Vida na ciência

MONUMENTO A LEBON

Paris vai erigir uma estátua a Philipe Lebon, o célebre inventor do gás, assassinado por uns malfeitores ingleses, que o roubaram, e tempos depois puseram em prática o invento cujo segredo puderam arrancar-lhe. O monumento será colocado nos Campos Elíseos, mesmo no lugar onde Lebon foi assassinado.

 

MARTE

O planeta Marte está neste momento apenas a 79.950.000 quilómetros da Terra. Dentro de dois anos, ter-se-á aproximado tanto do nosso que aos astrónomos será então possível estudar esse outro mundo misterioso que tanto tem dado que falar, mas a respeito do qual tão pouco se pode afirmar ainda.

 

A VISÃO DAS CORES APERFEIÇOADA PELA CIVILIZAÇÃO

UM sábio professor de oftalmologia, Dr. Magnus, em uma série de memórias que acaba de publicar, afirma que a capacidade visual não varia unicamente de indivíduo para indivíduo, mas é proporcional ao grau de civilização a que cada um pertence. A retina humana, diz esse sábio, devia encontrar-se em sua origem num estado análogo ao que apresenta actualmente a zona periférica desta membrana. Só mais tarde é que o homem começou a ter a noção da cor vermelha e da amarela, que são as que correspondem às ondas luminosas mais distantes e de maior poder. É talvez por esta razão que nem os hinos antigos dos Vedas, nem o Antigo Testamento falam, em nenhuma das suas passagens, do «azul celeste» conquanto muito abundem em descrições da natureza. Assim não aparece também nos poemas homéricos o verde das plantas, ao passo que frequentemente há referências ao amarelo e ao vermelho. Homero e Ezequiel são apenas sensíveis às luzes incandescentes do arco-íris; alguns séculos depois Xenófanes distingue neste meteoro a cor da púrpura, a vermelha e a amarela esverdeada. Aristóteles acrescenta-lhes a azul, ou violácea.

Baseando-se num estudo acerca das línguas da África meridional, devido a Mr. FroverviIle, secretário da Sociedade de Geografia de Paris, diz o / 89 / Magnus que, com excepção dos malgaches, que são muito hábeis tintureiros, e possuem um vocabulário completo para a designação das cores, todos os povos daquela região só distinguem com nitidez a cor branca, a negra, e a vermelha, considerando todas as outras como variedades daquelas.

Confundem sempre o azul e a cor de violeta com a prata: a cor amarela e a alaranjada ou com a branca, ou com a vermelha, a verde, tomam-na umas vezes por azul, outras por amarela.

Daqui o poder-se admitir que o órgão da visão se torne mais perfeito ao homem à medida que ele vai adquirindo o hábito de analisar com maior cuidado as suas sensações, e que, sempre que for aumentando o campo de acção deste órgão, o grau periférico da retina humana chegará a tornar-se sensível a certos raios de luz, desconhecidos ainda por nós!

As crianças possuem ao princípio unicamente o sentido da luz; distinguem o branco e o preto, e aprendem a ver os objectos que os cercam e a conhecer-lhes os diferentes movimentos. Chegada ao 16.º mês, a sensação da Cor vermelha e da Cor verde começa a desenvolver-se-Ihes nas partes centrais da retina, e aperfeiçoam-se cada vez mais até ao 24.º mês. Dos 2 aos 3 anos, começa a criança a conhecer a cor amarela; dos 3 para os 4, a Cor alaranjada, o azul, e finalmente a cor violeta, O sentido cromático vai-se aperfeiçoando assim até aos 5 ou 6 anos. Só passado um ano depois que a criança aprendeu a reconhecer as seis cores principais (verde, amarelo, laranja, violeta) é que toma o hábito de as distinguir na conversação.
 

