EUGENE C. KING e RICHARD D. KELLOUGH, A ressource guide for secondary school teaching, Macmillan Publishing Cº, lnc., New York. - Texto adaptado.

«Minicurso de Relações Humanas

Sumário:

- Condições favoráveis à condução da aula;
- Como manter um estado de espírito construtivo;
- Prevenção de dificuldades disciplinares;
- Manter a ordem na sala de aula;
- Comportamentos do professores causadores de indisciplina;
- Como tratar turmas indisciplinadas.

 


I

MINICURSO DE RELAÇÕES HUMANAS

 

As seis palavras MAIS importantes:
«Eu admito que fiz um erro.»

As cinco palavras MAIS importantes:
«Tu fizeste um bom trabalho.»

As quatro palavras MAIS importantes:
«Qual a tua opinião?»

As três palavras MAIS importantes:
«"Se faz favor.»

As duas palavras MAIS importantes:
«Muito obrigada.»

A palavra MENOS importante:
«EU»

AUTOR DESCONHECI DO

 

II

CONDUÇÃO DA AULA; INTERACÇÃO; DISCIPLINA

 

1. CONDIÇÕES FAVORÁVEIS À CONDUÇÃO DA AULA

A aparência, arranjo e condições físicas da sala de aula reflectem a personalidade do professor. Examine regularmente a sua sala de aula com vista ao seguinte:

— Ambiente da sala: temperatura, ventilação, persianas para o controlo da luz e do sol.

— Arranjo da sala: aparência e arrumação dos expositores, decorações, estantes, equipamento,...

— Disposição das cadeiras: arrumação funcional das carteiras, cadeiras, mesas (semi-círculo, mesa redonda, distribuição em quadrado), arrumação para trabalhar em pequenos grupos, para trabalhar individualmente, não esquecendo os casos especiais de deficientes auditivos, deficientes visuais ou alunos que não gostam de trabalhar em grupo.

— Preparação antecipada de material e acessórios e sua distribuição ordenada, se tal estiver previsto.

 

2. DIRECTRIZES PARA MANTER UM ESTADO DE ESPÍRITO CONSTRUTIVO

No que respeita aos alunos:

— Conheça os seus alunos. Aprenda os seus nomes imediatamente.

— Analise a classe periodicamente para se aperceber das condições de saúde, fadiga, etc. dos seus alunos. Esses sinais facilmente detectáveis explicar-lhe-ão muitos comportamentos anormais e o seu interesse pelo aluno como pessoa é indispensável.

— Conheça a sensibilidade dos alunos. Preste atenção às atitudes manifestáveis ao escrever e em discussão. Respeite a personalidade do aluno (o que não significa tolerância incondicionada).

— A participação do aluno é necessária para mantê-lo num bom estado de espírito. Ajude-o a tornar-se um membro do grupo. Nunca o separe dos companheiros, a menos que, mediante razões aceitáveis, ele deseje trabalhar individualmente.

— Realce os aspectos positivos de cada aluno; favoreça o desenvolvimento da autoconfiança no jovem e ajude-o a sentir-se importante para o grupo. Toda a gente, velhos e novos, gostam e necessitam de elogios. Use-os sem receio.

 

No que respeita ao professor:

 

— Se fez uma promessa, cumpra-a. Se cometeu um erro, peça desculpa. Compartilhe com os jovens a ideia de que toda agente comete erros.

— Seja criativo e inovador; experimente ideias novas e dê-as a conhecer aos seus alunos.

— Tenha um procedimento amigo e informal, mas sério e consistente. Trate todos os alunos com o mesmo grau de justiça, imparcialidade e consideração. Não permita que a avaliação do professor que o precedeu a influencie. Não castigue toda a classe por causa das acções de alguns. Sobretudo, não «veja» e não «ouça» tudo...

— O professor deve possuir senso de humor. Se alguns profissionais precisam de senso de humor, o educador é sem dúvida um deles.

— Estabeleça uma boa comunicação com os alunos de modo que eles sintam confiança ao aproximar-se de si com problemas ou perguntas. Seja delicado com eles, tal como espera que eles sejam consigo. Nunca actue irado ou use ameaças para resolver dificuldades.

— O exemplo do professor determinará o ponto de partida para muitas coisas. Apresente-se bem arranjado e principalmente fale e actue com compostura.

 

No que respeita ao ambiente de aprendizagem:

 

— Uma classe ocupada é geralmente uma classe feliz. Proporcione actividades que alarguem as habilidades dos alunos e proporcionem trabalho suficiente para mantê-los ocupados. Saiba dosear o tempo — saiba quando convém acelerar, afrouxar ou   mudar de actividade, mas evite criar tensões. As regras relativas a comportamentos devem nascer dos propósitos emitidos pelo grupo e devem desenvolver-se e estabelecer-se no conjunto classe-professor.

