteira e de avançada idade.

Francisco José Barbosa da Silveira Cardoso de Meneses, segue.

Francisco José Barbosa da Silveira Cardoso de Meneses sucedeu, por morte de seu irmão João, a todos os vínculos e prazos da casa de seus pais e morreu de uma apoplexia em 16 de Janeiro de 1803. Casou com sua prima D. Maria Isabel Rangel de Quadros, filha de António Rangel de Quadros de Moura e de sua mulher e prima D. Joana Margarida de Rangel de Quadros, dos Rangeis de Quadros de Aveiro, gente de nobres tradições de Aveiro, e das principais famílias. Filhos, por agora com incompleta referência:

− António, que morreu de um ano.

− Agostinho Barbosa de Novais, que morreu em 6-7-1801, sem geração.

− João Agostinho, que nasceu em Fevereiro de 1788.

− D. Maria Emília.


a)

André Pacheco Durazo, ou André Pacheco Cardoso, que o capitão-mor Luís DA GAMA faz filho de Filipa Pacheco e de seu marido Francisco Cardoso, faleceu em Aveiro, diz ele, e vivia na rua de S. Roque, onde morreu em 13-3-1623, e outra notícia, diz o referido capitão-mor, fá-lo filho de André Pacheco, irmão da Filipa. Casou em Janeiro de 1589, / 110 / como consta do livro dos recebimentos da igreja de Vera-Cruz, com Filipa Varela, que morreu a 23 de Julho de 1622, filha de Afonso Gonçalves de Barros e de sua mulher Custódia Varela, esta falecida em 20-8-1591 e moraram na mesma rua de S. Roque, o que também consta do livro de óbitos da mesma freguesia.

Filhos:

− Baptista, baptizado a 11-3-1591, de quem foi madrinha Maria de Barros, irmã de sua mãe.
− Tomás Pacheco, baptizado a 15-2 1593.
− Sebastião Pacheco Varela Durazo, que segue.
− Custódia Varela, baptizada a 12-2-1597.
− Maria Pacheco, baptizada a 29-8-1599, de quem foi madrinha sua tia Jerónima Pacheco.
− Domingos Pacheco, baptizado a 11-8-1604, que segue adiante em b).
− Adriano, baptizado a 10-3-1609.

Sebastião Pacheco Varela Durazo foi baptizado a 22-1-1595 e foi seu padrinho Roque Varela, seu tio, irmão de sua mãe; foi capitão, cavaleiro da Ordem de Cristo, viveu algum tempo em Lisboa, onde casou, e dizem que a furto trouxera a mulher nas ancas do cavalo. Casou com Isabel Cardoso Henriques de Gouveia, de Lisboa, filha de Francisco Henriques e de sua mulher Maria Dias Cardoso, da freguesia de N.ª S.ª dos Mártires.

Filhos:
Manuel Pacheco Varela, segue.
− Roque Varela, parece que foi baptizado a 15-8-1624, e de que foi padrinho outro Roque Varela.
− André Pacheco Varela, baptizado a 10-6-1627.
− Custódia Varela, baptizada a 26-11-1628.
− Roque Varela Durazo, baptizado a 21-6-1631; casou com uma sua parente, Maria da Cunha de Azevedo, filha de Diogo da Cunha de Azevedo e de sua mulher Filipa Pacheco Cardoso, de quem adiante falarei, c. g.
− Filipa, baptizada em 19-1-1633.
− Isabel, baptizada em 19-4-1634.
− D. Luísa Pacheco Varela, baptizada a 11-9-1635, que casou em Nespereira com Álvaro de Albuquerque e Brito, c. g.
− Francisca, baptizada a 20-2-1637.
− Jacinta, baptizada a 28-8-1639.
− Simão, baptizado a 1-11-1640.
− Joana, baptizada a 28-2-1642.
− Teresa, baptizada a 2-11-1643.
/ 111 /

Manuel Pacheco Varela foi baptizado a 9-11-1621 e morreu a 17-5-1678; foi capitão de cavalos da ordenança de Aveiro e parte de Esgueira, e ultimamente mestre de campo de volantes, posto que exerceu até morrer. Casou com D. Bárbara Pereira dos Serafins, irmã de João Pereira de Carvalho, prior de Palmaz (?) − filhos de Gaspar dos Reis Vidal, familiar do Santo Ofício, natural de Arrancada, e de sua mulher Antónia Pereira de Carvalho, natural de Aveiro, onde viviam.

− Filhos:

− Sebastião Pacheco Varela, cavaleiro da Ordem de Cristo por alvará ou padrão de 12-12-1678 e pessoa de grande esfera e raro talento. Nunca quis casar e por fim ordenou-se. Sem geração, segue em d).

− António Varela Pacheco, que morreu afogado na passagem do Douro em Trás-os-Montes, s. g., mas teve bastardos − e).