A MAIOR PONTE DO MUNDO

UMA poderosa companhia de caminhos de Ferro dos Estados Unidos da América, Southern Pacific, tem concluído o assentamento de uma ponte sobre o Mississipi, que deixa a perder de vista a Famosa ponte de Forth, que os ingleses consideravam até agora a mais admirável construção metálica do mundo inteiro. Esta nova ponte, que é de via dupla, próximo de Nova Orleães, tem 3.000 metros de comprimento, quase duas vezes o que tem a ponte de Forth. Pesa 25.000 toneladas. Custou 4 milhões e 500 mil dólares. Foi toda construída na América. Facilita consideravelmente as comunicações entre os Estados do Norte e os do Sul, e mantém à capital da Luisiana a supremacia como ponto de embarque dos algodões daquela região.
 

A VIDA HUMANA CONFORME A ALTURA DA HABITAÇÃO

UM higienista húngaro teve a ideia de estabelecer, fundando-se nas estatísticas mais recentes, as relações da duração da vida humana com o nível do andar do prédio em que cada qual habita. Pela sua profissão ou pela sua pobreza, os que são constrangidos a viver nas lojas subterrâneas são os que morrem mais depressa. Vêm depois, por ordem decrescente de insalubridade,  o 3.º andar, o 4.º andar, e o rés do chão. Os andares mais sadios são o 1.º e 2.º Quanto ao 5.º, ao 6.º, e aos que ainda porventura fiquem por cima desses, o número de degraus que é preciso subir para lá chegar é tão grande, que os seus inquilinos devem contar com a morte dois anos mais cedo do que aqueles que habitam os andares intermédios.

 

DESPOVOAMENTO DOS MARES

UM fenómeno que interessa particularmente o nosso país, dada a sua situação geográfica, é o do despovoamento dos mares, principalmente nas proximidades das costas. As sociedades de piscicultura da América do Norte têm agora debatido muito esta questão.

Supunha-se dantes que as ideias do professor inglês Huxley, a respeito da reprodução e quantidade dos animais marinhos eram duma inteira exactidão, admitindo-se que a pesca, por mais intensiva que se praticasse, não era factor de importância que concorresse para diminuir sensivelmente a multidão dos peixes aproveitados para o consumo. Vieram depois os trabalhos de Agassiz, Mac-Intosh, Hensen Whitman, Manon, Heincke, e outros, e revelaram que, se é certo que a pesca feita de acordo com prescrições científicas, não prejudica consideravelmente a população dos mares, desde que só se escolha o que deva ser aproveitado, outros factores há que poderosamente contribuem para que o esgotamento do litoral se prepare pouco a pouco.

 

QUANTO PESO AGUENTA UM SOLDADO

OS alunos do Instituto  de Medicina Frederico Guilherme, na Alemanha, têm realizado experiências com o fim de averiguar qual o peso máximo que os soldados de infantaria podem transportar, em determinadas condições de marcha.

As conclusões a que chegaram, deduzidas e relatadas pelo professor Luntz, são as seguintes:

Quando o peso transportado não exceda 21 quilos, numa marcha de 15 a 18 quilómetros, com uma temperatura média, não exerce acção deprimente sobre a saúde do soldado. Em condições idênticas de peso e marcha, mas sob elevadas temperaturas atmosféricas, observam-se perturbações cardíacas, circulação anormal, respiração forte e apressada.

Um peso de 27 quilos em marchas de 22 a 28 quilómetros, com temperatura favorável, é ainda suportado facilmente pelo soldado; mas é o máximo para a média dos soldados, durante o estio. Daí para cima, o peso diminui o andamento da infantaria, produzindo todos os sintomas do esgotamento muscular.

As variações que possa haver nestes números, obtidos sobre cálculos muito precisos, só podem ser determinadas pela natureza dos caminhos a percorrer.

A marcha realizada em uma superfície plana não pode ser igual à que se faça em uma extensão igual de terreno montanhoso. As experiências dos estudantes alemães fixaram a média dos casos.

 
 

 

88-89