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Que estranha e longa estrada silenciosa
Neste torvo crepúsculo profundo!
Parece, de tão linda e tenebrosa,
Uma estrada que vai para o Outro Mundo...
Levanta-se o Mistério em murmurinhos,
Suas asas de sombra, e sonho, e graça:
É tudo um voo... A voz dos passarinhos
Não parece que voa, mas esvoaça.
Abre-se a terra num mistério imenso:
Fecha-se a névoa em derredor de mim.
Não vejo a terra, o meu caminho, – e penso
Que vejo pelos séculos sem fim!
É tudo um voo... Pela cerração
Das névoas e da noite, como um cego,
Estendo, para andar, a minha mão,
Num íntimo e febril desassossego.
É tudo um voo... E agora, tacteando
Pelos musgos do muro ó noite absorta!
Parece-me que vou arrepiando
As asas frias duma c'ruja morta...
Morta? Não sei... Encosto os meus ouvidos
À penugem dos muros esvoaçantes.
E eis-me a escutar soluços e gemidos,
Aqui, além; tão perto! Tão distantes!
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