− D. Custódia Pereira, baptizada a 4-9-1669, morreu solteira.
− D. Mariana Pereira Varela, baptizada a 26-7-1671, foi a herdeira por morte de seus irmãos e casou com Miguel Rangel de Quadros e Veiga. Segue em k).

Teve, Manuel Varela Pacheco, em Ana Gaspar, mulher solteira: − Francisco, baptizado a 21-3-1664.


b)

Domingos Pacheco, filho de André Pacheco Durazo, da página anterior, foi baptizado a 11-8-1604 e, pela computação dos tempos, parece que casou com Filipa Neto.

Filhos:

Filipa Neto Pacheco, baptizada a 30-9-1627, segue.
− Francisco, baptizado a 26-11-1628.

Teve ilegítimo, em uma criada da casa de seu pai, chamada Domingas, a: Domingos, baptizado a 3-6-1620.

Filipa Neto Pacheco, acima, morreu a 9 de Julho de 1660 e casou a 12 de Fevereiro de 1643 com António de Valadares, de Angeja; viveram e morreram em Aveiro.

Filhos:
− Maria, baptizada a 15 6-1644
− Maria, baptizada a 30-3-1649
− Francisco, baptizado a 18-10-1652.
/ 112 /
− Jacinta, baptizada a 16-1-1655.
−Gaspar, baptizado a 30-5-1658.
− António, baptizado a 21-4- 1660.


c)

Catarina Pacheco foi irmã de André Pacheco, em quem principia este guisado genealógico; consta do testamento do mesmo André Pacheco que o capitão-mor de Aveiro, LUÍS DA GAMA, copiou no tomo 2.º dos «documentos».

Casou e teve:
− Leonor Pacheco, a quem seu tio André deixou legado.
Maria Pacheco, segue.


Maria Pacheco, que se julga ser irmã de Leonor Pacheco pois André Pacheco a nomeia por sobrinha no mesmo testamento acima referido, onde diz que ela casou com Bastião Migueis.

Filha:

− N... a quem o citado André deixou um legado.


d)

Sebastião Pacheco Varela, filho de Manuel Pacheco Varela e de D. Bárbara Pereira dos Serafins, foi cavaleiro da Ordem de Cristo por alvará de 12-12-1678; não quis casar, e antes de se ordenar teve amores com Francisca Teresa, mulher solteira com a linda alcunha de «Pingalha», de quem houve os seguintes filhos ilegítimos:

− Sebastião Pacheco Varela, que morreu solteiro.
− Caetano Pacheco Varela, segue.
− Caetano Pacheco Varela, que casou duas vezes; a segunda com uma irmã do Dr. Manuel Tavares, da Ermida, de quem teve:

− João António Pacheco Varela, clérigo, formado em cânones.
− José Pacheco Varela.
− Ana, que casou na Beira.
− Angélica, que casou com Manuel Lopes dos Santos, escrivão geral em Aveiro.
/ 113 / [VoI. X - N.º 38 - 1944]

O primeiro casamento de Caetano Pacheco Varela foi com Mariana Luísa, de quem foi filho:

Sebastião Pacheco Varela, segue.

Sebastião Pacheco Varela foi formado e advogou nos auditórios de Aveiro. Casou duas, vezes, a primeira com D. Maria Narcisa de Sá, filha de Pascoal de Sequeira Ferraz e de sua mulher D. Narcisa Maria, sem geração. Casou segunda vez com Joana Bernarda, filha de Lourenço dos Santos e de sua mulher Ana Luísa.

Filhos:

− Fr. Félix Pacheco, frade da Ordem terceira.
− Joaquina Pacheco Varela, que casou com o capitão de navios N.... c. g.
− Brites Pacheco Varela, solteira.
− Frei João de Santa Rita, frade carmelita descalço.
− Frei José de Santa Rita, frade domínico em Roma.
− Ana.


e)

António Varela Pacheco, filho de Manuel Varela Pacheco e de sua mulher D. Bárbara Pereira dos Serafins, morreu afogado, como disse, no rio Douro, em Trás-os-Montes. Não casou; não casou, mas teve filhos de uma tal «Vassala» de alcunha, que assistia no Alboi:

− António Varela Pacheco, que foi para a Índia, onde morreu.
Sebastião Varela Pacheco, que segue.


Sebastião Varela Pacheco casou com Antónia Esmeralda, que morou no Rossio de Aveiro.

Filhos:

− Micaela, solteira.
− José Varela Pacheco, que foi para o Porto e lá casou, não se sabendo se teve geração.
Joana VareIa, segue.

Joana Varela casou com Jerónimo de Magalhães, filho bastardo de outro Jerónimo de Magalhães, e foi seu filho:

− Fernando de Magalhães, que não sei se casou / 114 /


f)

André Pacheco Cardoso, diz o Abade de Peroselo, que foi filho de Francisco Cardoso e Filipa Pacheco (Filipa Cardoso, diz o capitão-mor de Aveiro, que foi a mulher de Francisco Cardoso, o velho; o abade não lhe cita a mulher).

