Quisemos desistir desta ceifa amarga
partir de boca rouca e salgada
algures onde o vento não fustigasse
a nossa pele crestada
Quisemos amar outra terra
mas talvez fosse muda e cega
porque jamais nos deu palavra
Quisemos trocar o ritmo do mar
pelo fragar estridente dos silvos
para que os filhos corressem em pátios
sombreados e tivessem
mãos delicadas.
Ah mas que falta nos faz o malvado do vento
o cheiro a
maresia do entardecer
a voz empolgada do mar nas invernias
a escutar preces cadenciadas...
E quisemos desistir daquilo que somos
− Deus nos valha!
Aqui entre a terra e o mar ouve-se de verdade
a nossa voz
rouca e salgada.
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