— Seja entusiasta — isso é contagioso. Crie um ambiente em que cada um se sinta importante. Mantenha o meio ordenado, no que se refere a quadros, expositores, exposições, etc.

— Sempre que um comportamento justifique uma recompensa, esta deve atribuir-se o mais depressa possível. Sempre que possível, manifeste aprovação por trabalhos ou comportamentos superiores. Tente ultrapassar os trabalhos pobres (assinalando-os, sim) com encorajamento em vez de repreensões, e ralhos.

 

No que respeita às actividades de ensino:

 

— Em cada dia, ensine como se estivesse a ser observado por um inspector. Prepare-se e sinta-se preparado em termos de tarefas de rotina, materiais, equipamento, actividades, etc. Comece e acabe à hora.

 

 

3. PREVENÇÃO DE DIFICULDADES DISCIPLINARES.

— Não reaja a maus comportamentos da turma como se lhe dissesse respeito.

— Não ameace fazer coisas. Actue adequadamente sem ameaças.

— Não use sarcasmo, ridículo ou embaraço. Geralmente tais atitudes não corrigem, antes originam sentimentos negativos para com o professor (não se esqueça de que pretendemos a amizade de todos os nossos alunos), alienam a classe e humilham alguns deles. Por outro lado estas atitudes podem dar um resultado oposto ao desejado e criar reacções difíceis de controlar.

— Não castigue mostrando-se irado. Tente manter a compostura, seja qual for a situação. Nunca agrida um aluno.

— Como via de regra, não mande os alunos sair da aula por mau comportamento.

— Não aplique castigos que pessoalmente ou publicamente humilhem o aluno. Aliás não repreenda um jovem publicamente; não assuma a atitude de quem ralha; não prolongue um incidente; não discuta (regateando)...

— Não recompense maus comportamentos proporcionando ao aluno situações de vantagem, para conseguir a sua simpatia.

— Não marque tarefas escolares para castigar maus comportamentos. Isso contribuirá para destruir o real valor dos trabalhos escolares no contexto do processo de aprendizagem.

— Não castigue toda a classe por infracções individuais. Não use ameaças ou castigos corporais.

— Não permita que o envolvam nas situações criadas. Isso é relativamente fácil em situações de grupo.

— Não divulgue transgressões (nem o respectivo castigo) diante dos outros companheiros.

— Não obrigue um jovem a pedir-lhe desculpa. Esta situação quando forçada é uma humilhação para ambas as partes, que a nada de positivo conduz. Porém, se o aluno livremente pede desculpa, aceite-a.

— Não permita situações de reacção em cadeia. Por vezes há comportamentos que irradiam pela classe e o último transgressor é o único punido. Aprenda a reconhecer esse tipo de situação e detenha-a sem falar muito.

— Não pretenda dar imediatamente uma solução final a todas as situações disciplinares. Dê tempo ao tempo, mas exija progresso constante.

 

4. MANTER A ORDEM NA SALA DE AULA.

A posição a tomar, na sequência do que atrás se disse, é a de que o método desejável é o autêntico controlo democrático da classe. As sugestões que se seguem têm como objectivo ajudar o professor a manter o desejável controlo do grupo. Reflicta sobre elas e procure aplicá-las.

— Seja sincero. Convença-se de que pode ajudar todos os alunos. Demonstre-lhes que gosta de todos. Tentativas para disfarçar sentimentos negativos relativamente a qualquer deles serão detectados, do que resultará os alunos perderem a confiança em si.

— Seja alegre e cultive o senso de humor, mas não tente disputar popularidade barata. Conseguir popularidade barata em vez de autêntica estima pode conduzir à destruição do professor.

— Evite castigos vingativos e/ou com o fim de provar que o professor é duro; estas atitudes não corrigem a causa dos problemas comportamentais (e essa deve ser a finalidade de qualquer atitude por parte do educador).

— Não use sarcasmo ou ridículo. Não se pode esperar que os alunos respeitem um professor que use tácticas tão rudes e mesquinhas.

— Não proteste a propósito de qualquer pequeno distúrbio. Embora muitas vezes isso só irrite o professor, quando exploradas podem tomar maiores proporções e afectar toda a classe.

— Não se manifeste encolerizado. A maturidade do seu procedimento deverá ser um exemplo que os alunos procurarão seguir ou ultrapassar 

— Quando um aluno começa a portar-se mal, conduza-o imediatamente para a actividade que está a processar-se; por exemplo, capte a sua atenção perguntando-lhe: «Concordas com o comentário do teu colega?»

— Comece as actividades lectivas imediatamente após o começo da hora lectiva. Não atrase verificando as presenças ou realizando outras tarefas. Faça isso mais tarde, numa altura mais apropriada.