O capitão-mor diz que era filho do referido Cardoso Pacheco e de sua mulher D. Ana Maria. Viveu em Esgueira, e, segundo um apontamento meu, casou com Branca Coelho do Amaral, de Esgueira. O capitão-mor de Aveiro dá-lhe duas filhas:

D. Maria Pacheco (Maria Coelho lhe chamava o abade de Peroselo), que segue.

− D. Filipa Pacheco Cardoso (não citada pelo abade) que casou com Diogo da Cunha de Azevedo. Segue em g).

O Abade cita-lhe mais:

− O licenciado Luís Coelho Cardoso; segue nas notas em m).

− Fr. Francisco de S. Bernardo.
− Branca Coelho, freira.

D. Maria Pacheco Cardoso, diz o capitão-mor de Aveiro, casou-se com Manuel Gomes Faia, filho de Manuel Gomes Faia e de sua! mulher D. Isabel de Figueiredo de Leão. Este Manuel Gomes Faia, morador em Esgueira, governador das armas das companhias das ordenanças, teve carta de brasão de armas em Janeiro de 1651 (vide n.º 360 dos Brasões Inéditos, de JOSÉ MACHADO); foi filho de Bartolomeu Afonso Picado e de sua mulher Maria de Basto; neto paterno de outro Bartolomeu Afonso Picado e de sua mulher Isabel Dias Saraiva, moradores em Aveiro; e neto materno de André Pires Feio e de sua mulher Margarida Rodrigues Basto, moradores em Esgueira. Foram irmãos de Manuel Gomes Faia: João André Feio, André Pires Feio, Cristóvão Feio, que serviram na Índia, sendo capitães de navios e fortalezas, diz a carta que lhes deu as insígnias dos Faias, Afonsos, Bastos e Feios. O capitão-mor de Aveiro só dá a D. Maria Pacheco Cardoso uma filha:

D. Isabel de Leão, que o abade chama D. Isabel Coelho, que se segue.
− O abade de Peroselo dá-lhe mais:
− D. Maria de Leão, mulher de João de Brito Cação de Lima (primeiro casamento deste) filho de Francisco
/ 115 / de Brito Cação de Lima, e sua mulher D. Antónia da Fonseca Rebelo, c. g.
− D. Joana, sem geração.
 

D. Isabel de Leão, ou Coelho, casou em Esgueira com Gabriel de Almeida de Carvalho, que morreu em 1755, filho de Sebastião de Almeida de Carvalho, juiz dos órfãos em Esgueira, natural de Moimenta da Beira, e de sua mulher D. Maria da Cunha da Silveira, de Esgueira, filha de Nicolau da Silveira Bulhões, de que já para trás falei.

Filhos:
Gabriel Nicolau de Almeida de Carvalho, que segue.
− Lourenço António de Almeida de Carvalho, que foi clérigo e viveu em Esgueira, tendo duas filhas ilegítimas: D. Joana, que morreu solteira, e D. Angélica de Almeida de Carvalho, também de Esgueira, que casou com João Pedro Migueis, seu conterrâneo, e teve geração.
− D. Maria Vitória de Figueiredo de Leão, abadessa de Sá em Aveiro.
− D. Joana de Figueiredo Leão, que morreu solteira.

Gabriel Nicolau de Almeida de Carvalho, viveu em Esgueira e casou com sua prima D. Úrsula de Almeida da Silveira, filha de Bento de Almeida Cabral e de sua segunda mulher D. Joana da Silveira, que era filha do sobredito Sebastião de Almeida de Carvalho, com geração.


g)

D. Filipa Pacheco Cardoso, filha de André Pacheco Cardoso e de Branca Coelho do Amaral, casou com Diogo da Cunha Azevedo, que teve o foro de fidalgo da Casa Real com 750 réis de moradia e o competente alqueire de cevada por dia «por alvará escrito por Belchior de Andrade em 18 de fevereiro de 1639» − diz o capitão-mor de Aveiro −, filho de Jerónimo da Cunha Azevedo, senhor da quinta do Mato, e de sua mulher Maria Gomes Loureiro, e neto paterno de António da Cunha, o velho, filho de Bento da Cunha e de D. Antónia de Pina, senhores do morgado do Papo de Perdiz, instituído em 6 de Junho de 1423, cuja capela está na igreja de S. João de Almedina de Coimbra. A quinta do Mato é em S. Martinho de Salreu.

Filha:
Maria da Cunha de Azevedo, segue.
/ 116 /

D. Maria da Cunha de Azevedo casou em Aveiro com o seu parente Roque Varela Pacheco, filho de Sebastião Pacheco Varela Durazo e neto do referido André Pacheco Durazo e sua mulher Filipa Varela.

Filhos:

− Isabel de S. José e Mariana da Glória, freiras em Jesus de Aveiro.
− Sebastião Pacheco Varela da Cunha, juiz de fora. em Aveiro, superintendente dos tabacos em Trás-os-Montes e morreu Corregedor em Pinhel em 3-9-1701 ou 702. Sepultado em S. Francisco. Sem geração.
− Filipa Teresa do Espírito Santo e Luísa Josefa da Assunção; freiras em Sá de Aveiro.
João de Azevedo Varela e Cunha, segue.
− Fr. Diogo de Santa Maria, frade em S. Domingos.
− D. Francisca Maria da Cunha.
− D. Inês Sofia Varela.

João de Azevedo Varela e Cunha, casou com D. Micaela Maria Barbosa da Fonseca, filha de Santos Barbosa de Sá e de sua mulher D. Escolástica Bernardes «e foi o dito Santos Barbosa de Sá filho de António Correia de Sá e de Maria Barbosa Reimão, neto paterno de Manuel Correia de Sá, natural da quinta da Taipa e de Francisca de Vila Lobos, natural da quinta de Miragaia, freguesia de Travanca, bisneto de Francisco Correia, natural de Outeiro, freguesia de Sardoura, e de Teresa de Sá, natural da quinta da Taipa; terceiro neto de Francisco de Sá, cavaleiro-fidalgo, da quinta da Taipa, e de Antónia Velho, natural da quinta do Barrai. E pela parte materna é o dito Santos Barbosa de Sá neto de Francisco António de Carvalho, natural de Nações (?) e de Maria Barbosa, filha esta de Gaspar Barbosa e de Antónia Velho, ele natural da quinta do Barrai e ela natural de Vila Verde; .3.º neto de Francisco Barbosa, morador na quinta do Barrai, e de Antónia Velho da freguesia de Sardoura. E D. Escolástica Bernardes, mulher do dito Santos Barbosa, foi filha de Gonçalo da Fonseca Coutinho, filho de Pedro da Fonseca, oriundo da casa de Águas Santas e de Maria Rebelo, oriunda de Fonte Arcada; e o dito Gonçalo da Fonseca foi casado com Maria Bernardes oriunda de Abkhazes e filha de Diogo da Silva Homem, cidadão, e de D. Ângela Bernardes Pinto, oriunda da Lagar iça e Tendais» − vê-se escrito no genealógico do capitão-mor de Aveiro.

Filhos:
− José, nasceu a 21-9-1722.
− Sebastião Alberto, nasceu a 8-4-1724.
− João Roque, nasceu a 28-2-1726.  
/ 117 /

h)

D. Teresa Jacinta Coelho do Amaral, filha de Francisco Cardoso Pacheco e de sua mulher D. Isabel Ribeiro do Amaral, casou, como já se disse, com Bento Pacheco Soares, capitão e fidalgo de cota de armas, já viúvo de D. Maria Gomes Godinho e, com esta, meus sextos avós.

Filhos deste segundo casamento:

− Bento Pacheco Soares, s. g.
D. Josefa Jacinta Cardoso Soares Castelo Branco, segue.


D. Josefa Jacinta Cardoso Soares Castelo Branco, senhora dos prazos da Conceição e Perrães que lhe deixou seu tio João de Figueiredo Castelo Branco, casou com Tomé de Moura Coutinho de Almeida de Eça, nascido em Esgueira a 8-4-1678, fidalgo de geração, senhor dos morgados de N.ª S.ª da Lapa, em Condeixa, do prazo de Alaquela e reguengo de Eixo, da capela de Alquerubim e da casa de Esgueira (1.º ramo), filho de Manuel de Sequeira Coutinho, morgado de N.ª S.ª da Lapa em Condeixa, e de sua mulher D. Angélica de Almeida de Eça, de Esgueira, e senhora da restante casa supra mencionada.

Filhos:
− D. Violante de Moura Coutinho de Almeida de Eça, que morreu solteira.
− António de Moura Coutinho de Almeida de Eça, que morreu novo.
D. Angélica de M. C. de Almeida de Eça, segue.
− D. Brites Angélica de M. C. de Almeida de Eça, segue em i).
− D. Josefa Angélica de M. C. de Almeida de Eça, segue em j).


D. Angélica de Moura Coutinho de Almeida de Eça, nasceu em Esgueira em 1720 e faleceu a 30 de Abril de 1743; casou com Baltasar de Sousa Colmieiro de Teles Távora, ;fidalgo cavaleiro, cavaleiro professo da Ordem de Cristo, familiar do Santo Ofício, comissário da Mesa da Consciência e Ordens, capitão do regimento de dragões da Beira-Baixa, filho de António Colmieiro de Morais, fidalgo cavaleiro, professo da Ordem de Cristo, senhor do morgado de S. Vicente de Vinhais, de onde era natural, e de sua mulher D. Angélica Maria de Sousa Teles de Távora, de Lisboa, e da primeira fidalguia do seu tempo. BALTASAR DE SOUSA COLMIEIRO 
/ 118 / era natural de Bragança e o linhagista a que por vezes me tenho referido neste e em outros livros.