— Trabalhe no sentido de conhecer e/ou desenvolver várias técnicas de ensino. Planifique experiências atraentes com os seus alunos e use grande quantidade de materiais de ensino (que eles próprios podem construir).

Cada professor poderá acrescentar outras sugestões a esta lista, consoante os casos que a sua experiência lhe proporcionou e nos quais adoptou ideias que resultaram em êxito. Contudo, é bom assinalar que nem todos os alunos respondem exactamente da mesma maneira a qualquer das técnicas de controlo da classe.

 

 

5. COMPORTAMENTOS DO PROFESSOR QUE PODEM CAUSAR INDISCIPLINA

— Elevar a voz, enquanto ensina, para se sobrepor ao barulho da classe. Revelar-se encolerizado, exasperado ou impaciente.

— Admoestar o jovem na presença de outros e fazer disso «cavalo de batalha».

— Apresentar tarefas tipo «trabalhos forçados» — por exemplo, memorização meramente mecânica de factos raras vezes variando a maneira de agir. Reprimir o envolvimento do aluno e encorajar a passividade.

— Revelar pouco entusiasmo ao ensinar; usar quase sempre a técnica expositiva e/ou a pergunta-resposta.

— Exigir muitos trabalhos de casa e não lhes ligar importância no dia seguinte.

— Dar ênfase às falhas dos alunos e ignorar (ou dar pouca importância) aos seus sucessos.

— Marcar tarefas que a priori se sabe redundarem em fracasso para os alunos, em vez de proporcionarem autênticas situações de aprendizagem, ajudando-os a progredir e em que sejam bem sucedidos (a frustração é sempre um bloqueio na aprendizagem).

— Fazer testes com a intenção exclusiva de classificar, dando a impressão de pretender ser «professor duro». Dar ênfase aos testes surpresa.

— Pedir ao jovem para realizar trabalhos relativamente aos quais não tem o mínimo interesse e/ou é demasiado difícil para ele.

— Estabelecer uma só via de comunicação, do professor para o aluno.

— Não envolver o aluno em decisões relativas às actividades da aula, treinando-o desse modo para o seu papel de cidadão.

— Responder ao aluno que pede assistência com expressões como «já devias saber isto» ou «onde tens estado?»

— Permitir que os alunos se tratem por alcunhas ou qualquer outro nome menos correcto.

— Utilizar como motivação o receio da classificação em vez de um interesse saudável pela disciplina.

— Conservar má vontade para com o aluno, isto é, tomá-lo de ponta.

— Conversar (“Mexericar”) acerca dos alunos em lugares públicos.

— Ter favoritos.

 

 

6. COMO TRATAR COM TURMAS INDISCIPLINADAS.

Não há qualquer solução mágica para todos os problemas disciplinares. Contudo podem-se apontar algumas directrizes gerais.

— Seja prático e preciso. Diga claramente aos alunos o que vão fazer nesse dia. Comece e acabe a horas.

— Aprenda    o nome dos alunos o mais rapidamente possível e identifique-os pelo seu próprio nome. Não use a forma abreviada e familiar ou qualquer outro nome como, por exemplo, «Aí o do cabelo comprido...»

— Não alimente a propensão para o castigo; em vez disso, desenvolva a sua capacidade de prevenir e remediar.

— Utilize frases afirmativas em vez de negativas. Por exemplo, «Precisamos de sossego para melhor podermos trabalhar em conjunto.», em vez de «Não façam tanto barulho!»

— Observe globalmente a classe constantemente. Seja firme ao pedir a cooperação dos alunos e evite fazer falsas acusações de mau comportamento. Não ignore transgressões quando elas se repetem.

— Esforce-se por manter a calma e confiança. O professor precisa de nervos calmos e espírito claro para poder ensinar. Faça saber aos alunos que gosta de estar com eles mas tem a intenção de não suportar tolices.

— Desenvolva uma atitude saudável e cooperante entre os alunos, sendo sincero ao exprimir o que pensa sobre situações de indisciplina.

— Não ensine os conteúdos de uma maneira apressada (tendo como primeira preocupação chegar ao fim do assunto). Lembre-se de que o bom controlo da classe é condição prévia indispensável para bem ensinar.

— Quando desafiarem a sua autoridade, mantenha-se calmo e senhor de si. Lide com o aluno provocador individualmente e nunca na frente da turma. Se a situação não for demasiado séria, peça-lhe que fale consigo após a aula; se for séria, leve o aluno para um lugar apropriado, de preferência isolado. Nesse caso, chame alguém que o substitua na sala de aula.

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NOTA — Este texto foi adaptado do livro de EUGENE C. KING e RICHARD D. KELLOUGH, A ressource guide for secondary school teaching, Macmillan Publishing Cº, lnc., New York. - Texto adaptado.

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Inserido em
11/3/2006