Filhos:
Xavier Francisco de Sousa Colmieiro de Teles Távora Coutinho, segue.
− Baltasar de Sonsa Colmieiro de Teles Coutinho, morreu novo e sem geração.
− D. Angélica Maria de Sousa Teles Coutinho, idem.


Xavier Francisco de Sousa Colmieiro de Teles Coutinho herdou de sua mãe o morgado de N.ª S.ª da Lapa em Condeixa e a demais casa e casou em Aldegalega com D. Rosa Margarida Fortunato de Sousa Falcão e tiveram uma filha única, D. Angélica Violante de Sousa Colmieiro de Teles Coutinho, herdeira de toda a casa, que casou com Salvador Manuel da Rocha Tavares Pereira, senhor dos morgados de S. Martinho de Argoncilhe, Castelões, Pigeiros, da quinta e paço de Pereira, na Vila da Feira, e da casa de Ovar, filho herdeiro de Manuel Alberto da Rocha Tavares Pereira e de sua mulher D. Brites Margarida Pacheco Soares de Albergaria. Nesta linha se continuou a casa dos Mouras Coutinhos de Esgueira, primeiro ramo, e como toda esta linhagem está explicada nos meus livros, inútil se torna repeti-la.


i)

D. Brites Angélica de Moura Coutinho de Almeida de Eça, filha de D. Josefa Jacinta Cardoso Soares Castelo Branco e de Tomé de Moura Coutinho, nasceu em Esgueira em 24 de Maio de 1727. Casou três vezes, a primeira com Tomás Borges de Morais Rebelo, de S. João da Pesqueira, fidalgo da Casa Real, senhor dos morgados de Macieira, Vidigal e Fonte Arcada, padroeiro do convento de S. Cornélio de Lisboa, cavaleiro-professo da Ordem de Cristo, filho de Miguel Rebelo de Sousa, senhor dos referidos morgados, e de sua mulher D. Ana de Morais, c. g. Casou segunda vez com Inácio Barbosa Canaes de Abreu, juiz de fora em Anciães e «enviuvando veio para o Porto, para casa da filha, onde por amores casou com um homem que cortava cortiça.»

Filha única do primeiro matrimónio:

Maria Tomásia de Sousa Eça de Morais Rebelo, herdeira de seus pais, casou a primeira vez no Porto com Custódio dos Santos Alvares de Brito, cavaleiro da Ordem de Cristo, homem de negócios, e a segunda vez casou com o seu primo Dionísio de Moura Coutinho de Almeida de Eça, capitão-mor de Esgueira e Arada, cavaleiro professo da Ordem
/ 119 / de Cristo, etc., meu bisavô, que depois de viúvo tornou a casar e deste segundo matrimónio vem a geração que deixou.

 

j)

D. Josefa Angélíca de Moura Coutinho de Almeida de Eça, filha de D. Josefa Jacinta Cardoso Soares Castelo Branco e de Tomé de Moura Coutinho de Almeida de Eça, casou com o seu primo Álvaro Coelho de Figueiredo e Vasconcelos, filho de Tomé de Moura Coutinho Coelho de Figueiredo e de sua mulher D. Mecia Josefa de Berredo Pinto. D. Josefa foi dotada por sua mãe, em escritura de que tenho traslado, em Fevereiro de 1754, com o morgado de Perrães, pelo muito gosto que tinha neste casamento.

Filhas:

− D. Joana Angélica, casou em Vouzela com João Homem Teles de Sampaio, nobre de geração, que morreu em 31-1-1826. S. g.
D. Angélica Leonor de Moura Coutinho de Almeida de Eça, que se segue.
− D. Maria Benedita de Moura Coutinho de Almeida de Eça, que, parece, morreu solteira.
− D. Ana, idem.


D. Angélica Leonor de Moura Coutinho de Almeida de Eça, casou em Vouzela a 13 de Fevereiro de 1779 com José Homem Teles de Sampaio, irmão de seu cunhado João Homem, senhor da casa de Valgôde, fidalgo da Casa Real (filho e herdeiro de Cláudio José Homem Teles de Sampaio, fidalgo da Casa Real, senhor da casa de Valgôde em Vouzela, que morreu, em 19 de Junho de 1800). Ela faleceu em Vouzela a 31-3-1797 e ele, na mesma vila, a 15-12-1845.

Filhas:
− D. Joana Felícia de Moura Coutinho, que casou a 22-1-1828 com Marcelino Teles de Malafaia Freire de Almeida de Mascarenhas, fidalgo da Casa Real, cavaleiro professo da Ordem de Cristo, senhor da casa de Serrazes, perto de Vouzela, e tiveram uma só filha que morreu antes ou depois da mãe, o que originou entre os herdeiros um pleito judicial. Marcelino Teles de Malafaia casou segunda vez e dessa mulher teve geração.
D. Maria Benedita de Moura Coutinho Teles de Sampaio, segue.

D. Maria Benedita de Moura Coutinho Teles de Sampaio, casou com António Correia de Lacerda Lebrim e / 120 / Vasconcelos, senhor da casa de Beirós, em S. Pedro do Sul, filho de Francisco Correia de Lacerda, senhor da referida casa, e de sua mulher D. Ana Violante Coutinho de Vasconcelos.

Filhos:

− D. Matilde Correia de Lacerda, que casou com Pedro de Aragão da Costa Tavares Roeda da Vitória, filho primogénito dos segundos barões de Tondela. C. g.
− José Corrêa de Lacerda Moura Teles Lebrim Brandão de Castelo Branco, senhor da casa de Beirós, que casou D. Maria Amélia da Cunha Coutinho e Lemos, descendente da casa da Trofa. C. g.
− Dr. Francisco Correia de Lacerda, bacharel em Direito.
− D. Joaquina Correia de Lacerda, nasceu em Beirós a 5 de Janeiro de 1816 e casou a primeira vez a 1-12-1845 com Agostinho Pedroso de Magalhães Castelo Branco, e a segunda vez com António dos Santos, que parece ter sido feitor da casa, ou coisa equivalente. S. g.
− Paulo Correia de Lacerda Lebrim de Moura Teles, nasceu em Beirós a 18-2-1819 e morreu a 18-6-1905, tendo casado com D. Caetana Luísa de Almeida e Vasconcelos, irmão do primeiro marquês de Reriz. Além de outros foi sua filha D. Maria da Piedade Correia de Lacerda de Almeida e Vasconcelos, que nasceu a 4-1-1857, terceira marquesa de Belas pelo seu casamento. C. g.
− D. Ana Violante Correia de Lacerda, casou com o Dr. Álvaro Vaz de Seabra, da família do célebre José de Seabra da Silva, senhor da casa de Lourosa em Santa Cruz da Trapa.

Mencionei, muito resumidamente a larga geração de D. Josefa Angélica de Moura Coutinho de Almeida de Eça porque toda está minuciosamente mencionada nos meus livros da geração da casa.

Mais filhos de D. Maria Benedita e de seu marido António Correia de Lacerda:

− António Correia de Lacerda, faleceu solteiro.
− D. Henriqueta Túlia, idem.
− Dr. João Correia de Lacerda, bacharel em Direito, idem.


k)

D. Mariana Pereira Varela, filha de Manuel Varela Pacheco, mestre de campo de volantes, e de sua mulher D. Bárbara Pereira dos Serafins de Carvalho, casou com / 121 / Miguel Rangel de Quadros e Veiga, baptizado a 7-4-1665 e falecido a 16-4-1701; jaz em S. Miguel de Aveiro, foi almoxarife da rainha nas comarcas de Esgueira e Aveiro e teve e hábito de Cristo, sucedendo no morgado e casa de seu pai. Filho de António Rangel de Quadros e Veiga, senhor do morgado instituído por sua tia Brites Rodrigues e foi o terceiro chamado no vínculo de N.ª S.ª da Guia, e de sua mulher D. Ana da Veiga Cardoso de Albergaria, filha de Manuel Soeiro de Albergaria e de sua mulher D. Antónia da Veiga Cardoso de Carvalho. Descendo também destes Soeiros de Albergaria, e a genealogia desta prole fica discriminada no volume III dos meus livros sobre os Mouras Coutinhos de Esgueira.

Filhos:

João António Rangel de Quadros Varela, baptizado a 14-7-1700 teve o hábito de Cristo e a propriedade de juiz e almoxarife da rainha nas comarcas de Esgueira e Aveiro; sucedeu em toda a casa de seu pai e casou em Aveiro com sua prima D. Brites Rangel de Quadros, filha de Manuel de Castanheda de Cabral de Moura e Horta e de sua tia D. Maria Custódia Rangel de Quadros. Sem geração. De uma mulher chamada Teresa da Rocha que foi sua criada (e que depois casou com um criado também da casa chamado Jerónimo da Trindade), teve um filho bastardo, que reconheceu, que se chamou:

João Rangel Varela, capitão de auxiliares do terço de Aveiro. Casou a 25-8-1762 com D. Ana Joaquina de Anhaya Madahil, filha do Dr. João Bernardo Migueis Corrales e de sua mulher D. Teresa Bernarda de Anhaya Madahil.

Filhos:
− João Rangel de Quadros, seguindo a Universidade, morreu moço a 15-12-1787, s. g.
− José Rangel, morreu de 7 anos a 31-7-1779.
− Miguel Rangel, clérigo, morreu a 6-4-1807.
− António Rangel, morreu criança a 14-12-1772.
− Manuel Rangel de Quadros, baptizado a 7-11-1773, seguiu a Universidade.
− D. Maria Rangel, baptizada a 11-3-1777.
− António Rangel, baptizado a 26-8-1782.
− D. Ana Rangel, baptizada a 22-11-1784.

D. Brites Isabel Varela de Quadros Rangel, segue.

− D. Brites Isabel Varela de Quadros Rangel, baptizada a 26-11-1693, sucedeu na casa a seu irmão João António por / 122 / falta de sucessão legítima nos vínculos da casa de seus pais, tendo casado com o seu parente Simão Pedro da Costa e Távora Monteiro de Almeida, administrador da capela dos Santos Mártires de Aveiro, filho de Manuel Jorge da Costa Côrte-Real e Almeida, administrador da mesma capela e cavaleiro da Ordem de Cristo, e de sua segunda mulher Joana de Távora da Silva Monteiro (a primeira foi Mónica da Cunha Rebelo), filha de Miguel da Silva Chamorro, de Águeda, e de Mariana de Távora Veloso, de Góis.

Filhos:

− Manuel, morreu moço.
− D. Mariana Joaquina Rangel de Quadros, casou com Miguel Patrício Cabral Rangel de Quadros, seu parente, filho de Manuel Castanheda Cabral de Moura e Horta e de D. Maria Custódia Rangel de Quadros e Veiga. Com geração, entre a qual a dos senhores da quinta de S. Silvestre, em Coimbra, Cabrais de Moura Coutinho de Vilhena.
− D. Catarina Joana, freira no convento de Sá em Aveiro.
− D. Joana Margarida, casada com seu tio António Rangel de Quadros Cabral Castanheda e Horta, com geração.
− D. Maria Francisca, morreu menina.
− D. Ana Norberta, morreu em 1792 recolhida no convento de Sá.
− D. Teresa Joana, baptizada a 26-6-1729 em S. Miguel; morreu donzela a 26-6-1792.
− Fr. João Rangel, monge de Alcobaça e mestre de teologia.
− D. Brites Maria, morreu solteira em 1800.
António Veríssimo, segue.
− Miguel Rangel, formou-se em Coimbra. Morreu a 16-1-1764.
− José Leandro; morreu a 31-1-1786.


António Veríssimo da Costa Monteiro Rangel de Quadros, administrador da capela dos Santos Mártires, casou com D. Inês Margarida Coronel de Vasconcelos; filha de Romualdo de Almeida Matoso da Silveira, da casa de Oliveirinha (Aveiro), e de sua mulher D. Joana Inácia Coronel de Vasconcelos. Tiveram um filho, Miguel, e a geração continuou como expus a fl. 35 do meu livro Mouras Coutinhos, de Esgueira, volume III.
/ 123 /

l)

Helena Cardoso Pacheco, filha de Francisco Cardoso Pacheco e de Ana Maria da Silveira, casou com José de Barros da Silveira, de Esgueira, filho de Gregório de Barros de Azevedo, de Arouca, e de sua mulher D. Joana da Silveira Bulhões, ou Novais. Ambos foram sepultados na igreja de Esgueira e o epitáfio dizia: «Sep.ª de Gregorio de Barros e Azevedo, e de sua m.er Joana da Silveira Novais e de seus herdeiros. 1635». Tinha o brasão de armas dos Azevedos e Barros (Memorias Sepulchraes, de MONTEZ MATOSO). Gregório de Barros era filho de Jácome de Barros de Escobar, de Arouca, e de Maria de Azevedo de Abreu, também de Arouca. Joana da Silveira era filha de Nicolau da Silveira, Bulhões, de Esgueira, e de Maria Moreira Barbosa.

Filhos (que eu saiba; poderia ter havido outros):

Francisco de Barros da Silveira, segue.
− D. Maria de Barros de Azevedo, de Esgueira, casou com António Resende de Paiva, de S. Tiago de Beduído, filho de Domingos de Resende, de Oliveira de Azeméis, e de sua mulher Antónia de Paiva, de S. Tiago de Beduído; neto paterno de Domingos Bastos, de Oliveira, e de Maria Henriques, também de Oliveira de Azeméis; neto materno de António de Paiva e de Maria Dias, de S. Tiago de Beduído. D. Maria de Barros de Azevedo foi sepultada na igreja de Esgueira e o epitáfio assim rezava: «Sep.ª de Antonio d'Azevedo e Paiva, e de sua mulher M.ª de Barros e Azevedo q. faleceu no ano de 1681». Tinha as insígnias heráldicas dos Resendes, Barros, Azevedos e Paivas (Memorias Sepulchraes, de MONTEZ MATOSO).

Filhos:

− José de Barros da Silveira, familiar do Santo Ofício, natural de Esgueira, que casou com D. Francisca da Silveira de Eça, de Esgueira, filha de Manuel de Sequeira Coutinho, morgado de N.ª S.ª da Lapa, em Condeixa, e de sua mulher, D. Angélica de Almeida de Eça, senhora da casa de Esgueira, meus quintos avós. D. Francisca, depois de viúva, tornou a casar com o seu parente Félix Pereira de Eça. Sem geração de ambos.
− Fr. Domingos de Resende, religioso de S. Domingos.
− Luís de Barros, sem geração.

− Francisco de Barros da Silveira (que teve mais um irmão chamado Fr. José de Barros, que foi religioso de / 124 / S. Bernardo e ainda outro, Luís de Barros, do nome de um sobrinho e que também não teve geração), casou duas vezes; a primeira, na Ponte da Barca, com D. Teresa, filha de João de Brito Cação de Lima, s. g., e a segunda com D. Marcela de Figueiredo, filha do licenciado Francisco Dias Salgado.

Filho:

Francisco de Barros da Silveira, segue.

Francisco de Barros da Silveira, casou com D. N. . . . filha de Julião de Figueiredo Faia, de Verdemilho.
Filhos:
− José de Barros da Silveira.
− D. Eufémia.


NOTAS:

Varelas − Custódia Varela, a mais antiga pessoa desta pernada dos Varelas, em Aveiro, que o capitão-mor de Aveiro, LUÍS DA GAMA, encontrou citada nos livros findos, faleceu, como disse, a 20 de Agosto de 1591, e havia casado com Afonso Gonçalves de Barros, irmão do padre Gabriel Gonçalves instituidor de uma capela de missas da qual deixou por herdeiro seu irmão Afonso (o capitão-mor transcreve esta instituição no tomo 2.º dos Documentos, pág. 209). Moravam na rua de S. Roque e foram sepultados na dita capela. Filhos (possivelmente entre outros):

− Simão Varela, baptizado a 4-3-1566.
− Roque Varela Durazo, que era solteiro em 1592 e morreu a 14-4-1647.
− Maria de Barros, baptizada a 27-9-1569; casou a 4-7-1601 com Miguel Rangel, filho de Miguel Pires Pericão e de sua mulher Isabel Migueis. C. g.
− Filipa Varela, que casou em Janeiro de 1589 com André Pacheco Durazo, como digo no princípio destas notas.

Um Sebastião Afonso Varela, que o capitão-mor de Aveiro julga ter sido parente muito chegado de Custódia Varela, talvez irmão, foi pai de Domingos Afonso Varela, que serviu a milícia nas Índias de Castela; esteve no Peru, onde foi capitão de mar e guerra e de lá veio para Aveiro muito rico, onde teve vários casamentos e escolheu para noiva, pela boa qualidade de família, D. Francisca Ribeiro. Receberam-se a 21 de Fevereiro de 1610, ficando ela viúva / 125 / a 24 de Agosto de 1639 e morrendo em 20 de Janeiro de 1655. Era filha de Gaspar Dias Ribeiro e de sua mulher Antónia Ribeiro, com geração.

Como este livro é de notas admite-se que elas não sigam a ordem e método que deviam ter. Vou, pois, frisar melhor o que, sobre Pachecos e Cardosos, escreveu o abade de Peroselo, o que nem em tudo está de acordo com o que eu deixo escrito.

A Francisco Cardoso Pacheco, casado com Ana Maria da Silveira, ou Cardoso como diz o epitáfio da sepultura, aponto-lhe como mãe Filipa Pacheco, e o abade Maria Dias Cardoso. Ao mesmo Francisco Cardoso Pacheco atribui ao abade mais uma filha, Filomena Pacheco, «de quem vêm os filhos de Roque Varela de S. Martinho».

Recorrendo-se ao processo de familiar do Santo Ofício do marido de Helena Cardoso Pacheco − José de Barros da Silveira − (M. 2 n.º 26 no Arquivo da Torre do Tombo), vê-se a ascendência daquela que aqui marco com um esquema:

Portanto enganei-me no que escrevi no princípio desta nótula, e, como este devem para aí ficar outros erros:

m)

O licenciado Luís Coelho Cardoso, nasceu e viveu em Esgueira; foi filho de André Pacheco Cardoso e de Branca Coelho do Amaral, filha de João Ribeiro da Costa e de D. Maria da Silveira, todos de Esgueira. Não sei se teve outros filhos, mas foi sua filha:

D. Branca, segue.

D. Branca da Silveira do Amaral, nascida em Esgueira, foi casada com António da Silveira Coelho, natural de Coimbra e morador em Lamego, familiar do Santo Ofício em 13-2-1697 e licenciado para exame privado de Leis pela Universidade, filho de Manuel da Silveira, médico, natural de Coimbra e morador em Lamego, e de sua mulher Páscoa / 126 / de Oliveira, natural de Coimbra; neto paterno de Manuel Martins, de Coimbra, e de Isabel Antónia, da Aguada de Cima, do Moinho da Lameira; neto materno de António Fernandes........ de Coimbra, e de Ana de Oliveira, do Vale de Najustre (?), junto ao convento do Buçaco, baptizada a 14-9-1612.

Filhos:
− D. Bernarda Coelho, casada com André Pacheco.
− António da Silveira Coelho do Amaral.
− Fr. Tomé de Esgueira, religioso de S. Francisco.
− D. Josefa.
− D. Maria.
− D. Joana.

FRANCISCO DE MOURA COUTINHO

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